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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

27/01/2013 11:13

Combate falho faz com que leishmaniose mate mais que dengue

Especialista diz que Poder Público não tem política eficaz para controlar o mosquito transmissor da doença, que nos últimos 11 anos matou mais gente do que a dengue em Mato Grosso do Sul

Carlos Martins
 Tem que pensar na leishmanionse como pensa na dengue: controlar o vetor, diz André Fonseca (Foto: Rodrigo Pazinato) "Tem que pensar na leishmanionse como pensa na dengue: controlar o vetor", diz André Fonseca (Foto: Rodrigo Pazinato)

O Brasil é um dos poucos países no mundo que adota a prática da eutanásia, ou o sacrifício de cães, para controlar a doença leishmaniose visceral (órgãos internos são atacados) transmitida pelo Lutzomyia longipalpis, espécie de mosquito-palha. Porém, tal prática vem sendo questionada pela comunidade científica, que, baseada em dados, vem apontando a ineficácia da ação. Um destes especialistas, e defensor do tratamento em cães diagnosticados com a doença, é o advogado e médico veterinário André Luís Soares da Fonseca, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Fonseca, assim como outros que defendem o tratamento, não é contra o sacrifício dos animais nas situações onde não há mais alternativa, e sim contra a eutanásia obrigatória, imposta compulsoriamente. Por isso, em 2006 ele entrou com uma ação contra a eutanásia dos cães. Em entrevista ao Campo Grande News, André Fonseca diz que de 1998 para cá foram sacrificados em Campo Grande mais de 500 mil cães e não existe evidência alguma de que estas mortes tenham contribuído para a diminuição do número de casos. Levantamentos mostram que a doença, que antes se limitava a zona rural, começou a invadir grandes regiões, incluindo Campo Grande, ao lado de Belo Horizonte (MG), Bauru (SP) e Araçatuba (SP).

Dados do SINAN (Sistema Nacional de Notificações de Agravos), do Ministério da Saúde, mostram que de 2000 a 2011 a leishmaniose provocou 2.609 mortes em todo País, enquanto a dengue causou a morte de 2.847 pessoas. Mas em nove Estados, a doença leishmaniose matou mais do que a dengue, incluindo Mato Grosso do Sul (juntamente com o PA, TO, MA, PI, CE, PB, BA e MG). Em Mato Grosso do Sul, no período apurado, a dengue provocou a morte de 65 pessoas, enquanto que a leishmaniose causou 194 mortes.

Além de defender o tratamento nos casos em que ainda é possível, Fonseca se mobiliza juntamente com uma vasta rede espalhada pelo País para que o Ministério da Saúde comece a combater de forma eficaz, com políticas públicas, o vetor da doença, o mosquito-palha. Mineiro de Uberlândia, Fonseca formou-se em Veterinária na Universidade Federal de Minas Gerais, tem mestrado pela USP e está concluindo também pela USP o doutorado. Desde 1991 ele é professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), onde leciona Imunologia e Direito Ambiental.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Campo Grande News - Como o senhor iniciou sua luta em defesa do tratamento dos cães com o diagnóstico da doença e contra a eutanásia obrigatória?

André Luís Soares da Fonseca - Em 2006 eu propus a primeira ação pública na Vara da Fazenda Pública pedindo a suspensão da eutanásia. A primeira instância não deu provimento, mas no Tribunal de Justiça ganhamos por unanimidade para suspender a eutanásia de cães e fazer os devidos exames. O Ministério da Saúde recorreu e o processo foi para a Justiça Federal. Como eu sou funcionário federal [professor da UFMS], não posso militar contra a União e o processo está agora com outros advogados. A sentença desse processo está para sair desde 2009.

Campo Grande News – No último dia 16, o Tribunal Regional Federal, da 3ª Região, derrubou portaria que proibia tratamento dos animais. Mas o Conselho Federal de Medicina Veterinária mantém a proibição.

