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Campo Grande, Sábado, 17 de Agosto de 2019

05/09/2018 22:22

Vespas centenárias em MS escaparam do incêndio no Museu Nacional

Coleção com 82 insetos está emprestada a UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), desde 2015

Adriano Fernandes e Anahi Gurgel
As 82 vespas foram coletadas em várias regiões do país. (Foto: Divulgação) As 82 vespas foram coletadas em várias regiões do país. (Foto: Divulgação)

Enquanto pesquisadores ainda garimpam em meio aos escombros do Museu Nacional no Rio de Janeiro, resquícios do que tenha resistido, mesmo que aos pedaços em meio a tanta destruição depois do incêndio do último domingo (02), em Mato Grosso do Sul, o que antes fazia parte do acervo consumido pelas chamas, “escapou” e permanece intacta.

A coleção de 82 vespas Spheciformes, há três anos, esta emprestada para a UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), devido à pesquisa do doutorando Bhrenno Trad, aluno da Pós Graduação em Entomologia e Conservação da Biodiversidade da universidade, que fica a 233 quilômetros de Campo Grande.

“Ele esteve no Museu no final de 2015 para estudar essas vespas e trouxe um material para analisar aqui em Dourados a título de empréstimo. A coleção, era pra ter sido devolvida há algum tempo, contudo, ele atrasou a devolução depois de passar seis meses na California em um estágio de doutorado no Museu de San Franscisco”, comentou o professor Rogério Silvestre, da UFGD.

Ainda não há um balanço preciso do quanto da riqueza histórica do País, virou cinzas devido à tragédia, mas a coleção dos insetos, agora, deve figurar na história entre o que que restou do acervo do museu.

“Essas vespas que estão aqui em Dourados foram coletadas em várias regiões do Brasil, por vários pesquisadores e algumas etiquetas possuem data de coleta de 50, 60 até 100 anos. Em relação ao Mato Grosso do Sul esse material emprestado, serve pra gente comparar as características das espécies amostradas com as coletadas aqui no Estado”, explicou o professor, sobre a relevância histórica e científica do material.

Silvestre já fez contato com o curador do Museu Nacional, Doutor Felipe Vivallo, informando que a coleção esta em Mato Grosso do Sul. “Escrevi dizendo que assim que eles tiverem infraestrutura para receber o material de volta nós providenciaremos a devolução”, pontuou.

Prejuizo irreparável 

O incêndio do museu também apagou parte da história do Estado. Além de vasto material sobre a guerra do Paraguai, incluindo um livro de poemas do ditador Paraguai Francisco Solano Lópes, o museu abrigava o maior acervo da etnia sul-mato-grossense Guarani Kaiwá.

Levantamento apontou que no prédios, dentre os mais de 20 milhões de peças do acervo, ficavam guardadas 265 peças dos Guatós, entre objetos de cerâmica e artefatos religiosos. Também foi consumido o fóssil do crânio do "cavalo pré-histórico", encontrado ainda em 12 de novembro de 1974 às margens do Rio Paraguai, em Corumbá. O crânio do animal, que teria vivido entre 18 mil e 30 mil atrás, foi doado no mesmo ano ao Museu Nacional.

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