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Campo Grande, Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019

23/02/2019 12:50

Corregedoria da Polícia Civil apura ação contra entrevistado em rádio

Polícia Civil disse apurar a “completa apuração das circunstâncias” da prisão de José Carlos Pereira da Silva, alvo de cautelar que o impede de citar nomes de investigadores

Humberto Marques
Policial derrubou entrevistado e anunciou prisão, realizada por outra equipe, por conta de medida cautelar. (Foto: Reprodução)Policial derrubou entrevistado e anunciou prisão, realizada por outra equipe, por conta de medida cautelar. (Foto: Reprodução)

A Corregedoria da Polícia Civil instaurou procedimento para “a completa apuração das circunstâncias” que envolveram a prisão de José Carlos Pereira da Silva, 40, na sexta-feira (22), quando ele concedia entrevista ao vivo a uma rádio comunitária. A detenção ocorreu quando o policial civil Antônio Marcos Roque da Silva invadiu o estúdio apontando que o detido descumpriu medida cautelar assinada no dia anterior, ao citar os nomes de investigadores que o denunciaram por calúnia e difamação –uma das condicionantes para que lhe fosse garantida a liberdade após ser preso por tais crimes.

A ação foi filmada e transmitida por aplicativos de mensagens, sendo encaminhada ao Campo Grande News pelo canal Direto das Ruas por vários leitores. José Carlos fazia críticas à atividade policial quando se deu o incidente. O policial o pega pelo pescoço e o joga no chão, pede que o programa seja tirado do ar e reforça que o entrevistado estava cometendo crime e difamações, citando a medida cautelar assinada pelo juiz Claudio Müller Pareja.

“Foi instaurado procedimento administrativo para a possível adoção de providências”, confirmou o delegado-geral de Polícia Civil, Marcelo Vargas, reforçando a intenção de verificar “excessos” na atuação e reforçando a atribuição da Corregedoria –que, em nota no site da corporação, garantiu analisar a situação sob olhares da ampla defesa, “tanto ao policial civil no procedimento administrativo quanto ao suspeito no respectivo inquérito policial”.

Na terça-feira (19), José Carlos foi preso após divulgar um vídeo no Facebook com afirmações negativas contra três investigadores. Por conta deste material, ele foi preso por calúnia e difamação, permanecendo preso até quinta-feira, quando passou por audiência de custódia e foi determinada proibição de que ele divulgasse novos vídeos envolvendo as vítimas e os fatos expostos, bem como de contato com as vítimas para evitar nova alegação de prática de crime.

Antecedentes – Tanto na cautelar como na nota da Polícia Civil, cita-se o histórico de José Carlos Pereira da Silva. O gari tem passagem por furto, ameaça e lesão corporal (ambas com relação a violência doméstica), injúria, difamação, perturbação da tranquilidade, disparo de arma de fogo e homicídio –em 2010, foi preso sob acusação de matar a tiros o pedreiro Nildo José de Moraes, sendo absolvido do crime dois anos depois.

Foi apontado que José Carlos “é pessoa conhecida na comunidade local” por conta da ficha criminal e de práticas de crimes de calúnia e difamação contra autoridades do Judiciário, Ministério Público e Executivos estadual e municipal. Diante do uso de mídia online durante a entrevista à rádio, avaliou-se que ele feriu a medida cautelar –após o primeiro policial que invadiu a rádio o conter, outra equipe foi ao local e o conduziu.

Diretor da rádio, Honório Malaquias disse desconhecer a existência da cautelar envolvendo a soltura do entrevistado, que havia sido convidado a falar sobre as circunstâncias da prisão e esclarecer se sofreu algum tipo de agressão, algo negado aos microfones. “Ele falou o nome dos policiais e o cara chegou”, explicou.

Honório questionou o ato de prisão –que ocorrera, conforme alegação, em flagrante por conta da manifestação da Justiça– e informou ter prestado depoimento, ao lado do locutor sobre os fatos. Porém, descartou prestar queixa quanto a invasão da rádio, a qual, explicou, funciona com portas abertas em virtude de ações sociais ali realizadas e tem fácil acesso aos estúdios. Roque da Silva não quis se manifestar abertamente sobre o caso.

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