André Fonseca – Para o Conselho, a portaria [nº 1.426, de 2008] dos ministérios da Saúde e da Agricultura [proíbe o uso de medicamento humano contra a doença] é um documento que deve ser seguido. Só que portaria não é documento, é ato público, individual e administrativo. É um ato interno e não tem efeito legal. A portaria diz que não pode fazer o tratamento usando droga de uso humano. Mas não existe droga de uso humano e uso animal. A droga é a mesma: se empacota com o nome “uso humano” e se empacota com o nome "uso animal”. Não age sobre o organismo da pessoa, age sobre o parasita. A justiça entendeu que uma portaria não pode proibir. Tem que ser por meio de lei. Chamamos isso de inconstitucionalidade reflexa, ou seja, uma norma inferior não pode ir contra uma norma superior. Portaria é uma designação de autoridade para seus comandados. No próximo ano vou lutar por uma vaga no Conselho Federal. Vamos montar um grupo. A justificativa deles é que não existem resultados científicos, que o tratamento não cura. Eles querem um tratamento com cem por cento de cura. Isso não existe. Não existe nenhuma droga com cem por cento de cura.

Campo Grande News - Foi aberto algum processo contra o senhor por parte do Conselho?

André Fonseca - Se tiver denúncia o Conselho abre processo administrativo. Provavelmente vou ser denunciado. Estou nessa briga, mas não tem problema, minha vida é essa. Há dez dias propus uma ação para não ser punido pelo Conselho e estou esperando a decisão do juiz. Estou tratando e não quero ser punido. É uma briga de ideal, não estou preocupado com minha situação de veterinário, estou preocupado é com a saúde humana. Isso que está sendo feito não está funcionando e o pessoal está passando uma imagem de que funciona.

Primeiros casos da doença datam de 1936 (Foto: Rodrigo Pazinato)"Primeiros casos da doença datam de 1936" (Foto: Rodrigo Pazinato)

Campo Grande News - O senhor defende o combate ao vetor, que é o mosquito transmissor da leishmaniose.

André Fonseca – Eles entendem que tratar cachorro não é problema de saúde pública. Só que a leishmaniose é uma doença vetorial. Igual a dengue. Se uma pessoa está com a dengue, a interpretação é a seguinte: tenho mosquito da dengue em casa. Se não controlar o mosquito da dengue [o Aedes Aegypti], vou ter a doença na minha casa. A leishmaniose é a mesma coisa. É uma doença infecciosa, transmitida pelo mosquito [Lutzomyia longipalpis]. Meu cachorro está lá na minha casa, ele está me dizendo: peguei a doença porque no seu quintal tem mosquito contaminado. Eu estou doente e se você não fizer alguma coisa também vai ficar. Então o que você faz? Vai lá e mata o cachorro. A saúde pública não vai ao quintal, não faz a desinsetização. Eles falam que fazem isso, mas não fazem. A recomendação do Ministério da Saúde é só usar o inseticida se houve casos humanos. Se você tiver mil cachorros com a doença na sua rua, não pode usar inseticida.

Campo Grande News - Por que isso acontece?

André Fonseca - Existe um conceito pré-estabelecido que os cachorros são portadores porque os exames são fáceis de fazer. Eles vão duas vezes por ano e tiram o sangue do seu cachorro. Não tiram sangue de você, dos seus filhos. O exame mostra se o animal realmente está contaminado. É um teste de pele, tira um pedacinho da pele do animal ou do ser humano e faz o exame e vê se tem lá um parasita presente. No cachorro você dá uma anestesia e tira um pedacinho de pele. Se fizesse isso no ser humano mostraria que ele tem [o parasita].

Campo Grande News - Como foi que a doença chegou ao Estado?

André Fonseca - É outro conceito errado. Dizem que chegou ao Estado por causa do gasoduto. É mentira. Trabalho científico mostra que no Estado existe leishmaniose descrita desde 1936, com casos de seres humanos doentes. É uma doença negligenciável. Veio pela estrada de ferro de Corumbá. Trouxeram trabalhadores do Nordeste e os homens vêm contaminados pelo parasita. Chegam aqui, encontram o mosquito e começam a disseminar a doença

Campo Grande News - Como ocorre a disseminação da doença?

André Fonseca – Quem tem a doença em curso, dependendo dos sintomas, vai apresentar quantidade X de parasitas na pele. O animal ou ser humano podem não apresentar sintomas, mas cinco por cento daqueles que têm a doença não apresentam sintomas, são assintomáticos, não apresentando sintomas, e tem o parasita na pele. Parte da população não desenvolve a doença, parte desenvolve sintomas discretos, e outra parte é extremamente sensível. Isso é em qualquer tipo de doença, até câncer. Outro fator grave, é que a leishmaniose é doença de transmissão vertical. A cadela contaminada pode parir animais doentes. É o que acontece na AIDS. De cada três partos de mulher com HIV positivo, só um nasce com HIV. Mas o HIV pode ser passado.

