As primeiras fazendas foram demarcadas a olho
“Declaro que a tantos de abril do ano de 1.834 fiz uma entrada pelas margens do rio Sucuriú acima, a fazer posses, mandado pelo Sr. Capitão José Garcia Leal, assinalei cinco fazendas para o dito senhor e duas para dois companheiros”. Era assim que demarcaram as primeiras fazendas no Mato Grosso do Sul. A olho. Sem lei e sem documentos que as protegessem. Sem o comando de alguma autoridade constituída. José Garcia Leal, tratado como capitão, era tão somente um dos primeiros fazendeiros de Paranaíba. Incumbiu seu amigo Joaquim Francisco Lopes, a constituir tais fazendas. Os dois eram pessoas comuns, aventureiros, e nada mais. As fazendas não tinham papéis, cercas e nem fronteiras.
Eram apenas aventureiros animados.
Na imensidão do Mato Grosso do Sul, as demarcações de terra “a olho” realizadas na primeira metade do século XIX não eram restritas às extensões impostas pelas leis do país. O único parâmetro aplicado por quem as realizava era o ânimo de percorrer os nossos sertões no lombo de um cavalo, entre as matas e as margens de um rio ou dentro de uma canoa. Observavam a qualidade do solo e do capim, a existência de salinas, água e algum gado selvagem, que chamavam de “alçado”. Para “demarcar” a área, tomavam como referência, montes, córregos, riachos, rios, enfim, algum “acidente geográfico” das extensões escolhidas.
Presentes e comércio.
Engana-se quem imagina que esses primeiros fazendeiros tinham ganância por enormes extensões de terra. A imensa maioria deles constituiu fazenda para seus parentes, amigos e companheiros de viagem. Também era comum trocarem terra por alguns cavalos e vacas…até por sal. Foi assim que as fazendas se espalharam. Foi assim que o Mato Grosso do Sul recebeu a primeira onda de fazendeiros.
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