ACOMPANHE-NOS    
OUTUBRO, QUARTA  20    CAMPO GRANDE 22º

Bate Papo Empreendedor

Broken Windows Theory na sua Empresa?

Por Heitor Castro | 07/10/2021 07:37

A teoria das janelas quebradas ou "broken windows theory" foi criada na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Iniciada como uma experiência de psicologia social, com o único objetivo de combater os altos índices de criminalidade no país. No experimento, eles deixaram dois carros iguais, abandonados nas ruas de Bronx, área de grande conflito e pobre de Nova York, e em Palo Alto uma cidade pacifica e rica na Califórnia. O propósito era estudar o comportamento das pessoas nos locais. O veículo no Bronx aos poucos começou a ser danificado, vários itens foram furtados, levaram tudo que pudesse ser aproveitável e o que restou destruíram. Já o carro em Palo Alto, se manteve irretocável durante dias, então os pesquisadores quebraram um vidro do veículo para ver se algo acontecia, e como consequência, alguns dias depois o mesmo processo que ocorreu no bairro pobre de Nova York, aconteceu no bairro nobre da Califórnia.

A pergunta que fica é, por que o veículo com o vidro quebrado em um bairro nobre, teve o mesmo processo que em um bairro pobre? Podemos perceber que tudo está relacionado com a consciência humana e não com a pobreza em si. O fato é o ambiente desenvolvido no local. As pessoas que passavam por ali pensavam “Esse carro está parado aí a dias com o vidro quebrado, esse ambiente está abandonado”, ou seja, isso nos comunica conceitos de desídia, desleixo, negligência, demonstrando que a lei está ausente naquela área.

Com um carro e seu vidro quebrado criou-se todo esse ambiente, um cenário que pode começar apenas como uma simples atitude depredatória, caso não exista nada que a impeça, faz gerar e multiplicar o índice de ações desse tipo.

Com uma perspectiva mais ampla, a teoria se encaixa em vários seguimentos dentro de um empreendimento. Se a desídia estiver em alta na empresa, consequentemente os colaboradores podem estar desempenhando suas atividades com desânimo, atrasos frequentes, faltas injustificadas, desinteresse pela função, etc. A desídia acaba sendo pulsante nos departamentos onde o descuido, a sujeira e a desordem são maiores. Se por alguma razão não se organiza uma prateleira e ninguém o repara, muito rapidamente estarão desorganizadas todas as prateleiras. Se um departamento possui indicadores de indisciplina, e esse fato parece não importar a ninguém, isso fatalmente irá gerar um aumento de atos de insubordinação e trará com sigo o efeito dominó, com perdas, furtos internos, desperdícios, situações antes não existentes que surgirão com o tempo.

A importância de se atentar a desordem e a desídia é que, aos poucos, elas podem se infiltrar nos diversos departamentos da empresa sem que você perceba, podendo causar o declínio do negócio, com a queda das vendas, queda do desempenho dos colaboradores, virando um ciclo vicioso.

Utilizando outro contexto, se, por exemplo, uma janela de uma fábrica ou escritório fosse quebrada e não fosse consertada, quem por ali passasse e se deparasse com a cena, logo iria concluir que ninguém se importa com a situação e que naquele local não existe autoridade responsável pela manutenção dos bens da empresa. Em seguida, as pessoas interessadas deixariam de visitar o empreendimento, relegando o lugar à mercê de gatunos e desordeiros, pois apenas pessoas desocupadas ou imprudentes se sentiriam à vontade para visitar um local cuja decadência se torna evidente. Por isso a importância de se preservar a estrutura interna e externa do negócio, como a fachada da empresa de pichações, componentes de segurança, sensores, câmeras, cercas elétricas, etc. Fazendo-nos refletir que as mais pequenas desordens, levariam para as grandes desordens.

Em paralelo ao mundo empresarial, no nosso ambiente civil, quando são cometidos pequenos deslizes, como estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade, passar com o sinal vermelho, e as mesmas não sendo sancionadas, logo começam descuidos maiores e delitos cada vez mais graves. Por exemplo, se admitirmos atitudes dessa natureza como algo normal no desenvolvimento de uma criança, o seu padrão de desenvolvimento será de maior inconsequência, quando essa criança se tornar adulta. Ou seja, no mundo empresarial, se uma empresa não sanar essas adversidades, acaba sendo leniente com a desorganização e está fadada a sofrer sucessivas perdas no futuro.

Um departamento em que não se tenha presente essa liderança, fatalmente os colaboradores mais desleixados, se sentirão livres para não praticar suas atribuições com êxito, além de estimular os demais a também trabalhar na mesma sintonia. Um joio no meio do trigo pode influenciar negativamente a equipe, gerando futuros dilemas dentro da organização. Deixar uma torneira aberta, não desligar as luzes, pequenos furtos (papel, canetas, grampeadores), utilizar equipamentos sem os devidos cuidados, são alguns dos exemplos de pequenos desvios de conduta profissional.

Com o entendimento e a aplicabilidade dessa metodologia, poderemos reduzir drasticamente as perdas das mais variadas, pois qualquer departamento pode aplicar essa política de tolerância zero com a desordem e a desorganização. Em todos os tipos de ambientes isso pode acontecer, um simples armário, uma mesa, um depósito, já se faz presente a teoria das janelas quebradas. Se pequenas situações como essas não forem contidas, inevitavelmente as condutas desidiosas mais graves irão crescer, já que não houve responsabilização pelos desvios de condutas menos graves.

Implantadas todas essas informações, qualquer ação futura do negócio, uma contratação, por exemplo, o colaborador já entra em um ambiente propicio ao êxito e ciente de como a engrenagem do empreendimento funciona, aumentando suas as chances de sucesso em seu setor, pois a empresa proporcionou o ambiente correto para isso.

Lembrando que é importante não dar ênfase de rigidez policial ou autoritarismo no conteúdo aqui exposto e sim alinhar todos os astros para que o seu business alcance seus objetivos e metas de sucesso.

Nos siga no Google Notícias
Regras de comentário