Campo Grande News - Quanto tempo leva para a contaminação?

André Fonseca – Da picada do mosquito a alguém contaminado a transmissão leva quatro dias. Nesse período os parasitas se multiplicam. A autonomia de vôo do mosquito é de 200 metros a 2 quilômetros. Ele é muito pequeno e é levado pelo vento. Tem que pensar em leishmaniose como se pensa na dengue, no controle do vetor. O problema é que faltam estudos de base para identificar qual o período que aparece o mosquito, qual o comportamento, quais são os momentos que tenho que fazer o controle. Em Campo Grande tem duas leishmanioses: a visceral e a tegumentar, que causa uma úlcera na pele, só na ferida vai ter o parasita. Diferentemente da visceral que pode ser em qualquer parte. Irá depender dos sintomas: quantos mais sintomas mais parasitas. A sorologia confunde porque não existe exame que diferencia.

Campo Grande News - O que a saúde pública poderia fazer?

André Fonseca - Falta política inteligente de saúde pública. Quando falamos de controle de vetor [o mosquito], o pessoal da saúde pública acha que o controle é sair passando veneno dez vezes por dia. Não é isso. Não vai funcionar. A primeira coisa a fazer é um levantamento entomológico. Entender qual é o comportamento, qual o período do ano em que tem mais mosquito da leishmaniose. O mosquito tem uma temperatura ideal, umidade e clima ideais. Eles crescem bem em 26 graus, que é a temperatura média de Campo Grande. Campo Grande é o habitat natural porque tem a temperatura ideal do mosquitinho.

Campo Grande News - Basicamente o senhor defende tratamento no animal e a melhor detecção da doença.

André Fonseca - Que o ministério adote medida técnicas, científicas e eficazes. Faz dez anos que eles matam cachorros em Campo Grande sem resultados. O que a gente pede em juízo é isso: você está falando que funciona, então mostra. Matou duzentos cachorros e a doença diminuiu. Se você falar isso não vou ter argumento, agora se você mata 20 mil e o número de casos aumenta, eu vou discutir.

Campo Grande News – O senhor já conversou com alguém na Secretaria de Saúde?

André Fonseca - Quero conversar com o novo secretário. Vamos pegar um bairro e fazer a sorologia nas crianças. Vou dizer: você vai parar de matar cachorro e vamos fazer tratamento precoce e levantamento entomológico. Estudar o comportamento do mosquito, saber qual o período do ano que aparecem mais em Campo Grande. A gente não sabe isso. Se soubesse qual o período principal, onde estão os ambientes, poderia fazer uso eficaz do repelente. Em Santa Catarina tem um trabalho muito interessante. Lá tem outra leishmaniose, que não é a visceral, é a tegumentar. Fizeram o levantamento e descobriram que tinha uma grande quantidade de mosquito na primeira quinzena de fevereiro, nos outros meses não, desapareciam. Então o que fizeram? Borrifaram apenas nesse período.

Queero conversar com o novo secretário de Saúde sobre a doença (Foto: Rodrigo Pazinato)"Queero conversar com o novo secretário de Saúde sobre a doença" (Foto: Rodrigo Pazinato)

Campo Grande News - O senhor dispõe de dados de Campo Grande fornecidos pela saúde pública?

André Fonseca – Esse é o problema. A saúde pública não libera estes números porque os dados são contra ela. Ela esconde os dados verdadeiros. Existe um calculo feito por um profissional da área que em Campo Grande, desde 1998, já foram eutanasiados mais de 500 mil cães.

Campo Grande News - Com a justificativa da leishmaniose.

