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Interior

Mudança no leito do Rio Formoso pode ser causa de água turva mesmo sem chuva

Unidos da Serra da Bodoquena e Fundação Neotrópica do Brasil avaliam mudança repentina de turbidez

Por Gabriela Couto | 11/05/2021 16:00

Pesquisadores desceram o Rio Formoso até local do turvamento onde identificaram desbarrancamento de sedimentos (Foto Redes Sociais)
Pesquisadores desceram o Rio Formoso até local do turvamento onde identificaram desbarrancamento de sedimentos (Foto Redes Sociais)

Desde o dia 21 de abril os balneários de Bonito registram o turvamento das águas, que só era registrado no período das chuvas. O primeiro registro de mudança repentina da turbidez do Rio Formoso, sem registro pluviométrico, motivou um estudo da Fundação Neotrópica do Brasil em parceria com o grupo Unidos da Serra da Bodoquena.

Os pesquisadores realizaram o levantamento de imagens aéreas, análise de parâmetros físico-químicos da água e foram in loco até o ponto de turvamento do rio. “Não temos como afirmar que houve uma alteração antrópica direto. Identificamos o desbarrancamento direto no rio.  Tem a possibilidade da hidrologia da região estar sendo alterada devido a uma grande enchente registrada em 2017”, explicou o biólogo da fundação, Guilherme Dalponti.

Outra possibilidade apontada pelo especialista é um efeito acumulativo de enchentes dos últimos anos. O fato é que o rio continua nas mesmas condições do dia 21 de abril, apresentando turbidez alta na água que vai para as áreas mais utilizadas como balneários e atrativos turísticos da região.

Os pesquisadores afirmam que o local onde ocorre o desbarrancamento é uma área remota, o que abre um alerta para formalizar melhor a proteção dos banhados. “É um ambiente frágil e muito importante para a manutenção da qualidade da água. Precisamos discutir com a comunidade as medidas de conservação do solo que devemos tomar”, concluiu.

Conforme o relatório, "o Rio Formoso está provocando o intemperismo de um depósito de micritas inconsolidadas em função de uma mudança de curso natural. Essas rochas são formadas por depósitos de partículas, conchas e carapaças calcárias. Devido as partículas arenosas em suspensão e das condições físico-químicas que favorecem a precipitação do calcário e não de sua dissolução, é pertinente creditar que a turbidez elevada se dê pelas causas naturais relatadas."

Com o resultado do estudo publicado nesta semana, os responsáveis pela pesquisa e agentes interessados na preservação da Serra da Bodoquena estão organizando uma data em comum até o final de maio para abrir uma consulta pública para tratar da situação. Confira o vídeo da análise in loco no Rio Formoso:



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