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Interior

Prefeita contesta estimativa após IBGE apontar menos moradores que eleitores

Jateí aparece com 4.351 votantes aptos, 778 a mais que o número de habitantes

Por Helio de Freitas, de Dourados | 10/09/2026 10:57
Prefeita contesta estimativa após IBGE apontar menos moradores que eleitores
Cristo Rendetor na entrada da cidade de Jateí; prefeitura contestou estimativa do IBGE (Foto: Divulgação)

A Prefeitura de Jateí, cidade a 265 km de Campo Grande, contestou formalmente a estimativa populacional divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para 2026 depois de identificar uma diferença incomum entre o número de habitantes atribuído ao município e a quantidade de eleitores aptos.

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A Prefeitura de Jateí, cidade a 265 km de Campo Grande, contestou formalmente a estimativa do IBGE que aponta 3.573 habitantes no município, enquanto o TRE-MS registra 4.351 eleitores aptos e a rede de saúde acompanha 6.589 cidadãos. O recurso administrativo pede reexame técnico dos dados, já que a diferença pode impactar a distribuição de recursos públicos. O IBGE ainda não se manifestou.

Segundo o IBGE, Jateí tem população estimada em 3.573 pessoas. Já os dados oficiais do TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul) apontam 4.351 eleitores com inscrição apta no município.

Na prática, são 778 eleitores a mais do que toda a população estimada, diferença de aproximadamente 21,8%. A disparidade chama atenção porque o total de habitantes inclui também crianças, adolescentes e outras pessoas que não integram o cadastro eleitoral.

Com base nessa diferença, a prefeitura apresentou recurso administrativo ao IBGE e pediu o reexame técnico da estimativa. O município também solicitou acesso à memória de cálculo e aos parâmetros usados para chegar aos 3.573 habitantes e apresentou dados de outras bases oficiais para sustentar a contestação.

Além do cadastro eleitoral, os registros municipais de saúde também apontam números superiores à estimativa populacional do instituto.

Relatórios do Ministério da Saúde mostram 6.719 cidadãos ativos cadastrados na Atenção Primária à Saúde. Já os relatórios territorializados de acompanhamento registram 6.589 pessoas vinculadas.

Prefeita contesta estimativa após IBGE apontar menos moradores que eleitores
A prefeita de Jateí, Cileide Cabral da Silva Brito, do PSDB (Foto: Divulgação)

Esses cadastros estão associados às famílias e aos respectivos domicílios distribuídos pelas áreas e microáreas da Estratégia Saúde da Família. Os moradores são acompanhados pelos agentes comunitários de saúde, responsáveis por visitas periódicas e pelo contato direto com as famílias.

A metodologia da Saúde é diferente da utilizada pelo IBGE e os dados não substituem o Censo. Ainda assim, a equipe da prefeita Cileide Cabral da Silva Brito (PSDB) argumenta que os registros representam uma população identificada territorialmente, vinculada a domicílios e acompanhada pelas equipes municipais.

Com isso, duas bases oficiais voltadas a finalidades distintas apresentam números superiores à estimativa do IBGE. São 4.351 eleitores aptos registrados pelo TRE-MS e 6.589 cidadãos acompanhados territorialmente pela Saúde, enquanto o instituto estima 3.573 habitantes no município.

A contestação também aponta uma redução na própria série de estimativas do IBGE. No Censo de 2022, Jateí tinha 3.586 habitantes. A estimativa subiu para 3.596 em 2025, mas caiu para 3.573 em 2026.

Outro aspecto apresentado no recurso é a extensão territorial do município. Jateí possui aproximadamente 1.933 quilômetros quadrados e tem moradores distribuídos entre áreas urbanas e rurais. A característica também foi citada no pedido para que o instituto reavalie os parâmetros utilizados no cálculo.

A prefeitura afirma que não pretende substituir a metodologia oficial pelos cadastros eleitoral ou de saúde. O objetivo do recurso é fazer com que o IBGE analise tecnicamente as divergências e verifique se houve erro, inconsistência ou necessidade de ajuste na estimativa.

A diferença também tem efeitos que vão além da estatística. Os dados oficiais de população são utilizados como referência em políticas públicas e em critérios relacionados à distribuição de recursos aos municípios. Em cidades pequenas, uma variação de algumas centenas de moradores pode representar impacto proporcionalmente maior.

O recurso está agora sob análise do IBGE. A contestação se apoia principalmente em três números: os 3.573 habitantes estimados pelo instituto, os 4.351 eleitores aptos registrados pelo TRE-MS e os 6.589 cidadãos acompanhados territorialmente pela rede de Saúde.

A expectativa da prefeita é que o IBGE esclareça as razões da diferença e, caso identifique alguma inconsistência, revise a estimativa populacional de Jateí. O Campo Grande News procurou a assessoria de comunicação do IBGE em Mato Grosso do Sul, mas o órgão ainda não se manifestou.

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