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Boa Imagem

Maioria dos profissionais se veste de maneira inadequada

Quando a vestimenta não corresponde aos códigos visuais que esperamos, pode acontecer a perda de credibilidade

Por Larissa Almeida (*) | 12/07/2022 08:09

Quando se pensa em um profissional de determinada área, existem códigos visuais que representam sua profissão, como o jaleco, que está relacionado aos profissionais da saúde (por ter a cor branca, que transmite higiene e santidade, e linhas retas, relacionadas à formalidade e profissionalismo). Imagine ir até o escritório de um advogado e se deparar com uma pessoa vestida de calça jeans e camiseta estampada de corações. Na cabeça da maioria das pessoas, a expectativa é que um advogado se vista de terno e gravata, e em cores sóbrias. E isso não é à toa. O nosso cérebro interpreta as linhas retas, os tecidos mais encorpados e as cores escuras e neutras, normalmente usadas nos paletós, camisas e gravatas, como sinais de formalidade e credibilidade.

E isso não tem a ver com estereotipar pessoas e profissões. Tem a ver com os códigos visuais que o nosso cérebro interpreta como sendo mais informais e acessíveis, ou mais formais e de autoridade, por exemplo. E cada profissão “exige” que o profissional transmita determinadas informações através da sua aparência.

Imagine as seguintes situações. Contratar um tatuador e, ao chegar no estúdio, visualizar uma pessoa sem nenhuma tatuagem no corpo e de terno e gravata. Ou entrar em um consultório médico para tratar de um problema de saúde e encontrar o especialista vestido de camisa de futebol? Ou chegar a uma oficina mecânica para consertar o carro e encontrar um profissional trabalhando com as unhas perfeitamente limpas e a roupa branca limpíssima? Ou um arquiteto, que lida com design, chegando para atender os clientes de moletom surrado. A primeira impressão que temos é a falta de confiança de que aquele profissional dará conta do recado.

Quando a vestimenta do profissional não corresponde aos códigos visuais que esperamos para aquela determinada profissão, pode gerar a impressão de falta de credibilidade.

Pesquisa realizada pela companhia internacional de recrutamento, Robert Half, com 1.775 diretores de recursos humanos de 19 países (cem deles do Brasil), apontou que a maioria dos profissionais brasileiros se veste de forma inadequada para trabalhar. Quando perguntados se os funcionários de sua empresa se vestiam de forma imprópria ou incomum, 22% dos diretores brasileiros afirmaram que viam os colegas malvestidos com muita frequência e 54% disseram que percebiam com certa frequência. Já a média mundial foi de 9% para aqueles que optaram pela opção de muito frequente e 42% com certa frequência.

Quando a pergunta foi qual a importância da roupa na carreira, 50% dos executivos dos outros países responderam que o estilo de se vestir influencia pelo menos um pouco na possibilidade de o profissional ser promovido. No Brasil, 22% dos participantes disseram que influencia bastante, enquanto para 45% influencia significativamente e 41% afirmaram que influencia pelo menos um pouco.

Mas como saber se está vestido adequadamente? Preste atenção como os profissionais que tem cargo semelhante ao seu ou com a mesma profissão costumam se vestir, e imprima seu estilo. De maneira geral, cores mais claras e suaves, combinação de peças muito coloridas, estampas, tecidos mais fluidos e linhas curvas (babados e laços, por exemplo) transmitem mais acessibilidade e estão relacionadas com profissões mais criativas e descontraídas, como arquitetura, publicidade, ensino infantil, música, e etc.

Ao contrário, cores mais escuras e combinações de peças de no máximo duas cores neutras, tecidos mais encorpados, e linhas retas ou geométricas estão ligadas a profissionais das áreas financeira e jurídica.

(*) Larissa Almeida é formada em Comunicação Social pela UFMS e pós-graduada em Influência Digital pela PUC-RS. Trabalhou durante 14 anos na área de comunicação e imagem em importantes instituições como Caixa Econômica Federal, Prefeitura de Campo Grande, Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, Senado Federal, além de ter coordenado a comunicação da Sanesul. Consultora de imagem formada pelo RML Academy e Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Especialista em Dress Code e comportamento profissional por Cláudia Matarazzo e RMJ Treinamento e Desenvolvimento Empresarial. Siga-me no Instagram.

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