Artistas de MS levam teatro, dança e literatura para palcos de Berlim
André Tristão, Marcus Perez e Febraro de Oliveira fizeram estreia internacional de trabalhos na Alemanha

Três artistas de Mato Grosso do Sul foram colocar teatro, dança e literatura produzidos por aqui diante do público de Berlim. André Tristão, Marcus Perez e Febraro de Oliveira passaram cerca de três semanas na capital alemã, onde participaram de uma residência artística e fizeram a estreia internacional de seus trabalhos.
Eles chegaram à Alemanha no dia 20 de agosto para o projeto “MS na Alemanha”, criado por André. Além das apresentações, a viagem incluiu ensaios, treinamentos e troca de experiências com a PlaygroundBerliM Crew, coletivo formado por artistas de diferentes países e áreas, como dança, teatro, música e performance.
“Além de mostrar nossos trabalhos, estamos convivendo com outras metodologias, espaços e formas de pensar a criação”, conta André.
As apresentações aconteceram entre os dias 3 e 6 de setembro. Febraro de Oliveira abriu a programação com a leitura integral, em português, de “Longa noite a ferir o céu de seu nome”, romance que ainda está sendo escrito e tem lançamento previsto para o fim de 2027.

No dia 5, foi a vez de André Tristão apresentar “Eu Preciso Que Vocês Me Escutem”, solo que estreou em Campo Grande em 2023 e mistura teatro, dança e performance.
Já Marcus Perez levou ao palco “Estudos para não fazer a mesma coisa”, espetáculo de dança construído a partir de improvisação, memórias e experiências de cotidianos queers.
Os artistas também participaram da Pracinha 2x2, performance da PlaygroundBerliM Crew em que não existe uma história pronta. A proposta é criar a partir do que acontece naquele momento, misturando dança, teatro, música, palavra e performance.
A ponte entre Mato Grosso do Sul e Berlim passa por outro sul-mato-grossense: Geraldo Si, bailarino e coreógrafo nascido em Aquidauana e radicado na Alemanha.
Geraldo começou a trajetória na dança em Mato Grosso do Sul nos anos 1980 e foi um dos fundadores do Pantanáliadança. Em 1990, passou a integrar o Wuppertaler Tanztheater, companhia dirigida pela coreógrafa alemã Pina Bausch, e participou de mais de dez trabalhos dirigidos por ela.
André conheceu Geraldo em Campo Grande, em 2015. Anos depois, o bailarino assistiu ao espetáculo “Eu Preciso Que Vocês Me Escutem” e o convidou para participar de uma performance em São Paulo (SP). A parceria continuou e André esteve pela primeira vez em Berlim, trabalhando com o coletivo, em 2024.
Marcus e Febraro também desenvolveram trabalhos com Geraldo. Dessa aproximação nasceu a ideia de reunir os três artistas no intercâmbio.
“Acho especialmente significativo que essa troca aconteça a partir da relação com Geraldo, um artista que saiu de Mato Grosso do Sul, construiu uma trajetória internacional tão importante e continua interessado em estabelecer diálogos com artistas do estado”, diz André.

Para André, apresentar um trabalho criado em Mato Grosso do Sul para um público que não fala português também trouxe um desafio inesperado. Foi preciso pensar não apenas na tradução, mas em como os idiomas poderiam fazer parte das próprias apresentações.
“Isso deixa de ser uma questão prática de tradução e passa também a interferir artisticamente na forma como os trabalhos chegam ao público”, explica.
Além do intercâmbio, André aproveitou a temporada em Berlim para continuar os ensaios de “Eu Vou Dançar Seu Ódio!”, próximo espetáculo dele, com estreia prevista para o fim de setembro, em Campo Grande.
O Edital de Intercâmbio Cultural da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul selecionou o projeto “MS na Alemanha”, com recursos da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc).
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