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Campo Grande, Terça-feira, 20 de Agosto de 2019

24/07/2019 17:21

Vereador presta depoimento e reforça que dívida de laticínio provocou morte

Vítima foi assassinada pelo próprio sobrinho, Miguel Arcanjo Camilo Júnior, de 32 anos, no dia 16 de julho

Geisy Garnes e Mirian Machado
Vereador Wesley Ferreira na saída da delegacia nesta tarde (Foto: Reprodução vídeo)Vereador Wesley Ferreira na saída da delegacia nesta tarde (Foto: Reprodução vídeo)

Vereador de Cassilândia Wesley Ferreira (PSD) prestou depoimento na tarde desta quarta-feira (24) e confirmou a polícia que a cobrança de uma dívida para ele causou o desentendimento e morte de Osvaldo Foglia Junior, de 47 anos. A vítima foi assassinada pelo próprio sobrinho, Miguel Arcanjo Camilo Júnior, de 32 anos, no dia 16 de julho em uma conveniência no São Lourenço.

De acordo com o delegado Tiago Macedo, o vereador e empresário detalhou que era fornecedor de laticínios das duas lojas de Miguel, e que através dele conheceu Osvaldo. Ele então resolveu contratar a vítima para cobrar uma dívida de R$ 350 mil que ele tinha com um antigo comprador de seus produtos, há mais de um ano.

Em depoimento, o vereador explicou que o cliente era de Paranaíba, mas se mudou para o interior de São Paulo e deixou de efetuar os pagamentos. Osvaldo aceitou o serviço, viajou para o estado vizinho e começou a fazer a cobrança em nome de Wesley.

O vereador contou que pouco tempo depois descobriu que Osvaldo estava pressionando a família do antigo cliente e resolveu desistir do serviço. Ao delegado, afirmou que pagou as despesas da viagem e contratou uma assessoria de cobrança, na expectativa de receber os R$ 350 mil.

Segundo o vereador, parte do dinheiro foi entregue a assessoria, mas o valor não foi repassado a ele. A informação que chegou para Osvaldo, no entanto, foi outra e acreditando que Wesley havia recebido toda a dívida com sua ajuda, começou a cobrar o pagamento pelo serviço, cerca de R$ 150 mil.

Miguel, que foi o intermediário da negociação, se tornou alvo do tio, segundo o vereador. “Ele detalhou que vinha a Campo Grande a cada 15 dias para fazer entregas a Miguel e em uma dessas viagens foi pressionado pela vítima”, revelou o delegado. Na tentativa de acalmar o tio e ganhar tempo, Miguel repassou três cheques caução, no valor de R$ 50 mil, a Osvaldo.

Perto do vencimento, o dinheiro não caiu e as cobranças começaram novamente. O vereador ainda confirmou a versão de que Miguel foi perseguido por três vezes e ameaço pelo tio no dia do crime. Após prestar depoimento, o vereador deixou a delegacia sem falar com a imprensa.

Wesley Ferreira, popularmente conhecido como Wesley da Padaria, foi presidente da Câmera de Vereadores de Cassilândia por dois anos – 2017 e 2018 – e deixou o cargo em fevereiro deste ano. Como empresário, o vereador responde na justiça por revender produtos alimentícios à prefeitura do município sem licitação. O processo ainda revela que a compra ilegal ultrapassou o valor estipulado para o serviço, que seria de R$ 8 mil mensal.

Miguel foi preso e levado para 4ª Delegacia de Polícia Civil (Foto: Henrique Kawaminami)Miguel foi preso e levado para 4ª Delegacia de Polícia Civil (Foto: Henrique Kawaminami)

Investigação – Conforme o delegado Tiago Macedo, um laudo preliminar do Imol (Instituto Médico e Odontológico Legal) aponta que Miguel disparou nove vezes e todos os tiros atingiram a vítima do tórax para cima. “Houve traumatismo cranioencefálico, ou seja, tiros na cabeça”, explicou.

Para o delegado, a quantidade de tiros e o fato de Osvaldo estar desarmado no momento do crime afastam a tese de legítima defesa apresentada por Miguel em seu depoimento. Agora a polícia espera os laudos do local do crime e também a análise das câmeras de segurança da conveniência em que o assassinato aconteceu. “A perícia já nos forneceu a senha par acessar as imagens”.

Novos suspeitos – Além de Miguel, outras duas pessoas serão indiciadas no processo sobre a morte de Osvaldo. Ao Campo Grande News, o delegado explicou que os outros envolvidos ajudaram na fuga do assassino e por isso vão responder por favorecimento pessoal.

Segundo Macedo, os dois homens ajudaram a esconder o Camaro usado por Miguel na fuga e ainda forneceram a ele um segundo veículo para que ele conseguisse escapar da polícia. “Eles já foram ouvidos como testemunhas, vão ser ouvidos novamente e indiciados”.

Miguel está preso preventivamente desde a noite de segunda-feira (22), quando foi encontrado por policiais do GOI (Grupo de Operações e Investigação) no Bairro Chácara Cachoeira.

 

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