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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

18/08/2009 14:40

Mãe de Dudu acompanha depoimentos e se diz surpresa

Redação

Eliane Aparecida Martins, mãe de Luiz Eduardo Gonçalves Martins, o Dudu, acompanhou os depoimentos das testemunhas que acusam José Aparecido Bispo da Silva, o Cido, e Holly Lee de Souza, 23 anos, de ter assassinado o filho, em dezembro de 2007, em Campo Grande. Ela chorou por diversas vezes e disse ter ficado surpresa com algumas declarações.

A cozinheira conta que ficou sabendo como o garoto foi morto através da Polícia Civil, no entanto, não sabia detalhes e nem quem eram as pessoas que tinham visto ou ouvido os gritos de Dudu no dia do crime, mas não contaram.

"Fiquei surpresa com essas pessoas que viram o que aconteceu com meu filho. Elas viram o nosso sofrimento, a dor, sabiam dos detalhes e não fizeram nada", diz Eliane, emocionada. "A gente sofre, mas cria forças".

Dos moradores do Jardim das Hortênsias que viram ou ouviram Dudu sendo espancado, quatro foram ouvidos nesta terça-feira pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos. A audiência teve início às 8h30 e só terminou pouco antes das 13h.

Todas as testemunhas já foram ouvidas pela Deaij (Delegacia de Atendimento à Infância e à Juventude), que no início deste ano, conseguiu chegar a cinco envolvidos, todos já presos. Três adolescentes estão, inclusive, condenados.

Uma das testemunhas que relatou à Polícia e também à Justiça o que viu foi Maria de Fátima Leandro, conhecida como Marlene. Ela chegou a ficar 23 dias presa.

A vizinha, e considerada amiga de Eliane, disse que viu Holly, um irmão dele adolescente e outro garoto, entrando com Dudu na casa de Cido, no fim da noite do dia 21 de dezembro. Segundo ela, Dudu estava desmaiado e foi colocado em um banco.

Marlene contou ainda que viu uma adolescente, irmã de Holly, pedir um pano a Cido para tapar a boca de Dudu. Ela relatou ainda quando os garotos levaram o menino desmaiado para o local conhecido como mangal.

A mãe da vítima, disse que, apesar de saber do envolvimento da vizinha, ainda foi uma surpresa o depoimento de Marlene. "Ela sabe de mais coisas e não falou. Ela não contou tudo".

Eliane e Marlene chegaram a almoçar juntas um dia após o sumiço de Dudu e por várias vezes conversaram durante mais de um ano, enquanto, oficialmente, não se sabia que Dudu havia sido assassinado.

Após ter conhecimento que Marlene testemunhou Dudu sendo espancado, Eliane não teve mais contato. "Não consigo mais falar com ela".

Pela caixa de correspondência - Uma dona de casa conta que viu Dudu sendo chutado por Holly. Ela revelou que estava deitada quando ouviu gritos e levantou.

Pela fresta da caixa de correspondência, ela viu Dudu, Holly e os três adolescentes condenados. Holly chutava a barriga do menino e dizia "você vai, você vai", como se ele estivesse tentando levar o garoto para algum lugar, mas Dudu resistia.

No muro -Enquanto a dona de casa testemunhou o espancamento de Dudu pela caixa de correspondência, ela diz que outra vizinha subiu no muro e viu o menino sendo chutado.

Aos prantos, a outra mulher contou à Justiça que também estava dormindo e ouviu pedidos de socorro. Então se levantou, subiu em um monte de pedras e pelo muro viu Dudu abaixado, com as pernas abraçadas e chutado por Holly e o irmão dele adolescente. "Holly falava você vai e o Dudu eu não vou", repetiu a testemunha.

A mulher viu o espancamento por cinco minutos. "Ele estava com a camiseta azul que disseram que ele vestia quando desapareceu".

Sobre o depoimento emocionado, ela justificou. "Eu vi o guri pedindo socorro e não fiz nada". Ela declara que não falou antes à família da vítima nem à Polícia por medo de represálias.

Boa audição - A oitava testemunha desta manhã disse que ouviu gritos de socorro de Dudu e reconheceu a voz do menino, de Holly e dois irmãos dele adolescentes.

A jovem contou que conseguiu reconhecer a voz porque conhece a todos desde crianças e porque Dudu brincava com o irmão dela.

Ameaças - Todas as testemunhas dizem que não contaram antes o que sabiam por medo. Elas alegam que Cido e Holly são pessoas perigosas.

De acordo com a maioria das testemunhas, Cido mandou matar Dudu após ter feito várias ameaças a Eliane. Os dois haviam tido um relacionamento amoroso e estavam separados. Ele queria reatar.

Adolescentes -Dois dos adolescentes condenados por envolvimento no crime foram ouvidos. Foi através de um deles que a Polícia conseguiu detalhes do espancamento e ocultação do cadáver.

O garoto de 17 anos, que primeiramente foi preso por roubo, disse que só viu o espancamento e ocultação porque foi ameaçado por Holly. Declarou ainda que no dia dos fatos havia fumado maconha.

Sobre o garoto, a mãe de Dudu diz. "Ele ia nas passeatas com a gente, ajudava a procurar o Dudu, vestia a camiseta. Nunca me falou nada", declara Eliane.

Também prestou depoimento outro adolescente condenado pelo crime. Irmão de Holly Lee, mas o garoto disse que não viu nada e nem sabe de nada.

O adolescente se restringiu em afirmar, por várias vezes, que não tem envolvimento com o caso. "Só sei que não vou pagar um B.O. que eu não fiz. Só sei que sou inocente. Se morreu, não morreu, não sei. Se está vivo, não sei", disse sobre Dudu.

Os acusados- Toda testemunha pode optar por ser interrogada com ou sem a presença dos acusados. Na audiência desta terça, somente Eliane e Marlene falaram na frente de Cido e Holly Lee.

O último adolescente a ser ouvido começou a ser interrogado na frente dos acusados, no entanto, houve um principio de confusão. O garoto se exaltou, não respondia às perguntas feitas, se restringindo apenas em dizer que era inocente. Diante da situação, o juiz pediu para que Holly e Cido saíssem, mas o garoto sustentou a versão.

Defesa - O juiz marcou para quinta-feira (20) a oitiva das testemunhas de defesa e o interrogatório dos réus. Segundo Aluízio, são três testemunhas. A audiência está marcada para começar às 8h30.

Depois é dado prazo para alegações finais e feita a sentença de pronúncia

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