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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

23/01/2012 13:19

Estudante campo-grandense é ferido durante ocupação do Pinheirinho

Paula Vitorino

Estudante levou um tiro de bala de borracha quando tentava registrar a ocupação da favela Pinheirinho, em São José dos Campos (SP). O estudante diz que entrou no campo de batalha com o objetivo de mostrar a realidade dos moradores

Policiais fecharam área do Pinheirinho. (Foto: Hiure Queiroz)Policiais fecharam área do Pinheirinho. (Foto: Hiure Queiroz)

De Campo Grande para São José dos Campos (SP), o estudante Hiure Queiroz, de 25 anos, foi parar no meio do campo de batalha da favela Pinheirinho, onde a Polícia Militar paulista realiza a retirada de cerca de 6 mil pessoas desde ontem, e se tornou mais uma vítima da ação.

Ele foi atingindo por uma bala de borracha no braço quando tentava registrar a ação da Polícia. “Depois que o conflito começou, você via gente ferida, caído, e tiro para todos os lados. Um cenário de guerra”, resume Hiure.

O estudante conta que chegou na região do Pinheirinho por volta das 10h desse domingo (22), junto com um grupo de amigos que tinha o objetivo de mostrar o outro lado da desocupação: os moradores.

A Polícia Militar ocupou a área no início da manhã de ontem e isolou o local. Com máquinas fotográficas em mãos, Hiure e uma amiga tentavam registrar a ocupação e passar pela barreira policial.

Hiure diz que estava a cerca de 5 metros de um grupo de policiais quando foi atingido e afirma que a agressão aconteceu sem motivo aparente. “Eles não queriam ninguém ali e ainda mais alguém com uma máquina fotográfica na mão”, diz.

A amiga do jovem filmou o momento em que acontece a confusão e Hiure aparece em outro vídeo logo depois de ser atingido, mostrando o ferimento no braço e revoltado com a situação.

“Fui perguntar o que eu tinha feito pra levar o tiro, mas o policial não falou nada e apontou a arma de novo, me ameaçando”, conta.

Lembrando dos minutos de terror, ele diz que só depois de alguns instantes é que realmente se deu conta de que estava ferido e “bateu” o medo.

“O medo é algo que vem só depois, quando você para pensar. Quando vi ele apontando de novo a arma e senti meu braço, aí bateu o risco que estava correndo, resolvi me acalmar e fui para junto do grupo de colegas”, diz.

Os amigos improvisaram um curativo no braço de Hiure, feito na casa da tia de uma amiga próxima a área, e logo depois o grupo voltou para o Pinheirinho. Os estudantes acompanharam a ocupação do lado de fora no início da tarde e voltaram à noite para acompanhar os abrigos para onde as famílias da favela estão sendo levadas.

Voz dos excluídos - Mesmo diante de tantos riscos previsíveis, Hiure conta que o sentimento que o motivava a enfrentar o campo de batalha era um só: mostrar a realidade das pessoas de bem que estavam sendo retiradas da favela.

“Eu conheço o local e muitas daquelas famílias e crianças, que pessoas do bem. A gente já estava lá e se nós não retratássemos aquilo, pessoas sendo agredidas e despejadas, ninguém mais ia fazer, só ia ficar a visão da mídia geral”, conta.

Desde que mudou para São José dos Campos ele e os amigos criaram uma espécie de rede de mídia alternativa, mostrando a realidade da cidade "sem nenhum partido por trás" e distribuindo as imagens e informações para sites.

De acordo com informações da Folha de São Paulo, a área do Pinheirinho foi invadida há cerca de 8 anos e é alvo de uma disputa entre os invasores e a massa falida da empresa proprietária do terreno. A área tem cerca de 1,3 milhão de metros quadrados.

Hiure e os amigos estão percorrendo os abrigos para mostrar a realidade das famílias e conta que o cenário é de total tristeza, com pessoas acomodadas de forma em locais sem estrutura e espaço.

As informações preliminares são de pessoas feridas, presas e até mortos, mas o estudante diz que ainda encontrou muitas mães que perderam os filhos em meio a confusão.

“Eu não sei como e onde vão colocar tantas pessoas, não tem lugar, não tem estrutura. A gente está tentando montar uma rede de informações pra ajudar essas famílias a encontrar as pessoas que estão desaparecidas”, diz.

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região suspendeu na sexta-feira (20) a ordem de reintegração de posse da invasão Pinheirinho. A decisão também devolveu o caso para a Justiça Federal. No domingo, o presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Ari Pargendler, decidiu que a competência de decisão sobre a permissão de reintegração de posse era da Justiça estadual, o que valida a decisão de retirar os moradores da favela do Pinheirinho.

