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Campo Grande, Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018

02/04/2018 12:58

Visita destaca pontos que deixam funcionários da Santa Casa vulneráveis

Uso prolongado de respirador manual e casos de urgência em pacientes psiquiátricos estão entre os itens.

Ricardo Campos Jr.
Juiz e procuradores do trabalho visitam Santa Casa nesta segunda (Foto: Saul Scharam)Juiz e procuradores do trabalho visitam Santa Casa nesta segunda (Foto: Saul Scharam)

Uso prolongado de respiradores manuais, casos de urgência em pacientes psiquiátricos e a manipulação de instrumentos perfuro-cortantes deixam funcionários da Santa Casa sujeitos a acidentes de trabalho. A constatação foi feita por representantes da Justiça do Trabalho, MPT (Ministério Público do Trabalho) e outros órgãos desse seguimento após visita ao local.

O objetivo do grupo não foi multar ou aplicar qualquer tipo de penalidade, mas orientar a direção do maior hospital de Mato Grosso do Sul sobre pontos que ainda precisam melhorar. A ação faz parte do “abril verde”, dedicado a prevenir situações que possam causar algum dano físico ou psicológico aos trabalhadores.

A Santa Casa foi escolhida para ser a primeira porque é a terceira maior responsável pelas notificações de acidentes de trabalho no estado. Somente em 2017 foram registrados 194 casos.

O juiz do trabalho Márcio Alexandre da Silva explica que isso não significa que a entidade seja a que mais coloca seus colaboradores em risco, mas uma das que mais cumprem a lei informando ao poder público todas as vezes que algum de seus funcionários se machuca.

 

Santa Casa é a terceira maior responsável pela quantidade de acidentes de trabalho em Campo Grande (Foto: Saul Scharam)Santa Casa é a terceira maior responsável pela quantidade de acidentes de trabalho em Campo Grande (Foto: Saul Scharam)

Alerta – O primeiro local visitado pelo grupo foi o pronto-socorro. No setor onde ficam os casos mais graves, funcionários relataram aos visitantes que ainda é frequente a necessidade de manter pacientes em respiradores mecânicos por longos períodos.

Isso acontece pela falta crônica de vagas na cidade, segundo o procurador do trabalho, Paulo Douglas Moraes, mas não isenta a instituição de buscar maneiras para evitar essas situações. Segundo ele, enfermeiros e técnicos contaram que usam esse equipamento em média três vezes na semana e em alguns casos o paciente chega a ficar 24 horas sendo mantido vivo graças a ele.

“O uso do ambu (respirador mecânico) é frequente e está fora de qualquer critério de razoabilidade. Ele deveria ser usado apenas para transporte do paciente, jamais em substituição a um respirador mecânico”, afirmou.

Ala verde – Funcionários afirmam que vários membros da equipe foram agredidos nos últimos meses por pacientes psiquiátricos durante surtos.

O setor que lidava especificamente com esse público foi fechado. Hoje, essas pessoas são encaminhadas ao local somente em casos de urgência, seja porque estão passando mal, seja porque se feriram ao tentar suicídio, por exemplo.

Responsável pela equipe de enfermagem disse aos juízes e procuradores que mesmo quando a psiquiatria estava operando, as emergências desse setor eram atendidos no pronto-socorro. O encaminhamento aos leitos especializados era feito somente após a estabilização.

O juiz do trabalho aconselhou a direção, nesse caso, a treinar as equipes de urgência e emergência a lidarem com esse tipo de situação.

Ala vermelha da Santa Casa: funcionários apontam que uso do respirador manual ainda é grande (Foto: Saul Scharam)Ala vermelha da Santa Casa: funcionários apontam que uso do respirador manual ainda é grande (Foto: Saul Scharam)

Materiais – De todos os acidentes de trabalho registrados na Santa Casa em 2017, conforme o juiz do trabalho, 123 envolveram problemas com materiais perfuro-cortantes, como agulhas e lâminas. Além disso, a maioria deles aconteceram no fim do expediente, possivelmente em razão do cansaço.

O grupo constatou que todos os equipamentos de proteção individual são fornecidos pela direção. A Santa Casa afirma que realiza treinamentos periódicos com enfermeiros e técnicos para reforçar a importância do manuseio correto desse tipo de material e sobre o uso dos protetores.

Foi recomendada à direção além de aumentar a frequência dessas atividades de reciclagem, uma fiscalização mais intensiva entre os colaboradores para evitar esse tipo de situação.

A quantidade de acidentes de trabalho aumentou 4,74% em Mato Grosso do Sul nos últimos dois anos. Segundo dados da Justiça do Trabalho, somente em 2017 foram registrados 7.830 casos, o que resulta em aproximadamente 21 por dia. Desse total, 38 resultaram em morte, 72% a mais que no período anterior.



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