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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

18/01/2015 11:04

Sisu amplia mobilidade e evasão explode nas universidades públicas

Flávia Lima
Yvelise Possiede garante que evasões não prejudicam  o funcionamento pleno dos cursos da UFMS. (Foto:Divulgação) Yvelise Possiede garante que evasões não prejudicam o funcionamento pleno dos cursos da UFMS. (Foto:Divulgação)

O Sisu (Sistema Unificado de Selação) ampliou a oportunidade de ingresso no ensino superior, mas fez a evasão disparar nas universidades públicas. Na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), o principal reflexo ocorreu na abertura de vagas para estudantes com diploma, que são selecionados para preenchera as vagas abertas pelo abandono, que passou de 27 para 2,9 mil em 13 anos. 

O ano letivo está prestes a começar, mas várias universidades públicas não conseguiram preencher todas as vagas disponíveis no quadro acadêmico. A abertura de editais com oportunidades para pessoas formadas tem sido uma forma encontrada por essas instituições para garantir um melhor aproveitamento de suas estruturas, evitando prejuízos e oferecendo aqueles que já tem uma graduação, a oportunidade de retomar os estudos sem a necessidade de fazer o vestibular ou o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

É o caso da UFMS, que está disponibilizando 2.957 vagas para portadores de diplomas em 73 dos 96 cursos oferecidos pela instituição, espalhados em Campo Grande, Aquidauana, Corumbá, Chapadão do Sul, Coxim, Paranaíba, Nova Andradina, Naviraí, Ponta Porã e Três Lagoas. O número de vagas oferecidas ao graduados representa mais da metade do total oferecido este ano aos alunos que desejam ingressar na instituição via Sisu (Sistema Unificado de Seleção de Calouros). Este ano a UFMS disponibiliza 4.520 vagas aos novos alunos.  

A oferta de vagas remanescentes tem ligação direta com as evasões, registradas geralmente nos primeiros anos do curso. Segundo a pró-reitora de Ensino de Graduação, Yvelise Maria Possiede, essa é uma realidade que afeta todas as universidades do país, nos últimos anos. “O Brasil vive um momento de evasão. O MEC vem realizando estudos para detectar as causas, mas ainda não há um estudo conclusivo sobre a questão”, diz. Apesar de não ter dados estatísticos sobre o número de evasões nos cursos da UFMS, a pró-reitora afirma que percebe o crescimento no número de desistências. Um dos indicadores é justamente o número de vagas oferecidas aos graduados.

De acordo com o edital de 2002, o mais antigo disponível no site da UFMS, naquele ano, a universidade ofereceu aos graduados apenas 27 vagas em quatro cursos. No ano passado, esse número foi de 3.063 vagas, apenas 109 a menos das oferecidas esse ano.

Para a professora Yvelise Possiede, o Sisu (Sistema Unificado de Seleção de Calouros),que elimina o vestibular e foi adotado pela UFMS como forma de ingresso de alunos novos, levou mais alunos a disputar vagas nas universidades federais, além de flexibilizar as estruturas curriculares. Ele pode começar o curso em uma determinada cidade e depois mudar de local e até de curso, com mais facilidade. Dados do Mec apontam que a evasão não significa que o alunos desistiu da vida universitária, eles apenas migram para outros. E a evasão geral não se altera.

O problema é que aquele que possui nota mais baixa tende a entrar não no curso que deseja, mas no que sua nota foi suficiente. Ao mesmo tempo, também com o Enem, ele pode conseguir vaga na rede particular e com a ajuda do Prouni, que proporciona bolsas de estudo ou do Fies (financiamento), ele tem condições de arcar com as despesas . Assim, o aluno que queria Engenharia, mas entrou em Matemática na federal, pode em um ou dois anos conseguir vaga em Engenharia, em faculdade particular.

Já na Unigran (Universidade da Grande Dourados), que é uma instituição privada, o processo de ingresso para novos alunos é feito através de vestibular, mas a universidade reserva 5% para o Enem. O diretor-geral do núcleo de Campo Grande da Unigran, Djanires Neto, também acredita que o Sisu, ao mesmo tempo em que ajuda o estudante a ingressar no ensino universitário, contribui com a evasão, já que, para ele, muitos candidatos não entram no curso que tem vocação devido a nota que obtém no Enem. "O aluno entra no curso com uma determinada expectativa e depois vê que não tem nada a ver com ele", destaca. 

Ele diz que não observa uma evasão significativa na Unigran, mas concorda que ela vem crescendo no país, especialmente nas universidades que aderiram 100% ao Sisu. A universidade também abriu processo para ingresso de portadores de diploma. O prazo vai até o dia 7 de março e é semelhante ao da UFMS. A seleção será feita pela análise de currículo. O professor não detalhou o número de vagas disponíveis. "Depende do curso escolhido por ele, mas os mais procurados costumam ser Enfermagem, Administração e Educação Física", diz.   

Outras razões - A pró-reitora da UFMS vai além, e destaca outras situações para a evasão, como a dificuldade de se manter financeiramente em uma cidade. Ela cita um quadro observado entre 2012 e 2013 em Três Lagoas, a 338 quilômetros da Capital, onde há um campus da UFMS com 14 cursos, entre eles o de Medicina e Direito, os mais disputados em todos os processos seletivos da universidade. A procura é tanta, que nesse processo de oferta de vagas para graduados, a universidade dispõe apenas de três vagas para o curso de Direito na cidade.

Yvelise conta que a industrialização do município elevou o custo de vida no município, tornando inviável a permanência de muitos estudantes na cidade. “Como os cursos são em período integral, fica complicado arrumar emprego e quem não dispunha de um auxílio familiar, acabava desistindo”, afirma.

A dificuldade de se adaptar a uma cidade ou questões relacionadas ao mercado de trabalho também são ressaltadas por ela como motivos para a desistência do curso. Porém, a pró-reitora afirma que na maioria dos casos os estudantes não saem completamente da instituição ou deixam a vida acadêmica. “É preciso computar também aqueles que trancam a matricula, mas continuam com um vínculo na universidade, sem falar naqueles que apenas mudam de curso, dentro da própria universidade”, afirma.

Para garantir que essas vagas não fiquem ociosas, a UFMS, assim como outras instituições, além das vagas para graduados, também abre vagas para transferências externas, destinadas aos universitários oriundos de outras cidades que queiram estudar na instituição e para movimentação interna, destinada aos estudantes da própria UFMS que, por exemplo, começam a cursar Direito em Campo Grande e desejam terminar em Três Lagoas. Nesse caso, a mudança só pode ocorrer entre cursos homônimos.

Yvelise revela que entre todas essas ofertas que garantem o funcionamento pleno da universidade, as vagas para graduados são as mais procuradas. Até o momento a UFMS já recebeu quase 1,5 mil inscrições e a expectativa da pró-reitora é que o número passe de duas mil, preenchendo praticamente todas as vagas oferecidas.

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