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Interior

Juiz solta empresário acusado de carregar cocaína do PCC em ônibus de fiéis

Alvo de operação da PF, José Pereira Barreto ficou menos de um mês na cadeia

Por Helio de Freitas, de Dourados | 01/04/2021 10:06
José Pereira Barreto, o “Zé do Ônibus”, investigado por tráfico internacional (Foto: Arquivo)
José Pereira Barreto, o “Zé do Ônibus”, investigado por tráfico internacional (Foto: Arquivo)

Mesmo apontado como chefe de quadrilha e investigado por tráfico internacional de drogas, o empresário José Pereira Barreto, 40, o “Zé do Ônibus”, ficou menos de um mês preso. Nesta quarta-feira (31), ele deixou a cadeia em Dourados, a 233 km de Campo Grande.

Alvo da Operação Viagem Santa, deflagrada em janeiro deste ano pela Polícia Federal, Barreto é acusado de fornecer cocaína para a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Os carregamentos milionários eram levados para São Paulo no fundo falso de ônibus que transportavam católicos ao Santuário de Aparecida.

O mandado de prisão preventiva foi revogado pelo juiz Marcus Vinícius de Oliveira Elias, da 2ª Vara Criminal. Para ter direito à liberdade provisória, Barreto teve de pagar fiança de 15 salários mínimos e não poderá frequentar as sedes das empresas Prado Entulho e Prado Tur Viagens e Turismo (outras empresas envolvidas no esquema).

Dono da Euro Tur Viagens e Turismo, Barreto foi apontado nas investigações como verdadeiro dono da Prado Tur. Oficialmente, a empresa pertence a um ex-funcionário dele, Janqui Fernandes Prado, também investigado no âmbito da Operação Viagem Santa. Foi em um ônibus da Prado que a polícia encontrou 556 quilos de cocaína, em maio de 2019.

O juiz Marcus Vinícius de Oliveira Elias também proibiu José Pereira Barreto de manter contato com outros investigados e com testemunhas. O empresário fica ainda impedido de sair do Estado por mais de cinco dias sem prévia autorização judicial.

No pedido de liberdade, o advogado Rubens Dariu Saldivar Cabral alegou falta de provas de envolvimento do empresário com o tráfico e o fato de ele ter se apresentado espontaneamente, no início de março, depois de 47 dias foragido. Barreto ficou preso porque tinha contra si mandado de prisão preventiva expedido em janeiro, durante a operação.

O advogado argumentou ainda que o empresário tem filho menor de 12 anos e possui sequelas decorrentes de disparos de arma de fogo. Em fevereiro de 2019, Barreto sofreu atentado a tiros em Dourados, a mando da então esposa, Valdirene Fiorentino da Silva, 37. Ela e outros quatro envolvidos estão presos pelo crime.

Viagens de graça – Segundo a investigação da Operação Viagem Santa, ônibus de turismo religioso saíam de Mato Grosso do Sul levando cargas milionárias de cocaína para São Paulo. Para despistar a polícia, os veículos viajavam lotados de católicos devotos de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil.

Os fiéis viajavam com todas as despesas pagas pela quadrilha. A alegação era de que se tratava da boa ação de um “pagador de promessas”. O destino final da droga fornecida ao PCC seria a Europa.

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