André Fonseca – Exatamente. Com essa desculpa eles matam 500 mil. Não estamos contra a Secretaria de Saúde. Acontece que saúde é obrigação de Estados, Municípios e União. Não existe hierarquia em saúde pública. A União não manda no Estado e os municípios podem fazer o que quiser. Mas chega a União e diz: Município, vocês estão com um problema de leishmaniose e eu tenho um programa legal. É o seguinte: vou te dar 10 ambulâncias, hospital, laboratório, mas vocês têm que matar cachorros. Tudo bem? Tudo bem...Campo Grande não é obrigado a fazer isso, mas ela optou porque ninguém quer gastar dinheiro com isso. Nossa briga é contra o ministério porque isso não funciona. O que está acontecendo é crime ambiental. Nosso foco não é proteger o cachorrinho, pra deixar a pessoa doente. Estou querendo fazer a coisa certa. A ciência mostra que não funciona matar o cachorro e só o Brasil faz isso. Se todo mundo está fazendo o contrário, alguma coisa está acontecendo. Ou nós temos a verdade e o mundo não tem; os ingleses, franceses, portugueses não sabem de nada. Nós sabemos a verdade, ou então a gentes está errado.

Campo Grande News - Sem o acesso a estes dados, qual é o caminho?

André Fonseca - Por meio de ações. Se o senhor está falando que eu estou fazendo errado, mostra os seus dados. O senhor tem informações que eu não tenho. Na ação de 2006 pedi para que se junte aos autos as provas. Matar cachorro funciona? Quantos mil você já matou e qual foi a redução nos casos? Tenho outras ações pedindo para fazer importação de medicamentos para tratamento. Faço um trabalho voluntário, atendo os animais nas casas das pessoas.

Campo Grande News - Na ação que o senhor propôs qual foi à argumentação do Poder Público?

André Fonseca – Eles falaram que faziam o controle com inseticida. Então eu disse: junte ao processo as notas fiscais que mostram que você está recebendo inseticida. Os trabalhos científicos mostram que para cada caso humano que aparece na cidade, você tem 480 casos caninos. A pergunta é: Por que o cachorro fica tão doente? É porque ele é de comportamento externo. Você entra na tua casa, fecha a porta e ligar o ar ou o ventilador, e o mosquito não gosta de vento. O cachorro fica lá fora, está sendo picado o dia inteiro. Nem todos os cachorros ficam doentes. Em alguns a doença fica incubada e pode levar de dois a oito anos para manifestar a doença. Lá no futuro, a fêmea incubada vai parir cachorros contaminados.

Campo Grande News - O principal problema é a falta de detecção da doença?

André Fonseca - É a falta de diagnóstico médico. A história da leishmaniose é a seguinte: uma simples febre numa criança por falta de um diagnóstico correto pode ser tratada inicialmente com um paracetomol. Periodicamente a febre reaparece e daí se prescreve outro medicamento. Dois anos depois de iniciados os episódios de febre, a criança é internada em estado grave. E o pessoal descobre que é leishmaniose. Levou dois anos para descobrir. Tem um teste no posto de saúde que pode ser feito. Fura o dedo e o resultado sai em vinte minutos. O custo para o Poder Público é de dez reais. O sintoma clássico é uma febre que não cede. Não é uma febrona. É uma febre longa, que dura quatro ou cinco meses. Qual é o sintoma na criança? Uma febre, a criança fica chata, não dorme, o sono não é reparador. Dorme e acorda, chora, não consegue descansar. Vai causar alterações, o aumento do fígado, do baço, esse é o sintoma.

Campo Grande News - Se não tratar, em quanto tempo pode matar?

André Fonseca - Varia muito. Os trabalhos científicos mostram que quem mais morre é o homem mais velho, acima de 50 anos. É que o homem só vai ao médico se tiver muito ruim. A doença ataca o baço, fígado, os rins, e morre no final de sangramento. Pode morrer entre seis meses e dois anos. Se a doença for identificada a tempo, tem cem por cento de cura.

Principal problema é a falta de diagnóstico médico (Foto: Rodrigo Pazinato)"Principal problema é a falta de diagnóstico médico" (Foto: Rodrigo Pazinato)

Campo Grande News – Estudos mostram que o cachorro pode ser o principal, mas não é o único reservatório da doença.

