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Campo Grande, Terça-feira, 22 de Janeiro de 2019

06/04/2017 07:00

Velhos problemas, novas queixas no caos que persiste na saúde pública

Falta de medicamentos, obstáculos para realização de exames, ausência de médicos e demora no atendimento ainda protagonizam dificuldades da população.

Anahi Gurgel
A pequena Kemilyn, de 5 anos, espera atendimento no colo do pai, na UPA Universitário. (Foto: Anahi Gurgel)A pequena Kemilyn, de 5 anos, espera atendimento no colo do pai, na UPA Universitário. (Foto: Anahi Gurgel)

O descontentamento da população com a qualidade dos serviços de saúde oferecidos em Campo Grande parece não ter fim. Conversando com pacientes em algumas unidades é fácil constatar problemas como falta de medicamentos e de materiais para exames, demora no atendimento, ausência de especialistas e dificuldade para agendamento de consultas. 

Desde unidades com estrutura mais restrita, como é o caso das UBSFs (Unidades Básicas de Saúde da Família), até as mais equipadas, com capacidade para atender casos de urgência e emergência, como as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), o que mais se encontra são reclamações sobre o sistema público de saúde.

Na tarde desta quarta-feira (5), a UPA Universitário estava lotada. O saguão repleto de crianças doentes à espera de atendimento, apesar de funcionários afirmarem que os pediatras escalados estavam cumprindo plantão.

Pela manhã foi bem mais difícil, como contou ao Campo Grande News a manicure Magna Souza Schimidt, 23, com a pequena Maria Helena, de 11 meses, no colo.

Magna Souza com a filha após consulta com pediatra nesta tarde. Espera de  6 horas. (Foto: Anahi Gurgel)Magna Souza com a filha após consulta com pediatra nesta tarde. Espera de 6 horas. (Foto: Anahi Gurgel)
Pacientes esperam por atendimento na UPA Universitário nesta quarta-feira (05). (Foto: Anahi Gurgel)Pacientes esperam por atendimento na UPA Universitário nesta quarta-feira (05). (Foto: Anahi Gurgel)

“Cheguei às 9h com minha filha ardendo em febre. Fiquei esperando atendimento até me disserem que haveria troca de plantão e que só depois eu seria atendida. A consulta aconteceu 6 horas depois. Minha filha tomou soro e vamos voltar para casa. Espero que não piore”, disse à equipe, já por volta das 15h30.

Na mesma unidade, outros pacientes relataram que fizeram uma longa jornada para conseguir atendimento médico.

“Vim do São Conrado, onde eu moro, porque lá não tem pediatra. Atravessei a cidade com minha filha passando mal. Ela até vomitou no ônibus, sujou a roupa toda e chorou muito. Poderia ter sido evitado se tivesse médico perto de casa”, afirma a costureira Tânia Maria Siqueira da Silva, 33 anos, mãe da Kemilyn Raiane, 5 anos, que estava deitada no colo do pai.

O prestador de serviço Antenor Leal Teixeira, 52, atravessou a cidade até encontrar um pediatra para atender o neto João Pedro. “Antes de vir aqui, levei meu neto de 1 ano na Vila Almeida, mas não tinha médico. Tive que percorrer muito chão, uns 30 km até aqui. Estou aguardando a vez”.

Antenor em frente à UPA Universitário à espera de atendimento para o neto. Percorri mais de 30 km para tentar consulta aqui. (Foto: Anahi Gurgel) Antenor em frente à UPA Universitário à espera de atendimento para o neto. "Percorri mais de 30 km para tentar consulta aqui". (Foto: Anahi Gurgel)

Mais dificuldades - Na UBSF do Jardim Noroeste, os obstáculos dizem respeito ao agendamento de consulta e falta de medicamentos.

As irmãs Epifânia Fernandes, 53, e Amélia Fernandes Nunes, 46 anos, enumeram as dificuldades que enfretam a cada 3 meses para manter a saúde em dia.

“Como somos hipertensas, temos que agendar consulta para pegar receita e depois o remédio. Mas não é tão simples. Para conseguir a consulta hoje, viemos ontem às 3h da madrugada para pegar ficha”, conta Epífânia, que é diarista.

Amélia em frente à UBSF Noroeste, com remédios que ela teve de adquirir na farmácia popular.Amélia em frente à UBSF Noroeste, com remédios que ela teve de adquirir na farmácia popular.
Irmãs Amélia e Epifânia em frente à unidade de saúde do Jardim Noroeste. (Foto: Anahi Gurgel)Irmãs Amélia e Epifânia em frente à unidade de saúde do Jardim Noroeste. (Foto: Anahi Gurgel)

Já a paciente Antônia Vilma, 64 anos, que chegou do Ceará há cerca de 3 anos, elogia o atendimento na unidade. “Pode ter dificuldade, sim, mas os funcionários deram toda a atenção à minha família quando mais precisamos, quando minha filha ficou grávida”, relata.

De fato, percebe-se que, no caso do Jardim Noroeste, que contempla um universo de 21 mil moradores, há uma atenção especial dos funcionários para com os pacientes. Mesmo com as falhas verificadas, a população é atendida e encaminhada para outras unidades em casos mais graves.

As UBSFs possuem estruturas menores porque estão mais voltadas à promoção e prevenção de saúde, com realização de eventos e ações na comunidade com orientações sobre doenças.

Resposta – A assessoria da Prefeitura, via e-mail, respondeu ao Campo Grande News que, atualmente, todas as 65 Unidades de Saúde da Rede de Atenção Básica, sendo 24 UBSs e 41 UBSFs, realizam agendamentos de consultas ambulatoriais para odontólogos e médicos (clínicos gerais, generalistas, ginecologistas e pediatras).

“Devido à peculiaridade de cada unidade e território, não há um padrão no agendamento, realizado através do Sistema HYGIA. A periodicidade de abertura de agendas é definida pelas equipes de servidores em conjunto com os Conselhos Locais de Saúde”, esclarece.

A Prefeitura explica ainda que o agendamento é feito somente na recepção das unidades com a presença do usuário portando documento de identificação, número do Cartão Nacional de Saúde ou número do prontuário eletrônico, conforme disponibilidade de vagas para os profissionais e de acordo com a abertura de agenda definida com o Conselho Local de Saúde.

As senhas são distribuídas conforme a quantidade de consultas previstas para o profissional em determinando dia. Os usuários chegam às unidades e aguardam a entrega das senhas para realizarem o agendamento.

Quanto à situação dos pediatras nas UPAs, a Prefeitura afirma que os atendimentos estão concentrados onde há uma maior demanda, que são as UPAS Coronel Antonino, Vila Almeida e Universitário. 

A informação sobre a escala pode ser consultada através do portal da Prefeitura e é divulgada diariamente. O Samu recebe uma escala pré-programada, mas pode haver mudanças ao longo do dia e que, eventualmente, não é comunicado a eles. 



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