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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

24/05/2016 16:57

Vacinação escondida e em grupo não prioritário ajudaram a zerar estoque

Até jornalista, que em tese não poderia ter acesso à vacina na rede pública, foi vacinado em posto da Capital

João Humberto
Vacinação não atendeu a todas pessoas enquadradas nos grupos prioritários e pode ser decorrente de imunização em quem não era prioritário (Foto: João Humberto)Vacinação não atendeu a todas pessoas enquadradas nos grupos prioritários e pode ser decorrente de imunização em quem não era prioritário (Foto: João Humberto)

A falta de vacinas contra a gripe H1N1 na rede pública de saúde em Campo Grande é reflexo da vacinação feita em grupos não prioritários e doses escondidas em postos de saúde. Além de denúncias de pacientes, equipe do Campo Grande News, não enquadrada no grupo prioritário, percorreu unidades localizadas nas regiões leste e sul, na sexta-feira (20), conseguindo ser vacinada em uma deles.

No posto de saúde em que a equipe conseguiu ser vacinada, bastou contato com a direção para receber a vacina. O procedimento foi rápido, enquanto outras pessoas aguardavam na fila para ser atendidas. Neste local, havia vacinas disponibilizadas.

Um membro do Conselho Municipal de Saúde entrou em contato com o Campo Grande News e pediu para não ser identificado. Ele disse que no dia 30 de abril, quando a campanha começou, foi até o posto de saúde do bairro Coronel Antonino e teve prioridade na vacinação.

“Eu entrei na sala da direção e fui vacinado. Até verifiquei que havia várias vacinas numa geladeira e os funcionários mentindo que já tinham acabado”, denunciou o homem que não quis se identificar.

Conforme já dito à reportagem pelo secretário de Estado de Saúde, Nelson Tavares, quando a campanha de vacinação começou, doses foram levadas a supermercados, shoppings, na Praça Ary Coelho, e isso colaborou para que pessoas que não estavam inseridas no grupo prioritário e têm condições de pagar pelas vacinas, tomassem de graça nesses locais. A informação é rebatida pela Sesau (Secretaria Municipal de Saúde).

Ainda conforme denúncias encaminhadas ao Campo Grande News, até mesmo alguns professores da rede pública deram um ‘jeitinho’ de falsificar atestado para poder tomar a vacina. São fatores que comprovam que a falta de vacinas para os grupos prioritários é decorrente de despreparo e fiscalização das equipes dos postos de saúde pela prefeitura.

Secretário municipal de Saúde afirmou que diferença no número de doses 'desaparecidas' é consequente de menos quantia em alguns frascos (Foto: Arquivo)Secretário municipal de Saúde afirmou que diferença no número de doses 'desaparecidas' é consequente de menos quantia em alguns frascos (Foto: Arquivo)

Sumiço – Vacinas escondidas de quem precisa para imunização de quem não está inserido nos grupos prioritários é a explicação mais coesa da Sesau pelo paradeiro das 32 mil doses. Porém, a prefeitura ainda não sabe onde estão outras 3.166 doses da vacina.

Sindicância será instaurada pela Sesau para apurar e constatar o que ocorreu com essas vacinas. Cerca de 18 mil doses ainda sobram nos postos de saúde e no estoque da secretaria. Elas serão destinadas às crianças que precisam tomar a segunda dose e a população carcerária. No entanto, a reportagem recebeu a informação de que nos postos a alegação é que faltam doses.

Ontem a prefeitura encaminhou balanço informando que 162.619 pessoas de grupos prioritários foram imunizadas diante do envio de 195 mil doses pelo Ministério da Saúde. Foi contabilizada diferença de 3.166 doses.

Ivandro Fonseca, secretário municipal de Saúde, explicou que alguns frascos com dez doses tinham oito. Isso foi constatado, segundo ele, por agentes de saúde.

Em contato com a assessoria de imprensa do Instituto Butantan, a reportagem do Campo Grande News foi informada de que as doses são checadas e rechecadas diversas vezes antes de serem encaminhadas ao Ministério da Saúde. Não existe a possibilidade de terem sido disponibilizadas menos doses do que o normal, comunicou o Instituto Butantan, responsável pela produção das vacinas contra a gripe suína.

Ainda conforme a assessoria de imprensa do Instituto Butantan, às vezes, faltam vacinas em consequência de problemas no manuseio das seringas. Devido ao controle rígido por parte do órgão, não há casos de envio de menos doses.

O MPE (Ministério Público do Estado) instaurou inquérito civil para investigar a insuficiência na quantidade de vacina contra a gripe disponibilizada para a Sesau. A promotora Filomena Fluminhan afirma que levou em conta o crescente aumento no número de casos da doença.

* Matéria alterada às 17h59 para acréscimo de informações



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