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Meio Ambiente

Chuvas elevam níveis dos rios em MS e aumentam risco de alagamentos

Boletim aponta tendência de alta em diversos pontos monitorados e prevê continuidade das instabilidades

Por Jhefferson Gamarra | 03/02/2026 12:47


RESUMO

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As chuvas intensas em Mato Grosso do Sul estão causando elevação significativa nos níveis dos rios monitorados no estado. Dados da Sala de Situação mostram aumentos expressivos em diversos cursos d'água, com destaque para o Rio Taquari, que passou de 401 cm para 447 cm, aproximando-se do nível de alerta de 500 cm. A previsão meteorológica indica continuidade das chuvas até 4 de fevereiro, com possibilidade de tempestades, raios e rajadas de vento. O cenário aumenta o risco de alagamentos e enxurradas, especialmente em áreas urbanas e regiões baixas. Apesar da situação preocupante, a maioria dos rios ainda mantém níveis dentro da faixa considerada normal.

O aumento das chuvas em Mato Grosso do Sul já impacta diretamente o comportamento dos rios monitorados no estado. Dados da Sala de Situação, publicado nesta terça-feira (3), mostram elevação nos níveis em várias estações telemétricas distribuídas pelos rios Piquiri, Cuiabá, Paraguai, Miranda, Aquidauana, Taquari, Pardo, Aporé e Dourados, reforçando o cenário de atenção diante da previsão de novos acumulados significativos.

A rede de monitoramento utiliza informações do Sistema Hidro, mantido pela ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), com medições realizadas às 7h e análise das últimas 24 horas. O levantamento indica que diversos pontos apresentam tendência de subida, ainda que, na maior parte dos casos, permaneçam dentro da faixa considerada normal, entre 5% e 95% das cotas históricas.

Entre os destaques está o Rio Taquari, que registrou elevação expressiva, passando de 401 cm para 447 cm, com média móvel de 425 cm. O valor supera a cota de referência de 400 cm e se aproxima do nível de alerta, fixado em 500 cm, indicando um quadro que exige acompanhamento contínuo.

No Rio Aquidauana/Miranda, diferentes estações também apresentaram alta. Em Aquidauana, o nível subiu de 231 cm para 262 cm, com média de 257 cm. Já em outra estação do mesmo sistema, a cota avançou de 210 cm para 286 cm, alcançando média de 230 cm, variações que evidenciam resposta rápida às precipitações recentes.

Chuvas elevam níveis dos rios em MS e aumentam risco de alagamentos
Elevação do volume do Rio Aquidauana no perímetro urbano da cidade (Foto: Portal de Aquidauana)

O Rio Miranda, por sua vez, registrou aumento de 204 cm para 215 cm em uma das estações, mantendo trajetória ascendente nas últimas medições. Situação semelhante ocorre no rio Piquiri/Cuiabá, onde os níveis continuam em elevação gradual, e no rio Paraguai, que também apresentou crescimento em alguns pontos monitorados.

Em Ladário, por exemplo, a média móvel do nível aparece acima da faixa de normalidade quando comparada às médias históricas de janeiro. O mesmo comportamento fora do padrão também é observado em outras estações, indicando que o volume de água atual não se encaixa entre os valores mínimos e máximos normalmente registrados para o período.

Apesar disso, não há indicação generalizada de emergência. O boletim aponta que algumas localidades se aproximam das cotas de alerta, mas ainda sem ultrapassá-las. Os níveis de emergência permanecem mais elevados, funcionando como referência para cenários mais críticos.

Chuvas intensas já superam 100 mm em áreas do estado

O aumento dos níveis dos rios está diretamente associado ao volume de chuva observado recentemente. Segundo o boletim, alguns locais do estado já ultrapassaram os 100 milímetros em apenas 24 horas.

Os acumulados variam conforme a região. Há registros de volumes significativos em diferentes estações, com medições que alcançam dezenas de milímetros tanto nas últimas 24 horas quanto no acumulado de sete dias, patamares compatíveis com a elevação rápida dos cursos d’água.

Além disso, a média histórica mensal indica que janeiro costuma apresentar volumes relevantes, mas os dados atuais reforçam um período de instabilidade acima do habitual em determinados pontos.

Chuvas elevam níveis dos rios em MS e aumentam risco de alagamentos

Previsão mantém cenário de instabilidade

A tendência é de continuidade das chuvas pelo menos até 4 de fevereiro. A previsão meteorológica indica tempo instável, com possibilidade de tempestades acompanhadas de raios, rajadas de vento e acumulados superiores a 40 mm em 24 horas.

Esse quadro eleva significativamente o risco de alagamentos, enxurradas e aumento rápido dos níveis dos rios, especialmente em áreas urbanas, regiões mais baixas e locais com drenagem insuficiente.

A instabilidade atmosférica é explicada pelo intenso transporte de ar úmido, formando um corredor de umidade associado à passagem de cavados e à atuação de áreas de baixa pressão. Os ventos devem soprar do quadrante norte, com velocidades entre 40 e 60 km/h e possibilidade de rajadas ainda mais fortes.

Mesmo com a presença de nuvens e chuva, as temperaturas permanecem elevadas em boa parte do estado. Nas regiões Sul, Cone-Sul e Grande Dourados, as mínimas devem variar entre 20°C e 22°C, com máximas de até 34°C.

No Pantanal e no sudoeste, os termômetros devem oscilar entre 22°C e 25°C nas mínimas e chegar a 34°C nas máximas. Já nas regiões do Bolsão, Norte e Leste, a previsão aponta mínimas de 20°C a 23°C e máximas entre 26°C e 31°C. Em Campo Grande, as temperaturas devem ficar mais amenas, com máximas próximas de 27°C.

Limitações no monitoramento

O documento também aponta problemas em algumas estações. Cassilândia deixou de transmitir dados em janeiro de 2025, enquanto a estação Fazenda Buriti parou de funcionar em dezembro de 2025. Já Dourados apresenta falhas na transmissão desde o fim do ano passado.

Tendência exige vigilância

Embora grande parte dos rios ainda esteja dentro da normalidade, a soma de chuvas recentes, previsão de novos acumulados e elevação gradual das cotas indica um momento de vigilância hidrológica em Mato Grosso do Sul.

A situação não é, neste momento, de crise generalizada, mas os dados mostram que o comportamento dos rios responde rapidamente às condições meteorológicas, fator que pode alterar o cenário em curto prazo caso as precipitações persistam.

Recomendações de segurança

Diante do cenário, o boletim recomenda atenção redobrada no trânsito, evitar áreas alagadas, não atravessar vias inundadas e manter acompanhamento constante dos avisos meteorológicos e dos órgãos oficiais.

O monitoramento contínuo torna-se essencial neste período, já que a combinação de solo encharcado e novas precipitações pode acelerar a resposta hidrológica dos rios.