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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

04/11/2011 18:23

Taxa de suicídio entre crianças é maior do que se pensa, diz psicóloga

Viviane Oliveira e Marta Ferreira

Em entrevista, a psicóloga fala que a depressão infantil não é tão facilmente identificável como na vida adulta

Segundo a psicóloga, a principal doença que pode levar ao suicídio infantil e adolescente é a depressão.(Foto: Arquivo/pessoal)Segundo a psicóloga, a principal doença que pode levar ao suicídio infantil e adolescente é a depressão.(Foto: Arquivo/pessoal)

A morte de um garoto de 10 anos e a suspeita de que tenha se jogado da janela do 13º andar, após cortar a tela de proteção, provocou comoção, nesta sexta-feira, e, com certeza, acendeu uma luz de preocupação em cada pai ou mãe que lê essa notícia. Pode uma criança dessa idade cometer suicídio?

A Polícia Civil ainda está no início das investigações e não confirma, embora tenha dado sinais de que essa é a hipótese mais forte até agora, dadas as circunstâncias. E um dos delegados que foi ao local alertou: pais devem prestar mais atenção aos filhos e aos sinais que eles dão.

O Campo Grande News traz, abaixo, a conversa com uma especialista no assunto, para ajudar pais, mães, parentes e amigos sobre o assunto. A psicóloga Abigail Lago afirma, na entrevista a seguir, que o que a Polícia suspeita que tenha ocorrido com o menino Gabriel é mais comum do que se pensa.

Campo Grande News: A morte do garoto, com a suspeita forte de que tenha sido suicídio, surpreende e deixa perplexo por se tratar de uma criança de 10 anos. Crianças podem chegar a esse ponto?

Sim, segundo pesquisas, a taxa de suicídio entre crianças e adolescentes vem aumentando progressivamente nas últimas quatro décadas, um dado alarmante sobre o qual não se ouve muita discussão na sociedade. Segundo dados da OMS – Organização Mundial da Saúde (2000), no mundo inteiro o suicídio está entre as cinco maiores causas de morte na faixa etária de 15 a 19 anos. O suicídio tem sido considerado a segunda principal causa de morte de jovens entre 15 e 19 anos, perdendo apenas para os acidentes de carros e de motos por alguns autores, no máximo como terceira causa de morte, por outros autores.

Pelo conhecimento da psicologia, a que doenças psiquiátricas está ligado esse tipo de situação?

A principal doença que pode levar ao suicídio infantil e adolescente é a depressão. Outros fatores de risco são o abuso de drogas ou álcool, situações psicossociais recentes (como a mudança de escola e casa ou a separação dos pais, dificuldades na escola e o fim de um namoro), baixa auto-estima, acesso a armas de fogo, tentativas anteriores de se matar e a ausência de tratamento psicológico após a primeira tentativa. Portanto, a ansiedade, o motivo existencial e a depressão estão fortemente relacionados com a intenção suicida.

Que sinais os pais devem observar em seus filhos, para não ser vítima de algo do tipo?

Dentre os principais fatores estão a tristeza frequente, o desespero, a fácil irritabilidade e a manifestação do desejo de estar morto. Nem sempre esses sintomas são nítidos nas crianças. A depressão, a causa mais comum do suicídio, não é tão facilmente identificável na infância como é na vida adulta. Nem sempre a tristeza é aparente e por isso é importante observar se há na criança a perda de interesse pelas atividades que habitualmente eram interessantes.

Nas crianças e adolescentes é comum a depressão ser acompanhada também de sintomas físicos, tais como fatiga, perda de apetite, diminuição da atividade, queixas inespecíficas, tais como cefaléias, dor nas pernas, náuseas, vômitos, cólicas intestinais, vista escura, tonturas, etc. Na área do comportamento, a depressão na infância e adolescência pode apresentar dificuldades nas relações com os demais, familiares e colegas, perda de interesse por pessoas e isolamento. As alterações cognitivas da Depressão infantil, principalmente relacionadas à atenção, raciocínio e memória interferem sobremaneira no rendimento escolar.

