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Fuzileiro diz que tiro em colega foi acidental e plano era dar susto por dívida

Vítima foi atingida na nuca e precisou passar por cirurgia para retirada do projétil

Por Ana Paula Chuva | 12/06/2026 09:44
Fuzileiro diz que tiro em colega foi acidental e plano era dar susto por dívida
Carro da vítima que estava sendo levado para a Bolívia (Foto: Reprodução)

Em depoimento à Polícia Civil, o fuzileiro naval Davi Batista Santos, de 21 anos, preso em flagrante pelo roubo que terminou com um colega baleado na nuca em Corumbá, a 428 quilômetros de Campo Grande, afirmou que a intenção inicial era apenas “dar um susto” na vítima, rapaz de 24 anos, também militar da Marinha do Brasil, para cobrar uma dívida de R$ 2 mil.

RESUMO

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Fuzileiro naval de 21 anos preso em flagrante após roubo que terminou com um colega militar baleado na nuca em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, afirmou à Polícia Civil que a intenção era apenas dar um susto na vítima para cobrar uma dívida de R$ 2 mil. O disparo teria sido acidental. Os outros dois suspeitos foram detidos no Posto Fiscal Esdras, onde o veículo roubado foi recuperado. A dupla planejava levar o carro para a Bolívia.

Segundo Davi, ele conheceu os comparsas Cláudio Victor Gutierrez, 23, e Clayton Orlando Mendoza Yanez, 18,  há poucas semanas e contou a eles que o militar lhe devia dinheiro desde março. Por isso, eles combinaram de abordar a vítima para pressioná-lo a quitar a dívida. A arma usada na ação, segundo ele, pertencia a Cláudio.

O suspeito disse que marcou encontro com o colega após ele pedir novo empréstimo. Quando a vítima chegou ao local combinado, foi abordada pelo trio. Davi contou que entrou no banco traseiro do carro com o rapaz, enquanto Cláudio assumiu a direção e Clayton ficou no banco do passageiro com a arma.

Ainda conforme o depoimento, o grupo procurava um local para abandonar a vítima quando Clayton entregou a arma a Davi. No momento em que os dois empurraram o militar para fora do veículo, o revólver disparou “acidentalmente”, atingindo a nuca do rapaz.

Depois do tiro, Davi afirmou que os três fugiram. Ele disse que Cláudio e Clayton seguiram com o carro roubado, que seria levado para a Bolívia, enquanto ele ficou com a arma. Segundo o suspeito, o combinado era que ele receberia R$ 2 mil e o restante da venda do veículo seria dividido entre os comparsas.

Caso 

Conforme o boletim de ocorrência, a vítima estava em seu alojamento quando Davi pediu uma carona. O militar aceitou e dirigiu até o local indicado. Ao entrar no carro, um Chevrolet Onix prata, Davi sentou no banco do passageiro, retirou a chave da ignição, sacou um revólver que carregava na cintura e rendeu a vítima, mandando que ela fosse para o banco traseiro e mantivesse a cabeça abaixada.

Em seguida, outros dois rapazes entraram no veículo. O grupo saiu do local e, inicialmente, pretendia seguir para as proximidades da estrada de Bocaina. Durante o trajeto, um dos envolvidos comentou que havia presença de equipes de segurança na região. Por isso, o destino foi alterado para uma rua de terra nos fundos do Residencial Flamboyant III.

No local, Davi retirou a vítima do carro, colocou o fuzileiro no chão e atirou contra ele na região da nuca. Depois, fugiu com os demais envolvidos levando o veículo. Mesmo ferida, a vítima conseguiu caminhar até uma conveniência próxima, onde pediu ajuda.

Testemunhas levaram o rapaz até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Guatós para atendimento médico. Com as informações sobre a placa do veículo e a identificação de Davi, equipes iniciaram buscas pelos envolvidos e pelo carro.

Davi foi encontrado em uma lanchonete na Rua 14 de Março, em Ladário, enquanto consumia bebida alcoólica. Ao ser questionado, negou envolvimento no crime. Com ele, foi encontrada apenas a chave de seu veículo.

No carro de Davi, dentro do porta-luvas, foi localizado um revólver calibre .22, marca Rossi, com uma munição deflagrada, uma munição intacta e quatro munições percutidas no tambor. Também foram encontrados cerca de 10,4 gramas de skunk.

Ainda no veículo estavam três colares com pingentes, dois anéis de caveira, um relógio da marca Seculus Automatic, um soco inglês, três pulseiras, um par de brincos e uma fita-crepe. Segundo relato posterior de Claudio Victor Gutierrez de Lima, a fita serviria para amarrar a vítima.

O veículo da vítima foi recuperado no Posto Fiscal Esdras. Durante o registro do caso, os dois rapazes relataram que receberiam R$ 1 mil cada pela participação no crime. Segundo eles, Clayton atuaria como guia na Bolívia, enquanto Cláudio ficaria responsável por atravessar o veículo para o país vizinho.

Fuzileiro diz que tiro em colega foi acidental e plano era dar susto por dívida
Arma e celulares apreendidos com presos (Foto: Divulgação | PMMS)


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