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Economia

Varejo de MS cresce três vezes mais que a média nacional, mas inflação preocupa

Preços sobem, serviços desaceleram e comércio perde vagas

Por José Cândido | 18/06/2026 17:37
Varejo de MS cresce três vezes mais que a média nacional, mas inflação preocupa
Consumidora finaliza compra com cartão em estabelecimento comercial de Campo Grande. Varejo sul-mato-grossense acumula crescimento superior à média nacional em 2026. (Foto: Arquivo)

O comércio de Mato Grosso do Sul continua puxando a economia estadual em 2026, com um desempenho que supera com folga a média nacional. Os dados mais recentes do Termômetro do Varejo, divulgados pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS), mostram que o varejo ampliado acumulou crescimento de 5,4% entre janeiro e abril, índice três vezes superior ao registrado no Brasil no mesmo período, de 1,8%.

RESUMO

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O varejo de Mato Grosso do Sul cresceu 5,4% entre janeiro e abril de 2026, três vezes acima da média nacional de 1,8%, segundo a FCDL-MS. A indústria avançou 8% no período, quase cinco vezes mais que o Brasil. Porém, a inflação em Campo Grande subiu para 4,3% em maio, o comércio perdeu 517 empregos formais e a inadimplência atingiu 7% entre consumidores. As exportações somaram US$ 4,7 bilhões, alta de 8,6%.

O resultado reforça a resiliência do consumo no Estado, sustentado pelo mercado de trabalho aquecido, pela expansão industrial e pelo desempenho das exportações. Mas os números também revelam mudanças importantes no ambiente econômico, com a volta da pressão inflacionária, desaceleração dos serviços e dificuldades persistentes na geração de empregos pelo comércio.

"O varejo segue crescendo acima da média nacional, mas alguns indicadores passaram a exigir atenção maior dos empresários", avalia a presidente da FCDL-MS, Inês Santiago.

Mesmo após recuar 2,5% em abril na comparação com março, o varejo ampliado sul-mato-grossense mantém trajetória positiva no acumulado do ano. No comércio varejista tradicional, o avanço chega a 3%, também acima dos 2% observados nacionalmente.

Inflação volta ao radar

O principal ponto de atenção apontado pelo levantamento está no comportamento dos preços.

Depois de registrar inflação acumulada de 2,1% nos 12 meses encerrados em fevereiro, Campo Grande viu o índice avançar para 4,3% em maio. Embora permaneça abaixo da média nacional, de 4,7%, o movimento interrompe a tendência de desaceleração observada nos meses anteriores.

Somente em maio, o IPCA da Capital foi de 1,31%, impulsionado principalmente pelo grupo Alimentação e Bebidas, que registrou alta de 2,09%.

A elevação dos preços reflete tanto fatores climáticos que afetaram a oferta de alimentos quanto os impactos indiretos da alta dos combustíveis sobre a cadeia de distribuição.

Entre os segmentos com maiores aumentos acumulados em 12 meses aparecem Vestuário (6,4%), Habitação (6,3%), Despesas Pessoais (5,2%), Educação (5%) e Transportes (4,5%).

O avanço da inflação preocupa porque reduz o poder de compra das famílias e pode comprometer o ritmo de crescimento do consumo ao longo do segundo semestre.

Varejo de MS cresce três vezes mais que a média nacional, mas inflação preocupa
Apesar da inflação voltar a pressionar os preços, o comércio sul-mato-grossense segue registrando avanço nas vendas acima da média brasileira.(Foto: Arquivo)

Comércio na contramão do emprego

Outro dado que chama atenção é o desempenho do mercado de trabalho no setor.

Embora Mato Grosso do Sul tenha criado 14.527 empregos formais entre janeiro e abril, o comércio acumula saldo negativo de 517 vagas no período.

A situação se repete em Campo Grande. Enquanto a Capital registra saldo positivo de 2.685 empregos em 2026, o comércio perdeu 566 postos de trabalho. Apenas em abril, o saldo geral da cidade foi negativo em 285 vagas.

O contraste mostra que o crescimento das vendas não tem sido suficiente para impulsionar contratações no setor, movimento associado ao aumento da produtividade, digitalização dos negócios e cautela dos empresários diante do cenário econômico.

Indústria assume protagonismo

Se o comércio segue forte, a indústria aparece como o grande destaque da economia sul-mato-grossense neste início de ano.

A produção industrial acumulou crescimento de 8% entre janeiro e abril, quase cinco vezes acima da média brasileira, que ficou em 1,7%.

O desempenho reflete a expansão das cadeias ligadas à celulose, proteína animal e processamento agroindustrial, segmentos que continuam atraindo investimentos e ampliando a capacidade produtiva do Estado.

Já o setor de serviços mostra perda de fôlego. O crescimento acumulado foi de apenas 0,4%, muito abaixo dos 2,2% registrados nacionalmente.

Agro reduz expectativa, mas segue melhor que o país

No campo, a expectativa continua positiva, embora menos otimista do que no início do ano.

A projeção para o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária de Mato Grosso do Sul foi revisada de 1,3% para 0,7% em 2026.

A redução reflete oscilações nos preços internacionais e ajustes nas estimativas de produção. Ainda assim, o desempenho esperado permanece superior ao cenário nacional, que projeta retração de 4,6%.

Exportações sustentam atividade

Enquanto parte dos indicadores domésticos mostra desaceleração, o comércio exterior continua funcionando como uma das principais engrenagens da economia estadual.

Entre janeiro e maio, Mato Grosso do Sul exportou US$ 4,7 bilhões, crescimento de 8,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

A soja permanece como principal produto exportado, responsável por 38,8% das vendas externas. Em seguida aparecem a carne bovina, com 20,9%, e a celulose, com 18,2%.

O resultado reforça a diversificação da pauta exportadora e a consolidação do Estado como um dos principais polos agroindustriais do país.

Crédito cresce menos e inadimplência preocupa

Os dados do Banco Central mostram ainda uma desaceleração na expansão do crédito.

Em abril, o volume de financiamentos para pessoas físicas cresceu 6,9% em relação ao mesmo mês de 2025. Entre as empresas, a expansão foi de 14,4%.

Ao mesmo tempo, a inadimplência alcançou 7% entre consumidores e 4,3% entre empresas, sinalizando que juros elevados continuam pressionando o orçamento das famílias e o caixa dos negócios.

O conjunto dos indicadores mostra uma economia ainda aquecida, impulsionada pelo comércio, pela indústria e pelas exportações. Mas também evidencia que os próximos meses serão marcados por desafios importantes, especialmente no controle da inflação, na recuperação do emprego no varejo e na manutenção do ritmo de crescimento diante de um cenário econômico mais complexo.