André Fonseca - Em Campo Grande a população é estimada em 135 mil cães. Destes, aproximadamente 28 mil cães têm leishmaniose. Mas a leishmaniose não é doença do cachorro. É doença de mamífero que tem a doença. O ser humano, gato, cavalo, capivara, os quatis do Parque dos Poderes. Tem um trabalho interessante na Itália. Eles pegaram 400 ratos de rua e 30 por cento deles tinham a leishmaniose. Em Madri [Espanha] houve um surto da doença e descobriram que o agente tinha sido a lebre. Lá tem muitos parques, e as lebres estavam todas contaminadas. Então, o Ministério da Saúde passa a informação errada. O tratamento para leishmaniose existe em todos os países, menos no Brasil, que opta por fazer uma coisa diferente, que é matar os cães. Não vai funcionar.

Campo Grande News - O que fazer quando se descobre que o animal foi infectado?

André Fonseca – Você tem duas opções. Ou faz o tratamento ou faz a eutanásia. Não somos contra a eutanásia. Somos contra a obrigação de fazer a eutanásia. Em 2008 ligaram de uma rádio e disseram: doutor, um senhor de 83 anos, viúvo, tinha três cachorrinhos. O CCZ [Centro de Controle de Zoonoses] foi lá e matou os cachorrinhos que estavam com leishmaniose. Passou quatro dias e esse senhor apareceu morto. Tente explicar isso, o caso virou uma tragédia. Isso não conta nas estatísticas. Tem outra coisa. A Lei Federal 569 de 1948, no artigo primeiro, diz que, se por motivo de saúde pública for determinada a eutanásia, o dono do animal deve ser indenizado. É o que eu também peço na ação. Quer matar, mata, mas vamos agora estabelecer o valor da indenização. Minha cachorrinha dorme na minha cama, qual o valor da indenização? Quero 300 reais. Esse valor multiplicado por 20 mil dá seis milhões de reais por ano de indenização. Eles não fazem isso, mas está na lei.

Campo Grande News - Como é feito o tratamento?

André Fonseca - O tratamento é simples. Dois comprimidos por dia, não dura menos de dois anos. Só depois de dois anos o animal começa a negativar, você faz a prova e o animal não apresenta mais sorologia positiva. O custo do tratamento vai depender do tamanho do animal. Com um da raça Pinscher, animal de dois quilos, você gasta 20 reais por mês. Já um Pit Bull, o gasto é de 60 reais por mês. Também existem vacinas em dose dupla, que tem efeito terapêutico. Tem que se ressaltar que a leishmaniose não é contagiosa. Não pega por contato. Criou-se um preconceito.

Campo Grande News – Até quando é possível fazer o tratamento no animal?

André Fonseca - A leishmaniose mata o animal por lesão hepática. Tem que fazer o exame bioquímico para avaliar qual a resposta que o animal está dando. Respondendo bem, vai tratar o animal. Agora, tem animal que não responde. Nesse caso recomenda-se a eutanásia. Já está com lesão instalada que é irreversível. Nossa discussão é ética. Se tem tratamento, pode tratar. Se não tem tratamento, acabou a história. Nosso entendimento é jurídico. Também tem a Lei 9.605, de Crimes Ambientais. O artigo 32, que trata de Crimes e Maus Tratos, diz que se você vê um cachorro sofrendo e não faz nada, isto é crime ambiental. Se o cachorro está doente, minguando, e não faz nada, é crime. Nossa questão é ética. Somos contra a eutanásia obrigatória. Não pode matar o animal sadio.

Campo Grande News - Essa discussão mobiliza várias partes do País.

André Fonseca – Estamos em contato com vários profissionais. Tenho facilidade por ser advogado e veterinário. A gente orienta, coordena. Tem gente que liga de várias partes do Brasil pedindo orientação. Eu mando a ação para ele propor para o advogado dele. Mandamos carta para a Organização Mundial da Saúde fazendo denúncias do que está acontecendo no Brasil. Estamos nos mobilizando. Não adiante propor uma ação, tem que fazer uma mobilização nacional. Isso acontece em Araçatuba, Brasília, Belo Horizonte. Em Brasília é pior ainda porque a doença é no Lago Sul, onde moram senadores, deputados, ministros, e eles não deixam entrar. Esta mobilização está acontecendo no Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Distrito Federal, Goiás, no Nordeste, principalmente em Sergipe. Estamos montando uma rede muito grande. Estamos fazendo nova ação contra o ministério da Saúde por crime ambiental, com multa de 50 milhões de reais por usarem esta sorologia. Trinta advogados vão assinar esta ação, no mínimo, pra poder fazer uma pressão violenta contra o ministério.



