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Bate Papo Empreendedor

Os princípios opostos complementares

Heitor Castro | 06/01/2022 08:30

A vida é produto da interação de dois princípios opostos complementares:

Masculino e feminino.

O nosso modelo de gestão tradicional — comando e controle — foi muito inspirado pelo princípio masculino, algo que deu muito certo enquanto o mercado permitia essa filosofia de comando e controle.

Hoje, em tempo de instabilidade e incerteza, a gestão precisa muito mais do princípio feminino para funcionar como um sistema vivo, sensível e adaptativo.

O motivo? Eu explico.

O ideal seria colocar massivamente o princípio feminino na gestão do negócio, com mais mulheres na liderança das empresas e como consequência "mais" princípio feminino nas decisões.

O fato é que o princípio feminino usa a intuição, é realista, tem a visão do todo! E por esse motivo é ágil para ler os mais diversos cenários, fazer diagnósticos e reagir; é integrador, interativo e criativo.

Todos nós, homens e mulheres temos as duas competências do masculino e feminino, porém o predomínio do princípio masculino em nossa cultura, favoreceu a competição e não a cooperação, a razão e não a intuição, a fragmentação e não a integração.

E hoje isso não funciona mais.

O modelo de gestão comando e controle precisa evoluir para fazer a empresa continuar viva e adaptativa, por isso é preciso unir os dois princípios, para funcionarem igualmente o tempo todo: pragmático e idealista, os dois em um.

Funcionar como nós, nosso cérebro por exemplo tem as duas competências distribuídas nos dois hemisférios, um é mais racional o outro é mais intuitivo, um vê as partes o outro vê o todo, um usa mais a palavra o outro mais a imagem, um analisa o outro sintetiza.

Quando esses dois hemisférios estão igualmente ativados se cria uma tensão positiva, nem racional nem intuitivo e sim criativo. E a verdade é que esse é o nosso projeto original de fábrica, a natureza é assim.

Mas a nossa cultura predominou o hemisfério esquerdo que comanda o lado direito do nosso corpo, por isso a nossa cultura “destra”.

Todo o prestígio é o destro, destreza é o que faz direito, é o correto. A força da cultura destra é tão forte que quando uma pessoa usa bem as duas mãos é chamada de ambidestro e não de ambicanhoto por exemplo, e que é o mesmo desprestígio sobre o princípio feminino no modelo de gestão comando de controle.

Quando o modelo de gestão põe o pé no chão ele cria uma saudável tensão entre os opostos, razão e intuição ao mesmo tempo, inovação e conservação ao mesmo tempo, longo e curto prazo ao mesmo tempo.

O que essa tensão significa? Significa que a empresa desenvolveu a competência do equilíbrio dinâmico, uma negociação permanente entre os dois princípios para encontrar a solução adequada para aquela circunstância, para aquela hora, pragmatismo idealista, idealista pragmático sempre em movimento.

Quando a gestão evolui de máquina para sistema vivo, portanto, capaz de inovar e conservar ao mesmo tempo, seu nome muda de comando e controle para — organizações ambidestras —.

Essa é a revolução necessária para sobreviver no mundo vivo, instável e inovador — biomimética.

Masculino e feminino, hemisfério direito e esquerdo, yin e yang, corpo e alma…

A ideia? Compreender que precisamos dos dois para ter vida e criatividade, com o objetivo de funcionar como um sistema vivo e literalmente dançar conforme a música.

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