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Interior

Condenados, policiais civis da máfia do cigarro perdem função pública

Elcio Alves Costa e Gilvani da Silva Pereira estão entre os 21 condenados no âmbito da Operação Nepsis

Por Helio de Freitas, de Dourados | 27/01/2021 16:21
Preso na primeira fase da Operação Nepsis desce de viatura da PF, em setembro de 2018 (Foto: Adilson Domingos/Arquivo)
Preso na primeira fase da Operação Nepsis desce de viatura da PF, em setembro de 2018 (Foto: Adilson Domingos/Arquivo)

Os policiais civis de Mato Grosso do Sul Elcio Alves Costa e Gilvani da Silva Pereira estão entre os 21 integrantes da máfia do cigarro condenados no âmbito da Operação Nepsis, deflagrada em setembro de 2018 pela Polícia Federal e PRF (Polícia Rodoviária Federal).

Além das penas de 27,8 e 23,8 anos de prisão, respectivamente, Elcio e Gilvani perderam a função pública. Na sentença, o juiz Ney Gustavo Paes de Andrade, da 2ª Vara Federal em Ponta Porã, cita que eles cometeram os crimes no cumprimento do dever funcional com a administração pública.

Elcio era lotado na delegacia de Bataguassu, cidade na divisa com São Paulo e parte da rota do cigarro contrabandeado do Paraguai. Gilvani trabalhava na delegacia de Eldorado, cidade ao extremo-sul de Mato Grosso do Sul e na fronteira com o Paraguai, “porta de entrada” do produto ilegal.

Os dois eram “garantidores-pagadores”, ou seja, policiais pagos para contratar e pagar propina a outros policiais corruptos para permitir a passagem dos caminhões com cigarro paraguaio.

A pena somada dos 21 integrantes, entre eles os dois patrões da quadrilha – Valdenir Pereira dos Santos, o “Perna”, e Angelo Guimarães Ballerini, o “Alemão” – chega a 547 anos de prisão. Valdenir foi condenado a 66,8 anos e Angelo a 64,1 anos.

A terceira maior pena, de 34,7 anos, foi imposta ao irmão de Angelo, José Carlos Guimarães Ballerini, apontado como um dos gerentes da organização criminosa.

Os demais condenados foram Aparecido Mendes da Luz Junior (24 anos de prisão), Cleverton da Cunha Pestana (24,1 anos), Fábio Garcete (28,9 anos), Rogério Rodrigues de Lima (14,8 anos), Altair Gomes de Andrade (13,3 anos), Jean Felix de Almeida (13,3 anos), Sidnei Lobo de Souza (13,3 anos), Adel Pereira Costa (13,3 anos), Erico Pereira dos Santos (13,3 anos), Josemar dos Santos Almeida (13,3 anos), Valdecil da Costa Loyo (13,3 anos), Diogo Machado dos Santos Leite (34,7 anos). José Marcos Antônio (31,7 anos), André Luiz Casalli (25,9 anos), Cleberson José Dias (26,7 anos) e Oziel Vieira de Souza (26,4 anos).

A denúncia contra seis policiais rodoviários federais presos na Operação Nepsis foi desmembrada em outro processo. Quanto aos policiais militares Aparecido Cristiano Fialho, Joacir Ratier de Souza, Alisson José de Carvalho de Almeida e José Roberto de Santos, também denunciados no caso, o juiz Ney Gustavo de Andrade deixou o julgamento a cargo da Justiça Militar de Mato Grosso do Sul.

A quadrilha pagava propina de R$ 70 mil a R$ 120 mil por mês para os policiais repassarem informações sobre a presença nas estradas de agentes que não eram do esquema e para ajudar as cargas a chegarem livremente aos grandes centros do País.

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