Conversa à beira do fogo: a corrupção é coisa de chimpanzé
Um dia, há anos, estive em Atapuerca e ao voltar para casa, quando me perguntaram de onde vinha, disse: “Fui visitar meus avós”. Atapuerca, em Burgos na Espanha, é um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo para o estudo da evolução humana. Aquela experiencia muda a vida. Passamos a entender que vivemos 95% de nossa existência na pré-história. E acabamos de aterrissar no tempo que chamamos história. Significa que a escritura, por exemplo, foi inventada ontem, ainda que tenha cinco mil anos. Significa entender o imenso mal que as tribos fazem para a humanidade, mas também que elas nos fazem humanos.
A tribo se reúne junto ao fogo.
A história da tribo é a da humanidade. Há um conto que ouvi não sei onde: perguntam ao presidente negro de um país africano qual a sua tribo? Ele responde: minha tribo é a humanidade. Mas o nosso pior inimigo quase sempre é o tribalismo. A tribo está muito unida ao pensamento mágico, à ignorância. Quando as pessoas entendem como funciona o mundo, desaparece o pensamento mágico e o fanatismo. Só há dois remédios contra o fanatismo: a ciência e o humor.
O lado lindo da tribo.
Como em tudo, a tribo também carrega algo bom para a humanidade. A agricultura e a pecuária são consequências da tribo. Há 12.000 anos, quando estávamos nas cavernas, não éramos nada. Havia mais onças e leões que humanos. Os humanos mudaram o planeta, basta vê-lo à noite do espaço. E mudaram para melhor. Há pouco, a Ásia era o território da fome. Hoje, é da riqueza. Um tanto abaixo, muito menos rica, a América Latina tem história semelhante.
“Meu ditador querido”.
Vemos por todos os lados do mundo frases como “prioridade nacional” ou “América grande novamente”. Essas são expressões tribais. Sentimento de tribo leva a casos extremos de fanatismo, de desumanização. Para muitos colonos judeus os palestinos não são pessoas. Também há o inverso, palestinos que acreditam que judeus não são humanos. Quando pensamos em ditadores, todos assinalam uns como seus prediletos e amaldiçoa a outros. Todos tem seus ditadores prediletos. Nos falta gente que diga que Trump é um palhaço ridículo e Putin pouco difere do norte-americano. Ambos tem o gene do ditador. Entram na prateleira do “meu ditador querido”. Como puderam matar duzentas crianças na escola? Responda a essa pergunta e ganhe o premio “humano do ano”.
Eles querem putas.
A corrupção é curiosa. Pensemos no corrupto mais famoso atual. O que queria o homem do Master? Putas. Seus genes o empurravam a querer reproduzir-se e deixar muitos filhos como ele. A corrupção serve para conseguir dinheiro. Para que queremos uma tonelada de dinheiro? Para ter poder, status e hierarquia. Para que serve poder e status? O que desejam é ter mulheres. Muitas mulheres. É muito paleolítico. É coisa de chimpanzés. Os macaquinhos amam roubar e fornicar. Mas está em nossos “ genes“, especialmente dos brasileiros, extremamente sexualizados.
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