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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

25/11/2014 10:55

Violência contra mulher explode e número de mortes cresce 266%

Renan Nucci
Servidores e estudantes participam de manifesto contra a violência doméstica. (Foto: Renan Nucci)Servidores e estudantes participam de manifesto contra a violência doméstica. (Foto: Renan Nucci)
Delegada diz que em todos casos de morte registrados neste ano havia histórico de agressões. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)Delegada diz que em todos casos de morte registrados neste ano havia histórico de agressões. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

O homicídio da adolescente Fernanda Marques da Silva, 17 anos, morta pelo namorado no final da tarde de domingo (23),  no Jardim Campo Verde, foi o 11º primeiro do tipo somente neste ano, em Campo Grande. De 2012 para cá, o número de assassinatos de mulheres cresceu 266%, subindo de três para 11 casos, sendo que 2014 ainda nem acabou – em 2013 foram seis ocorrências.

Segundo a delegada Rosely Aparecida Molina, titular da 1ª Deam (Delegacia de Atendimento à Mulher), no último mês de janeiro foram cinco casos na Capital. A delegada alerta que em todos eles havia histórico de agressão não denunciado. Outro fator responsável por desencadear esta onda de violência é o machismo, ainda muito presente na sociedade.

“A cultura do machismo contribui, pois muitas pessoas ainda acreditam que a mulher é propriedade do homem, e por isso, deve ser submissa às suas vontades. Por outro lado, lembro que é importante denunciar o quanto antes, para que o caso não tenha um fim tráfico como os deste ano, quando só descobrimos as agressões depois que as vítimas estavam mortas”, explica.

Molina alega que a delegacia especializada está atenta a este cenário, promovendo trabalhos de rotina como investigações, campanhas de conscientização de direitos e incentivo à denúncia. De janeiro até ontem (24), foram lavrados 5.296 boletins de ocorrência de violência doméstica, com 427 pessoas presas. Em setembro, 19 homens foram parar na cadeia durante uma operação realizada pela Deam, acusados de descumprimento de medidas protetivas.

Titular da Semmu, Liz Derzi de Matos, afirma que a mulher precisa estar bem informada e conhecer seus direitos. (Foto: Renan Nucci)Titular da Semmu, Liz Derzi de Matos, afirma que a mulher precisa estar bem informada e conhecer seus direitos. (Foto: Renan Nucci)

Conscientização – Nesta terça-feira (25), servidores municipais de diversas secretarias, órgãos públicos e estudantes participaram da “Blitz Pela Paz”, em alusão ao Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher, promovida pela Semmu (Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres).

Munidos de panfletos informativos, faixas, cartazes e balões, os manifestantes se reuniram no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua Pedro Celestino, no Centro, com o intuito de orientar condutores e pedestres a respeito da gravidade das agressões contra as mulheres, bem como os direitos (Lei Maria da Penha) que as vítimas de violência têm.

“O objetivo é informar e alertar a comunidade para este grave problema. Sabemos que muitas mulheres, por medo ou por falta de conhecimento, deixam de denunciar as agressões. Queremos que isso acabe”, disse Liz Derzi de Matos, titular da Semmu, lembrando do programa “Todo Dia é Dia da Mulher”, que tem por finalidade "resgatar" vítimas em situação vulnerável. “Percorremos bairros levando conhecimento e capacitação para às mulheres, tornando-as independentes financeiramente e emocionalmente”, explicou.

Dados alarmantes - 77% das mulheres em situação de violência sofrem agressões semanal ou diariamente, conforme revelaram os dados dos atendimentos realizados de janeiro a junho de 2014 pela Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.

De 84 países pesquisados, o Brasil aparece em 7º lugar nas taxas de morte de mulheres vítimas de violência doméstica (Data Senado 2013). Cerca de 700 brasileiras continuam sendo alvo das mais diversas formas de agressão (Data Senado 2013).



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