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Campo Grande, Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018

10/04/2018 07:12

Escolas abrem mesmo com greve, mas sem limpeza e merenda para alunos

Diretores e professores recebem estudantes com o aviso sobre os prejuízos e pedindo a colaboração para que organização seja mantida em salas de aula

Anahi Zurutuza e Bruna Kaspary
Alunos chegando para aulas na Escola Estadual Amando de Oliveira na manhã desta terça-feira (Foto: Saul Schramm)Alunos chegando para aulas na Escola Estadual Amando de Oliveira na manhã desta terça-feira (Foto: Saul Schramm)

Escolas da Rede Estadual de Ensino estão recebendo os alunos nesta terça-feira (10), mas com a greve dos funcionários administrativos da educação, alunos já estão sendo avisados pelas direções que não haverá merenda e que a limpeza e serviços nas secretarias ficam prejudicados.

Ainda não é possível medir a adesão à greve, convocada pela Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul) e que o Sinfae-MS (Sindicato dos Funcionários Administrativos da Educação do Estado) tenta desmobilizar.

Mas, na Escola Estadual Amando de Oliveira, que fica na avenida Manoel da Costa Lima, por exemplo, nenhum dos administrativos foi trabalhar, segundo a diretora-adjunta Maria Aparecida da Cruz. O colégio tem 960 alunos nos três turnos.

Os estudantes estão sendo avisados sobre a falta da merenda durante a greve e segundo a diretora, professores foram orientados a pedir que os jovens deixem as salas de aula o mais limpa e organizada possível. “Os alunos de agora de manhã estão recebendo a escola limpa. Foi feita faxina ontem. Mas da manhã para a tarde e da tarde para noite, a limpeza fica prejudicada”, explicou.

Os 50 administrativos da Escola Estadual Joaquim Murtinho aderiram à greve, mas por enquanto, não haverá alteração no cronograma letivo dos 2,2 mil alunos matriculados nos três períodos. A informação obtida pela reportagem é que a escola está em semana de provas, que serão aplicadas normalmente.

A Escola Estadual Coração de Maria funciona normalmente, porque administrativos não aderiram à greve. A única informação dada por uma servidora no local é que como a unidade da rede estadual é administrada por freiras, os funcionários “seguem as regras das irmãs”. 

(Matéria editada às 14h11 para correção de informação)

Greve – Os administrativos decidiram entrar em greve na sexta-feira (6) em assembleia na sede da Fetems. Eles se posicionaram contra a proposta de reajuste salarial de 3,04% oferecido pelo Governo de Mato Grosso do Sul. A média salarial da categoria seria de R$ 1,3 mil, embora o salário-base para algumas das carreiras ainda seja abaixo do mínimo (R$ 954).

A categoria quer a incorporação do abono salarial de R$ 200 aos salários ainda neste ano. Mas, a proposta de correção enviada pelo governo e aprovada na Assembleia Legislativa na semana passada prevê a incorporação em maio de 2019.

Hoje, são cerca de 8 mil administrativos, segundo a Fetems. A rede tem 367 escolas, conforme a SED (Secretaria de Estado de Educação).

Movimento político – Na tarde de ontem (10), o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) declarou que vai à Justiça contra a greve, considerando que para ele, os servidores administrativos da educação estão “politizando” a discussão envolvendo reajuste salarial deste ano.

O chefe do Executivo estadual afirma que a medida vai ser necessária para que alunos não sejam prejudicados.

“Não tem porque parar as escolas, é inconcebível. Essa categoria recebeu um dos maiores reajustes quando demos o abono, que chegou a 17% dos vencimentos”, afirmou o governador.

Concessões – Além da incorporação do abono a partir de 2019, o governo previu o reajuste de 3,04% e a concessão de auxílio-alimentação de R$ 100 –que representariam ganho de aproximadamente 10%. A proposta foi apesentada pela Secretaria de Estado de Administração e Desburocratização à Fetems e ao Sinfae-MS, segundo a administração estadual.

Parecer da PGE (Procuradoria-Geral do Estado) informou que não haveria a possibilidade legal de garantir a incorporação do abono neste ano. Ao mesmo tempo, o governo sustenta ter atendido a todas as reivindicações da categoria (incluindo o concurso) e que nenhum servidor recebe menos que o salário mínimo (R$ 954), embora a tabela da categoria indique esse valor como inicial da carreira.

Matéria alterada às 7h38 para acréscimo de informações.



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