na minha opiniao deve ser feito um abaixo assinado onde todos os proprietarios de cachorros asssinem e entrem na justiça obrigando a saude vacinar os cachorros e nao sacrifica-los e entrar na justiça para a prevençao da doença tem que ser um abaixo assinado por todos os proprietario do brasil porque quando a populaçao resolveu manifestar em sao paulo deu certo por ter muita gente na causa tem que abrir um processo com o maior numero de assinaturas possivel
 
Cleonice De Oliveira Cardoso em 21/08/2013 18:45:34
Herói !
Espero ansiosamente o dia em que os cães possam ser tratados livremente sem que os veterinários sejam perseguidos !
 
Solange Peretti em 05/02/2013 21:02:29
Parabéns ao Dr André pelas informações, e ao reporter e o site pela matéria produzida, muito exclarecedora.
 
José Tobaldo Fonseca em 29/01/2013 13:48:46
Belíssimo comentário prof. André.
Seria bom se fizessem um movimento nacional semelhante ao que foi feito pela Ficha Limpa para mudar essa postura do Ministério da Saúde e do Conselho Federal de Medicina Veterinária, assim como instruir todas as pessoas que tiveram os seus cães sacrificados a cobra indenizações do governo.
 
Leonardo Bronel Duarte em 29/01/2013 09:02:18
Parabéns dr André sou tua fã que orgulho o sr.é para nós.Que pena que poder público nossos políticos não estão interessados numa coisa tão importante a saúde de todos nossa e de nossos animais queridos .Se não se interessam, podiam dar poder para quem está interessado realmente no caso.
 
gislainy holsback em 28/01/2013 21:57:20
Caramba, preocupante os dados da leishmaniose no Brasil!

Infelizmente, muita gente desconhece a doença no país.

Sou a favor do tratamento dos cães também. Em vez de sacrificá-los, por que não oferecer o tratamento adequado?! Uma maneira de se proteger do inseto do mosquito palha, transmissor da doença, é usar repelente na pele. A Organização Mundial da Saúde recomenda o uso de Icaridina: um promissor princípio ativo. Na pele, a proteção dura 10 horas usando esse tipo de produto.
 
Sérgio Roberto em 28/01/2013 11:28:02
Quanto mais te conheço mais admiro! Parabens!
 
Sil Rocha em 28/01/2013 10:33:56
Bairro S.Fco, próximo a Ultramedical comecei a ouvir pela os primeira vez, os casos de Leshimaniose, onde foram eutanasiado muitos cães de colegas e vizinhos. Coincidentememte, epóca que o poder público começou a deixar de lado a borrifação e o resultado que temos é desastroso como todos sabem, Dengue e Leshimania tomou conta da capital, parece que do estado também.
 
Neyde de Oliveira em 28/01/2013 09:48:25
Já esperava, por essa matéria esclarecedora há tempo. Obrigada! pessoal do Campograndenews.
O Dr. André é uma assumidade no assunto Leshimaniose, não apenas no MS, mas no Brasil.
Pela primeira vez, vejo comentários pertinentes, contrário das ABOBRINHAS, conversas sem fundamentos que muitos postavam sem nenhum tipo de conhecimento de causa.
Gostaria de saber, quando é realizada a borrifação que Aldecir comentou? e onde?
Tenho percebido ao longo de uns anos, o carro do fumacê não era visto pelas ruas, salvo quando a mídia começava a falar sobre o aumento da Dengue, ou sejá quando "vaca já tinha ido p/ o brejo".
Por volta de 1994, qdo voltava das aulas com a galera, sempre passava o fumacê, depois foi sumindo e desapareceu, consequentemente aumento os casos de Dengue e em 1998 no
 
Neyde de Oliveira em 28/01/2013 09:41:17
Concordo com o Dr. André e se ele precisar que nos mobilizemos,estamos juntos com o senhor.Quem deveria pesquisar,combater o vetor,ir mais a fundo em relação ao tema, são pessoas inertes,ineficientes,preguiçosos,é mais fácil matar,proibir do que adotar medidas realmente eficazes.No Brasil é tudo por debaixo dos panos,tem muito funcionário público que só não se preocupa,pois o pagamento é garantido no começo do mês,é só ir no posto de saúde pra ver a morosidade de atendentes e médicos.Temos que nos levantar e lutar,lutar pelo bem de todos.Parabéns Dr. André!O senhor é realmente um lutador,pessoas como o senhor fazem falta,o Brasil teria até mais prêmio nobel se tivéssemos pessoas como você.ACORDA BRASIL!ACORDA CAMPO GRANDE!
 
