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FEVEREIRO, QUARTA  04    CAMPO GRANDE 21º

Capital

Cratera e ruas intransitáveis ficam no rastro após 4 dias seguidos de chuva

Moradores do Jardim São Conrado e Itamaracá estão sem conseguir sair de carro

Por Izabela Cavalcanti e Geniffer Valeriano | 04/02/2026 10:21
Cratera e ruas intransitáveis ficam no rastro após 4 dias seguidos de chuva
Hudson olhando cratera em frente de sua casa (Foto: Marcos Maluf)

Depois do 4° dia seguido de temporal, a chuva deu uma pausa em algumas regiões de Campo Grande na manhã desta quarta-feira (04).

RESUMO

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Após quatro dias consecutivos de temporais em Campo Grande, moradores enfrentam graves problemas de infraestrutura em diversos bairros. Ruas sem asfalto foram tomadas por crateras e lama, impedindo a circulação de veículos e comprometendo serviços essenciais como coleta de lixo e atendimento de emergência. O acumulado de chuvas desde domingo atingiu marcas expressivas, chegando a 184,3 mm no Carandá Bosque. O Inmet mantém alerta até sexta-feira, prevendo mais precipitações intensas e ventos de até 100 km/h em todo o Estado.

A equipe de reportagem do Campo Grande News percorreu dois bairros para verificar os impactos deixados pelo temporal, onde moradores ainda enfrentam os estragos provocados pelo excesso de água: ruas divididas por crateras, lama, pedras soltas, que parecem rochas.

Na Rua Manoelita Alves da Silva, no Jardim São Conrado, o mecânico Hudson Dias, de 28 anos, abre o portão de sua casa e já dá de cara com uma cratera no meio da rua, que ainda não tem asfalto.

Ele mora na residência há 1 ano no local, mas, segundo ele, quando comprou não sabia do problema, já que a via estava nivelada na época da visita.

Hoje, para conseguir ir ao trabalho, precisa caminhar até outra rua para chamar um carro por aplicativo, pois os motoristas não conseguem acessar o trecho.

Cratera e ruas intransitáveis ficam no rastro após 4 dias seguidos de chuva
Pedras grandes soltas e cratera na Rua Manoelita Alves da Silva, no Jardim São Conrado (Foto: Marcos Maluf)

O morador relata sentimento de impotência diante do problema. Conta que já tentou melhorar a frente da residência com recursos próprios, inclusive contratando no ano passado uma empresa para nivelar a rua. Também já quis concretar a frente da casa, mas disse que a Prefeitura não deixou.

“A gente se sente incapaz de resolver, porque o nosso direito de ir e vir está prejudicado, e a gente não pode nem tentar resolver por conta própria, já que o poder público não faz nada”, disse.

A situação também compromete serviços básicos. De acordo com Hudson, o caminhão de coleta de lixo deixou de passar depois que ficou atolado durante uma chuva. Ele também teme falta de socorro em casos de emergência.

“Da última vez que a coleta de lixo veio no tempo de chuva, o caminhão ficou preso, precisou de um guincho para tirar. Se precisar de um serviço de emergência, a ambulância e polícia não conseguem chegar. É uma situação complicada”, comentou.

Segundo ele, intervenções feitas em outro ponto da região para conter o avanço da água acabam desviando o fluxo e agravando a situação na via onde mora.

Em outra casa da mesma rua, um carro permanece estacionado desde sexta-feira, sem conseguir sair por causa das condições do terreno.

No Jardim Itamaracá, a realidade é semelhante. Na Rua Salomão Abdala, metade da via está intransitável, tomada por pedras que se espalharam com a chuva.

O pintor Jhones Willian Vilordo, de 32 anos, vive na parte mais baixa da rua, a mais afetada pelo temporal. Quando a reportagem o encontrou, ele seguia para o trabalho empurrando a bicicleta pela lama.

Cratera e ruas intransitáveis ficam no rastro após 4 dias seguidos de chuva
Jhones Willian, de bicicleta, parado na Rua Salomão Abdala, no Jardim Itamaracá (Foto: Marcos Maluf)

“É sempre assim, quando arruma a rua, é questão de duas chuvas e já era, acabou a rua de novo. Para passar é só a pé, porque até para pedir motorista por aplicativo tem que ir numa rua paralela, porque eles não conseguem acessar a rua. É complicado porque fica só na promessa, diz que vão asfaltar, mas até agora nada”, lamentou.

O Campo Grande News entrou em contato com a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) e aguarda o retorno.

Volume de chuva - Desde domingo (1º), Campo Grande registra acumulados expressivos de chuva. De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão, foram medidos 169,4 milímetros no Jardim Panamá; 159,6 mm em Santa Luzia; 184,3 mm no Carandá Bosque; e 144,2 mm em outra estação de monitoramento.

O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) renovou o alerta para todo o Estado até sexta-feira (6). A previsão indica possibilidade de chuva entre 30 e 60 milímetros por hora ou de 50 a 100 milímetros por dia, além de ventos intensos que podem chegar a 100 quilômetros por hora.

Cratera e ruas intransitáveis ficam no rastro após 4 dias seguidos de chuva
Situação da Rua Salomão Abdala, no Jardim Itamaracá (Foto: Marcos Maluf)

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