Que hora você almoça? Um ato político que enfraqueceu a família
Há um momento na história que mudou tudo. E ele passa desapercebido de muitos. Entre o final do século XVIII e começo do XIX, os ricos de Londres e de Paris alteraram de maneira significativa os horários das refeições. Introduziram um café da manhã abundante lá pelas nove ou dez horas, atrasaram o almoço para o meio da tarde e relegaram o jantar para uma refeição frugal.
Como nossos pais?
Eficiência no trabalho. Essa nova ideia, naquela época, definiu uma nova sociedade. Atingiu profundamente as famílias. Foi quando cada pessoa começou a ser valorizada exclusivamente por sua eficiência e nada mais. Teu pai, certamente, ia ao trabalho pela manhã, voltava para casa para almoçar com a família e logo regressava ao trabalho no inicio da tarde. A vida familiar era muito mais sólida e feliz quando vivíamos assim. Tínhamos tempo para compartilhar alegrias, dores, erros e conquistas. Nada mais desse tempo restou. Poucos voltam para casa no meio dia para almoçar e compartilhar com a família.
A sociedade dos hamburguês.
Não importa a qual classe social que você pertença, todos comemos hambúrguer. Todavia, sem percebermos, o ato de comer um hambúrguer pode definir a politica, a economia e a cultura de uma sociedade. O hambúrguer é um produto e um símbolo da cultura norte-americana que tomou conta do mundo. Um sinal da hegemonia cultural. E isso não é um problema em si mesmo. Também encontramos pizza e sushi como sinais de hegemonia cultural de outros países. A questão é quando o hambúrguer passou a ser vinculado com a eficiência no trabalho, levando ao enfraquecimento das relações familiares. Coma um hambúrguer a qualquer hora e produza muito mais. Esqueça a família. Essa mudança cultural produziu o raquitismo familiar.
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