Morte de garoto em edifício na Capital reacendeu debate sobre problemas psicológicos. Peritos usam boneco para simular queda. (Foto: João Garrigó)Morte de garoto em edifício na Capital reacendeu debate sobre problemas psicológicos. Peritos usam boneco para simular queda. (Foto: João Garrigó)

Como lidar com uma notícia dessas entre crianças, como por exemplo, entre os alunos que são colegas de Gabriel?

É importante ter muita cautela, pois ainda não esta comprovado que foi suicídio. As explicações devem ser dadas pelos pais e professores com base nos dados de realidade. O suicídio infantil é um tema quase indiscutido e intocado, pois coloca em cheque o mito da inocência infantil. Por isso, na maioria dos casos se atribui o ato suicida a um possível acidente doméstico. Considero importante esclarecer todas as duvidas das crianças utilizando uma linguagem adequada a idade.

Há uma ética dentro do jornalismo, que é de não divulgar casos de suicídio, pra não incentivar. O que vocês, psicólogos, defendem neste caso?

Deixar de falar sobre determinado assunto não faz com que ele se resolva ou não aconteça. É fundamental esclarecer as causas e sintomas para que a população tenha acesso às informações e assim possa ter uma atitude de prevenção em relação ao suicídio entre crianças e adolescentes. A divulgação de casos como esse, acredito que deve ter por objetivo à prevenção do suicídio, que envolve uma série de atividades, abrangendo desde o tratamento efetivo dos distúrbios mentais até um controle ambiental dos fatores de risco.

O fim de ano é uma época mais preocupante?

Por ser um período de festas onde várias emoções afloram, as pessoas portadoras de transtornos tendem a agravar o quadro suicida, ou seja, o suicida sofre de um processo de adoecimento contínuo e prolongado, que pode manifestar crises nessa época.

É importante fazermos uma distinção entre idéias suicidas e tristeza de final de ano. Na primeira trata-se de pessoas acometidas de um comprometimento grave de sua estrutura, necessitando de atendimento especializado, sendo indicado tratamento psicológico juntamente com tratamento psiquiátrico. Tendo em vista que o acompanhamento e apoio familiar são imprescindíveis para a melhora do paciente.

No segundo caso, mais comum e frequente, o indivíduo ao repensar o ano que passou, se depara com perdas e frustrações, planos ou metas que não foram alcançados, mas a tristeza tende a diminuir conforme o passar dos dias e a proximidade do ano que se inicia, renovando esperanças e expectativas de dias melhores.



Com tanta informação, tanto abandono (as familias sérias estão acabando) e tanto apelo das diversas fontes de comunicação, a criança, o adolecente e até o adulto perderam referencias. Isso é bom para o poder.
 
JOSÉ PEREIRA FILHO em 05/11/2011 12:41:18
É com muita tristeza, que vemos tragédias como essa sempre na mídia. Precisamos buscar ações urgentes para minimizar o suícidio, pois através de dados estatísticos, temos um alto índice de Suícidios no mundo. Observamos a Família, preocupada com as questões materiais, na luta pela sobrevivência, deixando muitas vezes os filhos a mêrce da mídia, principalmente da internet (os jogos de violência, prostituição, combates e outros....) famílias onde não existe diálogo e não se trabalha a religiosidade , não se preocupa em conduzir essas crianças a uma Evangelização, onde poderão ser trabalhados os valores morais, éticos e religiosos. Independente da religião que professamos, temos o dever de buscar soluções imediatas.
Não queremos aqui, julgar ou culpar ninguém. Queremos sim, levantar a discussão para o assunto , saber como identificar um suicida em potencial, o que fazer quando alguém quiser se matar, interpretar qualquer tentativa ou anúncio de suicídio como sinal de alerta. Independente da religião que professamos, temos o dever de buscar soluções imediatas. Amigos, não podemos cruzar nossos braços diante desses fatos, pois, a tendência é que esses índices aumentem!!! Precisamos nos envolver mais em trabalhos sociais, solidários, buscando dessa forma dar mais valor a vida, ao que temos, exercendo desta forma o lado humanitário, permitindo a nós, melhorarmos intimamente, sendo pessoas mais sensíveis, mais equilibradas.
Márcia Regina Pereira
 