Cristiane Dutra em 28/01/2013 09:28:25
Parabéns pela entrevista ao professor André.
Sempre me pergunto se existe um "senso" dos animais silvestres que circulam pela nossa capital. Se não me engano as capivaras e outros roedores, tão numerosos em nossos parques, são reservatórios naturais do parasita; Pergunto: Há algum tipo de controle do número de animais silvestres infectados ou programa de acompanhamento? Moro próximo ao parque das nações e me preocupo com o número crescente de animais no local; Não seria necessário o remanejamento desses animais para áreas menos povoadas?
 
Jeferson Baggio em 28/01/2013 02:51:28
Excelente matéria, se tivesse essas informações antes não estaria vendo o meu filho de oito anos chorar quase todos os dias por causa do seu cachorro que foi sacrificado há alguns dias. Agentes da CCZ chegaram na casa da minha mãe com o resultado de um exame que foi realizado em outubro de 2012. Foram educados, mas deixaram claro que ficaríamos responsáveis por qualquer pessoa contaminada no raio de 1000 km, em qualquer época da história, se não concordássemos com o sacrifício do animal. Com um certo exagero é claro, mas você fica com a consciência pesada por não fazer o que se presumia ser o politicamente correto. Uma pena a ignorância da minha parte!
 
joel guimaraes em 28/01/2013 01:15:13
Caro André, as leishmanioses tegumentar e visceral (não existe tegumentada), não é tão simples com o senhor pinta, é sim muito complexa, pois trata-se de cinco enfretamentos,sendo eles - Assistência ao paciente, Vigilãncia Ep, Controle do Reservatório, Combate ao Vetore e Mobilização e Educação, o estado do Mato Grosso do Sul, já tem todo o levantamento entomológico e pratica borrifação nos periodos indicados, como também pratica as demais ações, com algumas falhas em RH e muitos municipios pecam em falta de logisticas e metas pactuadas, agora todos os dia aparece pesquizadores com novas idéias revolucionária e salvadores da pátria, essa é mais uma doença que precisa ser encarado de frente e com todo as sua nescesssidades e complexidades atendidas, trabalho correto e responsabilidade.
 
Aldecir Dutra de Araujo em 27/01/2013 23:59:43
Eu tinha visto um artigo do Dr. André Fonseca, no Jornal Correio do Estado, gostei muito de sua postura diante do tema, acho até que temos outros profissionais que compactua com esta idéia, mas como o CFMV amordaça e ameaça os profissionais da área, como fizeram com a ex-presidente da CRMV-MS. Está faltando vontade politica para tomarmos o caminho correto no tratamento desta doença.
 
Henrique Nomura em 27/01/2013 23:37:51
Parabéns Dr. André, pelos esclarecimentos, afinal já esta na hora de enxergarmos o que esta diante de nossos olhos!!!!
 
Patricia Cáceres de Freitas em 27/01/2013 21:08:38
dr. andré, extremamente acessível. tem me orientado relativamente minha cadela em exames complementares, e em relação ao tratamento, assunto de importancia consideravel para a saude publica. ouçamos o mestre.
 
elias antonio pereira em 27/01/2013 20:50:59
Dr. André é demais... Um cara que realmente pensa longe! O Brasil tem que parar de justificar a ineficiência do Estado com essa hipocrisia! Já é fato notório que matar cães não funcionou, não funciona e nunca funcionará! Vamos seguir o exemplo dos países desenvolvidos e dar um basta na leishmaniose! Ir pela solução que parece mais fácil nem sempre é a melhor escolha... A solução é uma só: eliminar o mosquito vetor! Vamos cuidar mais dos nossos terrenos, fazer a limpeza adequada do ambiente... Não adianta matar cães!
 
Ana Teresa em 27/01/2013 20:17:45
Concordo plenamente com o comentario do Srº Silvio José. Há muita coisa suspeita aí.
 
