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No WhatsApp nem sempre o outro lê como você imaginou

Por Larissa Almeida (*) | 20/07/2026 16:54



Quando você escreve uma mensagem, ninguém vê sua expressão nem escuta o tom que você imaginou ao digitar.

Ao vivo, você pode dizer uma coisa mais firme e, ainda assim, fazer com que ela seja recebida de maneira respeitosa. Um tom de voz calmo, uma expressão simpática e uma postura acolhedora conseguem suavizar até conversas difíceis. E você pode dizer palavras supersimpáticas com uma cara de velório, a recepção será ruim. Percebe a importância da sua expressão facial, do seu tom de voz, do seu olhar, gestos e postura para complementar tudo o que as palavras, por si só, não conseguem dar conta sozinhas?

Uma mesma frase pode transmitir interesse, ironia, carinho, irritação ou completo desânimo. “Pode deixar que eu resolvo.” Com um sorriso e um tom tranquilo, parece disponibilidade. Com um suspiro, os olhos revirados e a voz impaciente, parece uma ameaça. As palavras são iguais. A mensagem, não.

Quando a fala diz uma coisa e o corpo demonstra outra, normalmente acreditamos mais no corpo. É difícil convencer alguém de que você está feliz em vê-lo quando sua expressão parece a de quem acabou de receber uma cobrança inesperada.

Agora imagina a confusão que se instala quando uma sociedade inteira está se comunicando diariamente através do WhatsApp?

No aplicativo, desaparecem o tom de voz, o sorriso, o olhar e todos os sinais que ajudariam a explicar a intenção de quem escreveu. Você sabe exatamente o tom que imaginou ao digitar. Quem recebe não sabe. “Você pode fazer isso hoje?” Pode ser um pedido gentil. Pode ser uma cobrança. Pode ser uma ordem. Pode ser o começo de uma discussão.

Tudo depende da relação entre as pessoas, do contexto e até do humor de quem está lendo naquele momento.

É por isso que mensagens muito curtas podem parecer mais secas do que pretendíamos. Um “ok”, um “tá”, um “manda” ou um “depois vejo” talvez sejam apenas respostas objetivas, mas também podem transmitir impaciência, desinteresse ou aquela sensação de que conversar com você está atrapalhando o dia da pessoa.

E não adianta explicar depois: “Mas eu não falei com grosseria.” Tecnicamente, você não falou nada. Você escreveu. E quem recebeu precisou inventar o tom sozinho. Não significa que toda mensagem precise ter quinze linhas, três corações e um desfile de emojis. Também não é necessário transformar um simples pedido em um pronunciamento oficial.

Mas existem diferenças importantes entre escrever: “Me manda o documento.” E: “Oi! Quando puder, você consegue me mandar o documento, por favor?” A informação é praticamente a mesma. A sensação de quem recebe, não.

Uma saudação, uma explicação breve, um “por favor” ou um “obrigada” ajudam a substituir parte da simpatia que, presencialmente, seria transmitida pelo rosto e pela voz.

É claro que nem toda resposta curta é grosseira. Às vezes, a pessoa está ocupada, trabalhando ou apenas tem uma maneira mais direta de escrever.

Mas, se as suas mensagens são frequentemente interpretadas como frias, ríspidas ou impacientes, talvez não seja apenas porque “as pessoas estão muito sensíveis”. Pode ser que você esteja confiando demais na sua intenção e pensando pouco no efeito daquilo que escreve.

Comunicação não é apenas o que você quis dizer. É também o que o outro conseguiu entender. No presencial, o seu rosto, a sua voz e o seu corpo ajudam a completar a mensagem. No WhatsApp, as palavras precisam trabalhar sozinhas.

Por isso, antes de enviar, vale reler não apenas para verificar se a informação está correta, mas para imaginar como aquela frase pode soar para quem está do outro lado. Porque ninguém vê o sorriso que você acha que colocou na mensagem. E, às vezes, o seu inocente “ok” chega para a outra pessoa com a delicadeza de uma porta batendo.

(*) Larissa Almeida é formada em Comunicação Social pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e pós-graduada em Influência Digital pela PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). Durante 14 anos, trabalhou na área de comunicação e imagem em instituições como a Caixa Econômica Federal, a Prefeitura de Campo Grande, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e o Senado Federal, além de ter coordenado a comunicação da Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul). É consultora de imagem formada pela RML Academy (Royal Makeup Lab Academy) e pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, além de especialista em dress code e comportamento profissional por Cláudia Matarazzo e pela RMJ TRE (RMJ Treinamento e Desenvolvimento Empresarial). Siga no Instagram @vistavoce_.