O estudante questiona o fato de quererem resolver uma situação que vem se empurrando há 8 anos em menos de 2 meses. “O que a gente viu foi a Polícia entrando, tirando as famílias, e a total desordem”, diz.

Ele também ressalta que boa parte dos conflitos com os policiais partiram de traficantes que moram no Pinheirinho e nas áreas vizinhas, e que não querem sair do local. Mas faz questão de lembrar que a maioria dos moradores foi para o local por não ter para onde ir e criou suas famílias ali.

“Gente desonesta existe em todo lugar, principalmente num local com mais de 6 mil pessoas, é claro. Mas não é possível que acreditem que aquelas crianças e todas as famílias também são bandidos”, chama a atenção.

Contraste - O estudante diz que ainda não conversou com a família, que mora em Campo Grande, sobre a agressão, que apenas acompanha algumas informações pelo Facebook do rapaz.

Ele diz que o que está vivendo na área não se compara a nada que já tenha sentido, mas conta que lembrou de quando cursava Física na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), em 2008, e os estudantes ocuparam o prédio para pedir diversas reivindicações.

“Eu levei choque de guarda, foi complicada a situação, lembrei muito daqueles momentos. Mas também não se compara ao que está acontecendo aqui. Aquilo era coisa de universitário, outra realidade, e aqui é a vida das pessoas e só violência, não tem diálogo”, avalia.

O estudante também lembra que Campo Grande tem também áreas ocupadas, mas o problema habitacional de São José dos Campos é muito maior. “Aqui a área é muito vertical, mais difícil de resolver e tem muito conflito”, diz.

Ele está cursando doutorado em Física no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e diz que, apesar de amar Campo Grande, ainda não sabe onde vai morar depois que terminar os estudos. “Tudo vai depender de onde conseguir emprego, um concurso”, diz.

Enquanto isso, Hiure afirma que vai continuar acompanhando o conflito em Pinheirinhos, já que a Polícia continua na área e as famílias estão sendo removidas.

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Parabéns pela atitude, acompanho tudo sobre pinheirinho, mesmo sendo de Campo Grande. Triste ler estes comentários aqui, mas é bem isso, selvagens gostam da lei do mais forte.
 
Leonardo Hentschke em 24/01/2012 09:52:00
Acho que esse jovem teria mais resultado pra sociedade se fosse em cada casa da favela, e aconselhasse morador por morador a sair pacificamente do local. Quem sabe 1% dos moradores não o atenderiam, não é ??? Vídeo...??? Qualquer celularzinho chinês tem. Ou ele acha que quando um juiz assina uma ordem de reintegração de posse, a polícia não estará presente pra fazer valer a determinação... ???
 
Daniel C. L. Júnior em 24/01/2012 09:35:23
Dois meses, Hiure? O processe está em curso desde 2004, repito, 2004 e a liminar foi despachada pela juíza no mês de julho de 2011, há mais de seis meses, portanto.
E outra, o seu doutorado recebe bolsa ou algum subsídio do governo? Pois, ao que me consta, o auxílio se presta à dedicação exclusiva ao estudo, e não ao "serviço" de mostrar o outro lado da invasão.
Ordem judicial deve ser cumprida!
 
Flávio Gonçalves Soares em 24/01/2012 08:59:27
Pois bem , é facil falar de lei , quando nao é sua familia que esta sendo jogada na rua, na realidade o seu problema é maior nao é? nós só saberemos da dor daquelas pessoas se vivessemos oque elas vivem, é facil falar na frente do seu sofa , sua comidinha feita pela mamãe. Todos são culpados dessa sociedade, pois a nação se corrompeu.
 
Hiagor de Oliveira em 24/01/2012 04:59:33
Quase que fiquei com pena desse ''estudante''.........Porque nao ajuda as pessoas aqui de campo grande...Dom Antonio, Los Angeles, la no lixao...tem varias familias que precisao de AJUDA aqui.....Foi la em SP se promover com aquelas familias que nada tem de culpa por morarem la, e questionar a atitude da policia, que cumpre seu papel..A bala de borracha doi ne..no Chico e no Franciso....
 
