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Interior

Vereadora é acusada de ameaçar descarregar pistola na boca de assessora

Maria Imaculada Nogueira (PP), a Lia Nogueira, nega a denúncia e fala em traição por armação política

Por Clayton Neves | 02/08/2021 22:21
Vereadora Lia Nogueira durante sessão da Câmara Municipal de Dourados. (Foto: Arquivo Pessoal)
Vereadora Lia Nogueira durante sessão da Câmara Municipal de Dourados. (Foto: Arquivo Pessoal)

Chefe de gabinete da vereadora Maria Imaculada Nogueira (PP), a Lia Nogueira, procurou a polícia no fim da tarde desta segunda-feira (2), para denunciar ameaças de morte que, segundo ela, recebeu da parlamentar de Dourados. À polícia, a servidora de 32 anos contou que ela e os filhos foram ameaçados e que, em mais de uma ocasião, Lia disse que atiraria com uma pistola 9 milímetros na boca da servidora.

Em depoimento, a funcionária disse que assumiu a chefia do gabinete da vereadora no início deste ano, porém, afirmou que a relação das duas ficou estremecida desde que Lia assumiu investigação contra a Prefeitura de Dourados, na tentativa de provar supostas fraudes em contratos publicitários.

De acordo com a assessora, a parlamentar ficou “mentalmente perturbada” e passou a apresentar "comportamento descontrolado”, inclusive, coagindo equipe de trabalho em conversas enviadas no grupo de WhatsApp que usavam.

Há cerca de um mês, a funcionária disse que foi até a casa de Lia, onde teria recebido a primeira ameaça. “Uma pessoa me perguntou se eu confio em você, porque você sabe sobre toda minha vida. Respondi que se você me trair, eu te mato”, teria dito a vereadora. Depois disso, a chefe de gabinete afirma que passaram a ser constantes as ameaças, no entanto, que a maioria delas era feita em tom de brincadeira.

Há cerca de 25 dias, o desentendimento passou a ganhar tom mais forte. Na delegacia, a vítima contou que em uma reunião com todos os assessores a parlamentar voltou a intimidá-la de maneira mais dura. “Se você me trair ou se vender, eu dou um tiro na sua boca", teria afirmado.

Dias depois, a mulher afirma que estava em um jantar e que Lia teria abordado os filhos dela, de 9 e 10 anos. Em rápida conversa, “aconselhou” as crianças a não saírem de casa até a investigação contra a prefeitura acabar. Para justificar o conselho, que a vítima entendeu como ameaça, afirmou que os menores de idade poderiam ser sequestrados.

A gota d'água para a trabalhadora aconteceu no dia do aniversário de Lia Nogueira. Segundo a denunciante, durante discurso, ela afirmou que descarregaria uma pistola nove milímetros na boca da ex-aliada, que ainda era mantida no cargo de assessora. Na ocasião, o marido da funcionária teria intervido e firmado que se não havia confiança na relação que a parceria fosse encerrada. A vereadora concordou e disse que estava pensando no caso.

Na tarde de hoje, a funcionária pediu demissão no grupo do WhatsApp e procurou a delegacia para registrar a ocorrência, protocolada como ameaça.

Em resposta ao Campo Grande News, Lia Nogueira negou as acusações e disse estar tranquila. “Isso não me causa estranheza diante da denúncia que estou investigando. Se ela está me denunciando, terá de provar”, afirmou.

A parlamentar ainda afirmou que pretende registrar Boletim de Ocorrência contra a ex-chefe de gabinete, que segundo ela, era uma amiga e irmã. “Sempre tive um carinho grande por ela, mas acredito que isso é uma armação que envolve o que estou investigando. Não tenho como provar, mas creio que ela foi cooptada, porque as denúncias envolvem gente poderosa”, completou. Lia também negou que tenha arma de fogo.

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