JOSE PEREIRA FILHO em 27/01/2013 18:30:12
Eu posso testemunhar a favor deste tratamento, pois realizo com minha cachorra e afirmo que funciona realmente. Ela estava muito doente e tinha várias lesões no corpo. Após iniciar o tratamento, as lesões sumiram e hoje ela tem uma vida normal, tomando apenas um comprimido no café da manhã e outro no jantar.
Obrigado Dr. André por disponibilizar o tratamento e também por informa a população sobre a leishmaniose.
 
Marcos Menqui Vilhalba em 27/01/2013 17:14:12
Ótima entrevista, conteúdo verídico e esclarecedor. Concordo com o Valter Pereira, é uma pena que homens competentes, como o Dr. André Luis Fonseca, não ocupem cargos públicos que necessitam de capacidade, inteligência e competência. Fui em um congresso na OAB, assisti a palestra do doutor André Luis Foseca, foi de grande valia para todos os presentes. Parabéns Dr André!
 
Luana Monaco em 27/01/2013 16:10:34
Excelente entrevista, muito informativa. Agora entendi a polêmica sobre sacrificar os cães, e revi minha posição anterior, favorável a tal prática. De fato, falta mais ciência no trato de todo o ciclo da leishmaniose. Parabéns ao Dr. André Fonseca e ao campograndenews.
 
Davi Silva em 27/01/2013 15:34:06
Nossos Parabéns, esse e o verdadeiro VETERINÁRIO DE VERDADE, que esta realmente preocupado com a saúde pública, DEUS lhe de muita MAIS SABEDORIA, para estar a frente deste projeto .....
 
nicola artigas em 27/01/2013 14:29:33
Dr André, seu trabalho nos emociona e nos motiva ainda mais. Parabéns!
 
Fernanda Abreu em 27/01/2013 14:22:07
tem gente do CCZ que, ao ler esta matéria, deve tá verde de raiva. VAMOS NESSA, DOUTOR, TEM O APOIO DE 100% DO BRASIL. ABAIXO A EUTANÁSIA.
 
MARIVALDO ABDIAS em 27/01/2013 14:21:57
Parabéns pela reportagem e principalmente ao dr André. Sempre briguei com o "CCZ" quando agentes de saude passam nas casas fazendo vistoria. Sempre disse a eles o que li na entrevista com o dr Andre que a preocupação com a dengue deve ser a mesma com a leishmaniose. Fico INDIGNADA com o descaso com os terrenos baldios e a fiscalização feita pela prefeitura (se é que fiscalizam) após a "limpeza" destes terrenos que muitas vezes os vizinhos encomodados reclamam a meses para a prefeitura e quando o proprietario "limpa" mesmo a gente avisando que o entulho ficou no terreno, o órgão competente da prefeitura não faz NADA. E o problema continua lá embaixo do entulho que eles deixaram. A cama do mosquito apos a limpeza ficou melhor ainda mais "fofinha". E o pobre do cachorro paga com a vida.
 
Lourdes Oliveira em 27/01/2013 13:32:38
Muito me faz pensa na palavra eutanásia. O animal quer morrer por vontade própria ou por vontade de outro? É certo usar essa palavra para tal finalidade? Esse número de mortes é apenas os conhecidos, fora aqueles que são diagnosticados como as "viroses" da vida. Finalmente, se faz necessária uma melhor intervenção do Estado tanto no combate a doença quanto no diagnostico e tratamento... ficar dando dipirona e diclofenaco para a população é tampar o sol com a peneira...
 
Antonio Ton em 27/01/2013 12:30:37
Parabéns ao Dr André pela entrevista esclarecedora, que vai sanar muitas dúvidas que ainda existem em alguns setores de nossa sociedade, que acham a eutanásia algo simples e comum. E que o poder público mostre de uma vez os dados(se é que estes dados existem) relativos ao extermínio de animais em nossa capital, isso deveria ser considerado crime hediondo!
 
silvio josé da costa torres em 27/01/2013 11:51:11
É UMA PENA, QUE OS HOMENS REALMENTE COMPETETENTES, NÃO OCUPAM OS CARGOS PÚBLICOS QUE PRECISAM DELE. PARABENS AO CGNEWS PELA ENTREVISTA COM O DR ANDRÉ FONSECA.
 
Valter Oliveira em 27/01/2013 11:48:26
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