Na terra onde o gado criou o homem
Há uma regra universal, o homem deixa de ser nômade para criar gado ou plantar trigo. No Mato Grosso do Sul, ocorreu o contrário: o gado criou o homem. Foi o chamariz para o estabelecimento dos pioneiros . Depois dos espanhóis terem sido expulsos da região pelos paulistas bandeirantes, os campos locais estavam apinhados de animais bravios, remanescentes da missões jesuíticas.
Terra de parentes.
Os paulistas, mineiros e poconeanos que vieram tentar a sorte e constituir fortuna no Mato Grosso do Sul, não estavam sós, vinham com suas famílias. Muitos, todavia, primeiro arrumaram terras e gado para depois trazê-los. Enfim, na primeira vinda ou na segunda, o que importa é que praticamente todos os pioneiros são, em verdade, famílias e não indivíduos.
Um mundo de camaradas.
Pobres. Eram todos pobres. Não há exceção. Os pobres pioneiros, pouco tempo depois, passaram a contar com o auxilio de outros pobres livres. Os escravos são raríssimos. Negros ou indígenas, tanto faz, quase nunca foram escravizados no Mato Grosso do Sul. O que havia eram homens perdidos e aventureiros de São Paulo, Minas Gerais e fugitivos de Poconé. São eles que trabalham nos campos e exercem todas as funções inimagináveis nas fazendas e nas primeiras cidades. Eram chamados de “camaradas”, quando assalariados. Quando não recebiam salários, havia uma forte tendência de serem aceitos como “membros da família”. Nesse caso, passavam a ser chamados de “agregados”.
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