Ronaldo araujo em 23/01/2012 09:59:46
Assim como os Americanos tomam partido por uma "guerra" que não é deles,o que este "estudante",quer no meio de uma ocupação,que nem é no seu Estado?Apanhar e ou aparecer,bem..............então ele conseguiu os dois. Lamentável alguns estudantes acham que estão no tempo da ditadura,"bandeirinhas vermelhas com á foicinha(muito fora de moda diga-se de passagem),fotos de Che Guevara,etc,manés.
 
ricardo terra lemos em 23/01/2012 08:36:09
Enquanto um papel valer mais que as pessoas, sempre veremos isso .. a Polícia em si não é culpada é todo um sistema ! Assim é fácil culpar Juízes e Políticos .. Não quer saber a culpa não é de ninguém .. afinal tudo acaba em pizza nesse País mesmo !Amanha estaremos falando da Luiza que volta pro Canadá, ou do estrupo ou não estrupo no BBB .. " A culpa é sua a culpa é minha somos nós que votamos"
 
Everton Queiros de Oliveira em 23/01/2012 07:29:39
Todos estão jugando a PM, mas não levam em consideração que há uma ordem judicial, e se tem que criticar alguem que seja o JUIZ que assinou a ordem. A PM só fez o cumprimento, e eles tbm tem familias e não merecem ser agredidos por outras pessoas por estarem cumprindo a lei.Se tem culpado é os politicos que elegemos e os Juizes que ficam em sus casas e salas luxuosas. Bm feito mentiroso Hiure.
 
PAULO UMURA em 23/01/2012 07:07:43
Esse Alaereson de Jesus Muniz deve ser mais uma da nossa Nobre e seleta platéia burguesa .. Se o Sr. acha que a policia esta correta ae .. porque o Sr. com todo o seu intelecto não vai lá no Pinheirinho, talvez o Nobre Sr. encontra alguma barbárie ... fala sério o Sr. é um fanfarrão ... !! Vamos lá Pinheirinho estamos com vocês.. Parabéns Primo a família sente orgulho de você !!
 
Everton Queiroz de Oliveira em 23/01/2012 06:31:07
Esse sim é um exemplo de jovem, que se importa com os outros, tem um ideal de um mundo melhor e mais justo. Parabens ao Hiure e seus amigos pela coragem de olhar a miséria do proximo. Pena que a televisão, e o BBB, mostram apenas jovens com corpos sarados mas mentes vazias para ocupar nosso tempo com futilidades e egocentrismo.
 
Leticia Mello em 23/01/2012 05:47:03
Mostrar o outro lado??? até agora só vi mostrarem o lado dos invasores, ninguém tentou mostrar o lado da PM, obrigada a cumprir essa tarefa e ainda ficar como vilã. Vai lá entrevistar um PM, veja o que ele pensa dessa ação, mas faça algo sério.
 
Alaerson de Jesus Muniz em 23/01/2012 05:45:55
Não vi barbárie nenhuma nesse vídeo.
Agora pense, se a polícia faz seu serviço as pessoas reclamam, se não faz, as pessoas reclamam... povinho complicado.
Para de reclamar da polícia e vá reclamar do governo, verdadeiro responsável por toda essa bagunça e descaso com a população.
 
Alaerson de Jesus Muniz em 23/01/2012 05:43:36
É Adriano, ele procurou sim, procurar mostrar o outro lado da invasão, que existem muitas pessoas de bem ali, que são rotuladas pelas autoridades, procurou mostrar o descaso em que muitos vivem, e que muitos negam ver.
 
Jonas Pedro em 23/01/2012 05:37:26
Infelizmente uma fatalidade, mas, ordem judicial cumpre-se para depois questiona-la.
Assim, esse cidadão que tentou ser o "paladino" dos excluídos nada tinha a fazer naquele lugar, naquela hora e dia, agindo assim, ele assumiu todos os riscos dos seus atos.
 
Sidney Nolasco em 23/01/2012 05:33:05
Quero que o Sr. Hiure me diga onde está a ilegalidade na ação policial? Ou o sr. acha que a polícia deveria levar ramalhes de flores para a reintegração de posse? E mais:Todos os moradores aceitariam pacificamente deixar "suas casas"? Óbvio que não. Lei é lei filhão! E está aí para ser cumprida.
 
Paula Lutero em 23/01/2012 05:22:48
Estou sempre procurando, enquanto houver injustiça... talvez até morra assim, mas quero sempre viver com a consciência de quem sem procurou justiça e igualdade ao invés de covardia e injustiça!
 
Hiure Queiroz em 23/01/2012 05:21:15
Quem procura... Acha!
 
Adriano Roberto dos Santos em 23/01/2012 04:31:49
Satisfação Hiure, representando em São José dos Campos, maior orgulho em ter sido seu aluno parceiro, "tamo junto".
 
Jonas Pedro em 23/01/2012 02:42:04
Barbárie, truculência e ignorância, são elementos comuns nos dois casos sim, tanto no caso da UFMS como na situação de Pinheirinhos.
 
Jéssica Machado em 23/01/2012 02:19:00
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