Após 10 anos parada, UFN-3 assina primeiros contratos de trabalho em Três Lagoas
Recrutamento começou com vagas para carpinteiros, montadores de andaime, soldadores, pedreiros e ajudantes
A instalação das primeiras empresas responsáveis pela retomada da UFN-3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III), em Três Lagoas, começa a movimentar a economia local e a gerar expectativa entre trabalhadores da região. Com o projeto de conclusão da fábrica avançando para a fase de mobilização, o processo de contratação de mão de obra já foi iniciado por algumas das empresas que atuarão nas obras do empreendimento da Petrobras.
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A retomada da UFN-3, unidade de fertilizantes da Petrobras em Três Lagoas, avança com a instalação de empresas e início de contratações. A Engeko Engenharia, responsável por três pacotes da obra, já opera na cidade e prevê contratar dois mil trabalhadores. Cerca de 160 pessoas participaram de entrevistas nesta semana. Com investimento estimado em R$ 5 bilhões, o projeto deve empregar entre 6 mil e 7 mil trabalhadores, com prioridade para moradores da região.
Após mais de dez anos de paralisação, o empreendimento entra em uma nova etapa com a chegada das empresas responsáveis pelos pacotes de obras definidos pela Petrobras. Um dos principais marcos desse avanço é a instalação da Engeko Engenharia, uma das companhias mais adiantadas no processo de estruturação operacional.
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A empresa, responsável por três dos pacotes da obra, já está funcionando em um escritório localizado na Rua Orestes Prata Tibery, na região central da cidade, próximo à Lagoa Maior e à Avenida Filinto Müller. No local, atuam engenheiros, técnicos e o gerente responsável pela condução dos trabalhos, sinalizando que a fase de preparação para o início das atividades no canteiro já está em curso.
Na quarta-feira, o prefeito Cassiano Maia e o presidente da Câmara Municipal, Antonio Empke Junior, visitaram o escritório da empresa para buscar informações sobre o andamento do projeto. Durante as comemorações do aniversário de Três Lagoas, o prefeito também destacou publicamente a retomada da UFN-3 como um dos principais investimentos previstos para o município.
“A retomada da UFN3 é uma conquista histórica para Três Lagoas. Estamos falando de uma obra estratégica para o Brasil e que vai transformar novamente a nossa economia, gerando empregos, movimentando o comércio, fortalecendo a prestação de serviços e criando novas oportunidades para a nossa população”, afirmou Cassiano Maia.
Segundo o prefeito, a administração municipal já trabalha para preparar a cidade para receber o novo ciclo de desenvolvimento e ampliar o acesso da população local às oportunidades que serão abertas com a retomada do empreendimento.
Contratações já começaram - O avanço da mobilização já se reflete diretamente no mercado de trabalho. A Casa do Trabalhador de Três Lagoas iniciou o recrutamento de profissionais para atender às demandas da obra e, somente nesta semana, cerca de 160 trabalhadores participaram de entrevistas para vagas consideradas estratégicas para o empreendimento.
De acordo com o portal Perfil News, que acompanha de perto o processo de retomada da fábrica. A Engeko anunciou a contratação de aproximadamente dois mil trabalhadores para atuar nas diferentes etapas da construção. Neste primeiro momento, as oportunidades são destinadas principalmente para carpinteiros, montadores de andaime, soldadores, pedreiros e ajudantes de obras.
A expectativa é que os primeiros trabalhadores selecionados iniciem as atividades no canteiro de obras já a partir de julho. A orientação estabelecida para o processo seletivo prevê prioridade para a contratação de mão de obra de Três Lagoas e da região.
A presença física das empresas contratadas reforça a percepção de que a retomada da UFN-3 deixou de ser apenas uma previsão e passou efetivamente para a fase de execução.
Além da Engeko, outras empresas responsáveis pelos lotes contratados pela Petrobras também iniciam seus processos de mobilização no município, acompanhando o cronograma estabelecido pela estatal para a conclusão do empreendimento.
A UFN-3 teve suas obras iniciadas em 2011, mas foi paralisada em dezembro de 2014, quando a crise envolvendo o Consórcio UFN-3, formado pela Galvão Engenharia e pela Sinopec, impactou diretamente o projeto. O empreendimento acabou atingido pelos desdobramentos da Operação Lava Jato e permaneceu interrompido por mais de uma década.
Estrutura supera 80% de conclusão - Quando os trabalhos foram interrompidos, mais de 80% da estrutura física da fábrica já estava concluída. No entanto, o longo período sem atividades exigirá uma série de adequações antes da entrada em operação.
Segundo informações levantadas pelo Perfil News, parte dos equipamentos e estruturas apresenta sinais de desgaste após anos de exposição às condições climáticas. Imagens aéreas registradas pelo portal apontam pontos de corrosão e deterioração em diferentes áreas do complexo industrial.
Além disso, diversos equipamentos instalados antes da paralisação já não atendem aos padrões tecnológicos atuais, o que exigirá modernizações e substituições durante a fase de conclusão da obra.
Para reduzir riscos e ampliar o controle sobre a execução, a Petrobras adotou uma estratégia diferente da utilizada na fase inicial do empreendimento.
Ao invés de concentrar toda a obra em um único consórcio, a estatal optou por dividir a conclusão da UFN-3 em múltiplos pacotes independentes, cada um com empresas específicas e fiscalização direta da Petrobras.
O modelo prevê acompanhamento permanente por gerentes da companhia, responsáveis por monitorar cronogramas, contratos e execução dos serviços, buscando evitar problemas semelhantes aos que contribuíram para a paralisação da obra em 2014.
O investimento estimado para concluir a fábrica ultrapassa R$ 5 bilhões. Quando entrar em operação, a unidade terá capacidade para produzir cerca de 3,6 mil toneladas diárias de ureia e 2,2 mil toneladas de amônia, ampliando a produção nacional de fertilizantes nitrogenados e reduzindo a dependência brasileira de importações.
A expectativa é que entre 6 mil e 7 mil trabalhadores sejam contratados ao longo da execução dos diversos pacotes da obra, com impactos diretos sobre hotéis, restaurantes, alojamentos, postos de combustíveis, comércio e prestadores de serviços.




