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20/06/2009 08:05

Lideranças discutem questão indígena de MS em seminário

Redação

Lideranças indígenas de Mato Grosso do Sul aprendem política e discutem em seminário na aldeia urbana Água Bonita, em Campo Grande, assuntos que este ano são colocados como prioridade para as etnias do Estado: demarcação, combate a violência e discriminação.

A idéia é repassar informações sobre instrumentos jurídicos, legais nacionais e internacionais que amparam aos povos indígenas em suas lutas.

Entre as etnias representadas, índios que vivem já nas cidades e os que estão nas aldeias têm leituras diferentes sobre o que mais é urgente para as comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul.

Em um Estado onde as comunidades indígenas aparecem nas estatísticas com recordes entre as aldeias em números de assassinatos (70% dos registrados em 2008 no País) e suicídios (100%), o gestor de Educação e um dos responsáveis pelo evento, Marcelo Brito dos Santos, diz que o objetivo é conscientizar os líderes indígenas sobre os problemas e fazer a formação política, mostrando quais são as obrigações do poder público com essas comunidades.

O guarani Roberto Carlos garante que a violência não é de "índio é contra índio" e sim porque as comunidades foram empurradas a uma situação de injustiça com "fome, desnutrição, suicídio, droga, álcool e violência de qualquer tipo".

O terena Dionedson Cândido, de 31 anos, representante da Água Bonita, explica que o seminário é o fim de um trabalho realizado entre as aldeias desde o ano de 2003.

Para ele, a troca de experiências entre os líderes das diversas comunidades fortalece o movimento indígena. "Como as aldeias são distantes, fica difícil trocar informação uma com a outra", explica.

Segundo o terena, a maior dificuldade dos índios que vivem na área urbana é a discriminação sofrida pelo restante da sociedade. "A sociedade discrimina, e o desemprego é grande entre nós", afirma. Além disso, Dionedson destaca problemas de infra-estrutura.

O índio guarani, Roberto Martins, de 28 anos, lembra que as deficiências enfrentadas nas aldeias urbanas não são diferentes das comunidades que ainda vivem na zona rural. "A nossa realidadede preconceiro é a mesma daqui", revela.

Terra - Um dos palestrantes, o antropólogo Antônio Brand, por exemplo, reforçou durante o seminário que não cabe dúvidas de que grande parte das terras reivindicadas pelos indígenas em Mato Grosso do Sul pertence ao índio.

Ele caracterizou como absurdo o que ocorre hoje no estado e lembrou às lideranças que historicamente o colonizador branco ignorou ao índio e só se deu conta de sua existência quando houve resistência e que desde esse momento já é fácil de imaginar o que aconteceu com as comunidades indígenas.

Segundo ele, na região de Maracaju até fazendeiros sabem que "os primeiros colonizadores tiveram muitos problemas para impor a paz aos índios e que só conseguiram pacificá-los através das armas".

Roberto veio da aldeia Porto Lindo, no município de Japorã, que fica na fronteira com Paraguai. Ele afirma que a área em que vivem 5 mil índios é de apenas 1.500 hectares, número já na cabeça da maiorias do índios, no discurso pela urgência das demarcações.

"Ficamos confinados", afirma. Um dos pontos que ele aponta como imprescindíveis para melhorar a qualidade de vida dos índios é o acesso à terra.

Por conta dessas e de outras questões políticas que atingem a sociedade indígena, o índio guarani acredita que a iniciativa do seminário terá efeito positivo para que as lideranças consigam traçar um panorama das aldeias pelo Estado, decidir quais são as prioridades e cobrar soluções. "Isso vai ajudar a nos fortalecer politicamente", destaca.

Política - A representante municipal dos Direitos dos Povos Indígenas, Susie Guarani, de 38 anos, critica o Estado e vários municípios que possuem aldeias mas não prestam apoio efetivo aos povos indígenas.

Ela afirma que, quando a demarcação de terras veio à tona em MS, o movimento indígena perdeu força porque as instituições não quiseram entrar em confronto com os interesses dos produtores rurais.

Susie explica que a organização pretende dar continuidade ao trabalho que está sendo desenvolvido nestes dois dias, levando seminários como esse para os municípios do interior do Estado.

Programação - Organizado pela Rede de Educação Cidadã, que conta com o apoio do Governo Federal, o seminário prevê a realização de palestras e oficinas com cerca de 50 líderes indígenas.

Hoje, o Seminário terá duas oficinas, que serão realizadas pela manhã, com os temas Violência contra a Mulher e Movimentos Sociais. Os trabalhos seguem na aldeia urbana Água Bonita, no bairro Jardim Vida Nova, em Campo Grande, até às 17h.

Além das lideranças, participam do evento entidades ligadas aos movimentos indígenas do Estado, como o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), além de instituições com atuação internacional, como a Fian (FoodFirst Information & Action Network), que significa Rede de Informação e Ação pelo Direito a se Alimentar.

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