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Campo Grande, Segunda-feira, 23 de Abril de 2018

25/01/2018 12:19

Peixes “formam famílias” e permitem pesquisas enquanto esperam Aquário

São 189 tipos do animal que vivem em tanques instalados em um galpão na PMA

Mayara Bueno
Peixes em aquário na sede da PMA, em Campo
Grande. (Foto: Saul Schramm).Peixes em aquário na sede da PMA, em Campo Grande. (Foto: Saul Schramm).

Enquanto 'aguardam' o Aquário do Pantanal, os peixes que vão povoar os tanques previstos no projeto formam "famílias inteiras" e proporcionam pesquisas inéditas. São 189 tipos do animal que vive em tanques instalados em galpão na sede da PMA (Polícia Militar Ambiental), em Campo Grande.

Segundo Heriberto Gimenes Junior, biólogo e coordenador da quarentena dos peixes, 41 espécies se reproduziram recentemente. Um deles, o cascudo, se reproduziu pela primeira vezem cativeiro. "Hoje não é uma quarentena apenas, é um laboratório de pesquisa". 

Hoje, habitam os aquários 10 mil peixes. Em julho de 2017, eram 7,2 milPara explicar a importância disso para a pesquisa, o biólogo conta que todo o desenvolvimento desde a desova até a formação do corpinho é acompanhado e registrado. Um trabalho minucioso, já que o crescimento até que se forme o peixe leva apenas 72 horas, dependendo da espécie. 

"Fizemos isso com várias espécies e não tem nenhuma pesquisa referente a isso no mundo. A gente fala que foi até importante esta pausa para os peixes. Porque naquela época ninguém sabia como comiam direito, como se reproduziam e hoje nós temos essa noção para levar esses peixes com segurança para o Aquário".

Os dados coletados com o trabalho e outros estudos feitos serão publicados posteriormente. "Para o conhecimento dos peixes do Pantanal foi importantíssimo". Entre os tipos, 120 são do Pantanal e o restante se divide em espécies da Amazônia, África, Ásia, Oceania e América Central. Contudo, todos foram criados no Brasil.

 

Há espécies de seis regiões do mundo. (Foto: Saul Schramm).Há espécies de seis regiões do mundo. (Foto: Saul Schramm).
Aquários no galpão da Polícia Militar. (Foto: Saul Schramm).Aquários no galpão da Polícia Militar. (Foto: Saul Schramm).

Readequação - As espécies chegaram em 2014. Na época, a expectativa era que eles aguardassem apenas alguns meses até a conclusão do Aquário. Situação que não ocorreu por diversos problemas e fez com que o Imasul (Instituto de Meio Ambiente) reestruturasse o local para manter os animais com vida e saudáveis.

"Um peixe pequeno consegue sobreviver tranquilamente em um aquário pequeno. Mas a questão não é essa e, sim, como estão sendo cuidados".

Para mantê-los bem, até por se tratar de tipos com necessidades diferentes, foram comprados aquários, além dos tanques e filtros foram instalados. A troca de 30% da água é feita constantemente e há um cronograma semanal de limpeza, afirma o biólogo.

"Eles estão bem. Reproduzimos 41 espécies e a reprodução é o ápice do bem estar do animal. Ele só vai se reproduzir em cativeiro se ele estiver muito bem. É um indicativo".

O coordenador da quarentena afirma que poucos peixes morreram neste período. Situação que é natural, explica, tanto em quarentena ou em aquário. "Ás vezes o peixe é capturado e está velho. Quando é coletado não sabemos quanto tempo de vida. Não dá nem para saber a causa, apenas em alguns casos específicos".

 

Além de aquários, tem peixes que ficam em tanques. (Foto: Saul Schramm).Além de aquários, tem peixes que ficam em tanques. (Foto: Saul Schramm).

Quando o Aquário estiver pronto, as espécies terão de ser transportadas separadamente. As mais frágeis devem ir primeiro, seguido dos animais mais fortes. O processo deve levar de três a quatro meses.

Conclusão - O empreendimento é bastante criticado, quase que na mesma medida em que é aguardado. A informação mais recente é de que o Aquário ficará pronto em 10 meses. Por enquanto, a obra está totalmente paralisada depois de uma série de problemas jurídicos. Já foram gastos R$ 200 milhões, conforme dados oficiais.

A expectativa é que mais R$ 39 milhões sejam aplicados na construção. A atual administração estadual sempre sustentou que não começaria uma obra como essa, mas, já que foi iniciada, precisa ser concluída, afirmou.



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