Justiça condena trio por tráfico de 1,8 tonelada de maconha trazida do Paraguai
Grupo usava assentamento em Ponta Porã para armazenar a droga antes da distribuição no Brasil
A 1ª Vara Federal de Ponta Porã condenou três homens por participação no tráfico transnacional de 1.876 quilos de maconha trazidos do Paraguai. As penas de reclusão variam entre 14 e 17 anos. Segundo a sentença, o grupo atuou na importação, guarda e armazenamento da droga, que seria posteriormente distribuída no Brasil.
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Três homens foram condenados pela 1ª Vara Federal de Ponta Porã por tráfico transnacional de 1.876 quilos de maconha vindos do Paraguai. As penas variam entre 14 e 17 anos de reclusão. Presos em flagrante no Assentamento Itamarati, em agosto de 2025, eles usavam uma caminhonete roubada com placas adulteradas e rádio clandestino. Também foram condenados por receptação e uso ilegal de telecomunicações.
O caso ocorreu na noite de 14 de agosto de 2025, no Assentamento Itamarati, em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai. As investigações apontaram que o local era utilizado como ponto de apoio logístico para o recebimento e a estocagem dos entorpecentes.
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Durante a ação policial, os três homens foram presos em flagrante. No assentamento, os policiais localizaram uma caminhonete Toyota SW4 carregada com a droga. O veículo apresentava placas adulteradas, possuía registro de roubo ou furto e continha um rádio transceptor instalado clandestinamente.
Na sentença, a juíza federal Eduarda Santos Knob destacou que os próprios réus admitiram, em interrogatório, ter participado da operação. Eles alegaram, contudo, que desconheciam que a carga transportada era composta por entorpecentes. Um deles afirmou ter sido contratado para conduzir o veículo, enquanto os outros dois disseram que fariam a vigilância do local e dos arredores.
A juíza também rejeitou a alegação de que os acusados desconheciam o conteúdo da carga. Segundo a sentença, para a configuração do dolo eventual basta que o agente tenha consciência de transportar substância ilícita e assuma esse risco. Entre os elementos considerados estão o forte odor de maconha percebido pelos policiais, a droga ocupando praticamente toda a cabine da caminhonete e o fato de o assentamento estar localizado próximo a Pedro Juan Caballero, região conhecida pelo intenso tráfico de entorpecentes.
O caráter transnacional do crime, conforme a magistrada, ficou demonstrado pela estrutura logística montada para internalizar a droga no país, evidenciada pela presença de outros veículos, pelo uso de rádio transceptor para comunicação e pela grande quantidade de maconha apreendida. Além do tráfico transnacional, os réus foram condenados por receptação da caminhonete roubada utilizada no transporte da carga e pelo desenvolvimento clandestino de atividades de telecomunicações.
A sentença também determinou o perdimento dos celulares e dos valores apreendidos em favor da União, com destinação ao Funad (Fundo Nacional Antidrogas). A Toyota SW4, por sua vez, deverá ser devolvida ao proprietário legítimo, após a confirmação de que era produto de roubo ou furto.


