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Capital

Suspeito é preso pelo assassinato de rapaz encontrado com mãos amarradas

Suspeita é que execução de jovem tenha sido decretada após mãe denunciar à facção que ele estuprava a filha

Por Dayene Paz e Bruna Marques | 27/06/2022 09:32
Movimentação de peritos no local onde o corpo de Felipe foi encontrado. (Foto: Gabrielle Tavares)
Movimentação de peritos no local onde o corpo de Felipe foi encontrado. (Foto: Gabrielle Tavares)

Equipe da DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídio) levou, nesta segunda-feira (27), um suspeito para a delegacia. Ele está sendo ouvida sobre o assassinato de Felipe Batista de Carvalho, de 19 anos, encontrado na tarde do dia 20 de abril, com as mãos amarradas em mata às margens de estrada vicinal, que liga o Jardim Santa Emília ao Bairro Nova Campo Grande, na Capital.

Conforme apurado pela reportagem do Campo Grande News, na manhã de hoje foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão domiciliar, e um mandado de prisão. Na casa alvo, no Bairro Paulo Coelho Machado, a polícia apreendeu uma camisa e um short de Felipe.

O mandado de prisão temporária tem validade de 30 dias, podendo ser prorrogado. A DEH não revelou nome nem idade da pessoa presa.

Desaparecimento e morte - No dia 17 deste mês, Reginaldo de Carvalho Ávila, de 39 anos, pai de Felipe, registrou boletim de ocorrência de desaparecimento do rapaz na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Centro.

Na ocasião, Reginaldo contou que o filho trabalhava como servente de pedreiro em uma fazenda em Anastácio, onde conheceu um rapaz chamado Renan. Ainda conforme registro policial, a mãe de Renan ofereceu uma vaga de emprego para Felipe trabalhar como operador de máquinas em Campo Grande.

O rapaz seguiu para a Capital, mas não conseguiu a vaga prometida. Dessa forma, ele passou a morar com Renan e a sua mãe no Jardim Los Angeles, bairro do sul da Capital, ocasião em que conheceu uma mulher, não identificada, que demonstrou interesse em manter relacionamento amoroso com Felipe.

Porém, o rapaz não quis e passou a “se relacionar” com a filha dessa mulher, uma criança de 11 anos. Revoltada, a mulher acionou o “comando” de uma facção criminosa para punir Felipe, pois sua filha era menor de idade e fazia uso contínuo de medicamento controlado.

Sabendo dessa situação, Felipe chegou a entrar em contato com o pai dizendo que pelo ocorrido apenas “apanharia” como punição e “estaria tudo resolvido”. Mas dias depois, a mãe de Renan entrou em contato com o pai de Felipe informando que o rapaz havia sido classificado como “jack” - termo do crime para quem comete estupro - e, em razão disso, havia chances dele ser executado.

Em outra ocasião, não informada, a mãe de Renan entrou em contato novamente com o pai afirmando que o “comando” havia levado Felipe para a “cantoneira”, onde seria assassinado até às 3 horas de sábado (dia 16).

No dia seguinte, sem contato com o filho, Reginaldo registrou o desaparecimento. O rapaz foi encontrado morto quatro dias depois. Ele pode ter sido asfixiado ou baleado na cabeça, no entanto, somente exames detalhados poderão comprovar a causa da morte.

Estupro de vulnerável - No dia 18 de abril, foi registrado boletim de ocorrência de estupro de vulnerável na Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) pela avó da criança, uma mulher de 44 anos.

Ela contou que a mãe da menina descobriu no dia 15, mesmo dia do desaparecimento do rapaz, que a filha estava se relacionando com o jovem e tinha mantido relação sexual com ele. Segundo a avó, depois do episódio, ela havia levado a neta para morar em sua casa e iria entrar com pedido da guarda, pois nem estudando a menina estava.

Em atendimento no setor psicossocial, a criança confirmou que estava “namorando” Felipe. Nesta ocasião, o rapaz já havia sido inserido no sistema da polícia como vítima de desaparecimento.

Roubo de aeronave - Em setembro do ano passado, Felipe registrou boletim de ocorrência acusando policiais militares da Força Tática e do Batalhão de Choque de agredi-lo para que confessasse participação e detalhes do roubo de três aeronaves, ocorrido no dia 6 do mesmo mês, no Aeroclube de Aquidauana, distante 135 quilômetros de Campo Grande. A participação do rapaz - que na época era militar do Exército - não foi comprovada.

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