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Em Pauta

A febre puerperal só passou a ser reconhecida em 1652

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 10/06/2021 06:45
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade

Tal como hoje, os bebês ficavam presos no útero da mãe. Em casos assim o trabalho de parto poderia durar três semanas ou mais, até que o bebê ou a mãe, ou ambos, não suportassem mais. Se um bebê morria no útero, os procedimentos para retirá-lo eram terríveis demais para ser descritos nesta coluna. Causavam não só sofrimentos atrozes à mãe, mas também grandes danos ao útero e riscos de infecção. Não à toa, muitas mulheres tinham pavor de engravidar e recorriam a toda sorte de "anticoncepcionais".


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Detectam a febre puerperal.

Um elemento complicador é uma das principais razões para elas não desejarem a gravidez é que, no século XVII, mulheres em toda a Europa estavam morrendo em massa de uma nova doença misteriosa que os médicos eram incapazes de derrotar ou entender. Chamada de febre puerperal (do termo latino "puer", que significa criança) a doença teve seu primeiro registro em Leipzig, na Alemanha. Durante os seguintes 250 anos os médicos ficaram impotentes diante dela.


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Surgia repentinamente.

A febre puerperal era especialmente temida porque surgia de forma repentina. Algumas vezes, só aparecia vários dias depois de um parto bem sucedido, quando a mãe já estava recuperada e quase pronta para voltar para casa. Em poucas horas a vítima apresentava febre alta e delírios, e assim permaneciam cerca de uma semana, até se recuperar ou expirar. O mais comum era a morte. Nos piores surtos da doença, 90% das vítimas morriam. Até o final do XIX, a maioria dos médicos atribuía a febre puerperal aos maus ades ou a hábitos desregrados, quando, de fato, eram os dedos sujos dos próprios médicos que transferiam os micróbios de uma mulher para outra.


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Bastava lavar as mãos.

Só em 1847 um médico em Viena, Ignaz Semmelweis, percebeu que, se os médicos do hospital lavassem as mãos em água levemente clorada, todos os tipos de mortes de mães e de bebês diminuíam drasticamente. Mas quase ninguém lhe deu atenção. Ainda se passaram décadas até que as práticas antissépticas fossem adotadas.

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