Márcia Regina Pereira miranda Ashd em 05/11/2011 12:18:08
Crianças criadas por babás, sem afeto, são problemas comuns que os pais sempre tentam resolver com psicólogos, sem assumir as rédeas do destino, acham que educação e respeito se compra e paga nessas sessões, Deus de paz a essa familia.
 
joão cesar em 05/11/2011 12:14:12
Parabéns aos colegas pela entrevista com a especialista, desfazendo paradigmas da não comunicação. Penso que temos essas linhas de pensamento na imprensa, em comunicar ou não esses casos. O debate e o esclarecimento são responsabilidades de toda sociedade para protegermos os nossos pequeninos. Meus sentimentos a família do Gabriel e que DEUS PAI conforte seus corações.
 
Tatá Marques. em 05/11/2011 09:41:18
Desde 2006 suicidio foi declarado pela OMS como problema de saude publica, porem nao percebemos investimentos na area.
MS ja e o segundo no ranking nacional alem co CVV 141 e os CAPS nao temos conhecimento de outra outra forma de prevençao em nosso estado.
A imprensa deve sim abordar os casos de suicidio porem sem SENSACIONALISMO e sim mostrando as consequencias do ato.
 
Roberto Sinai em 05/11/2011 07:58:35
Concordo plenamente com o comentário do Roberto de Souza Teles, onde diz que as crianças precisam ser mais infantis, brincar mais, sujar-se mais....Tenho um filho de 5 anos e vejo que muitos amiguinhos da mesma idade já sabem e possuem os eletrônicos mais modernos , desde video games com jogos violentos, até a linha completa dos I...Ipad, Ipod, Iphone!!!
 
Juliana Guimarães em 05/11/2011 04:06:58
Dois casos parecidos envolvendo crianças de 10 anos, escola e depressão. No Rio e Aqui. Não parece tratar-se de problemas familiares, mas sim, provavelmente, um movimento social generalizado de exigência excessiva de responsabilidades além da maturidade infantil. Em outras palavras, as crianças de hoje, precisam ser mais crianças, precisam brincar, sujar-se na terra, soltar pipa, etc.
 
Roberto de Souza Teles em 05/11/2011 01:35:19
Muitas vezes, nós pais se preocupamos com educação cara, boas escolas, boa alimentação, viagens, presentes e esquecemos é que, o que é de mais valioso para uma criança é ser ouvida, ser prestada atenção e ser apresentada Deus . Deus conforte o coração o dessa familia, pois n. há nada pior q perder um filho, ainda mais dessa forma tão trágica.
 
Glaucekerlen B. Godoi em 04/11/2011 10:54:38
NADA É MAIS IMPORTANTE NESSA VIDA DO QUE AS PESSOAS PRINCIPALMENTE AQUELAS QUE AMAMOS, POR ISSO DEVEMOS PARAR UM POUCO COM ESSA CORRERIA QUE O MUNDO NOS IMPOE E REALMENTE OLHARMOS PARA DENTRO DE NOS, DE COMO ESTAMOS VIVENDO, DE COMO AS NOSSAS CRIANÇAS TAMBEM ESTAO VIVENDO.
 
EDSON ROSA -AMAMBAI-MS em 04/11/2011 07:28:18
Tenho um filho de 10 anos e um de 04. Crio os dois sozinha, mas mesmo trabalhando, tento ser o mais presente possível na vida dos dois. Tenho muito amor, carinho e diálogo. Mas exerço disciplina também. Sei que não há receita para evitar fatalidades, mas devemos seguir o que a psicóloga sugere. Que Deus conforte muito a família do Gabriel. Meus sinceros sentimentos...
 
JOSHIANE SCHMITT em 04/11/2011 07:02:05
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