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05/02/2019 06:35

Bem vindo à era do homem branco enraivecido

Mário Sérgio Lorenzetto
Bem vindo à era do homem branco enraivecido

A marca de aparelhos de barbear assumiu a defesa das mulheres. A voz em off pergunta: "Isto é o melhor que um homem pode chegar a ser?" Um ator da uma palmada no traseiro de uma mulher em um set de televisão. Música emotiva ao fundo do vídeo. Nunca uma empresa alguma ousou tanto. A Gillette se une aos movimentos feministas mais radicais do mundo. Em poucos dias já somava mais de 10 milhões de reproduções no YouTube. Milhares de homens escrevem sentindo-se insultados. Muitos ameaçam deixar de comprar os aparelhos de barbear que, desde o início, são mais voltados para os homens que para mulheres.

Bem vindo à era do homem branco enraivecido

Os "Angry White Man" assomam ao poder.

O sociólogo norte americano Michael Kimmel procura a explicação para esse fenômeno. Diz que os "Angry White Man", os brancos com raiva "entendem que as verdadeiras vítimas não são nem as mulheres, nem as minorias, nem os gays e sim eles mesmos [homens brancos]".
Depois de observarem nos últimos anos uma nova explosão do feminismo, há homens que se sentem vulneráveis e assustados. Há um novo terreno em que as mulheres ganham tudo. Seus movimentos estão se tornando mais organizados e falam mais à todos que os partidos políticos, que estão em pleno processo de desintegração.
Tudo que aprenderam de como ser um homem está sendo posto em discussão. Ao lado dos eternos "PPP" (pretos, pobre e putas), são eles que vão ocupar uma cela nas cadeias do mundo por atraso nas pensões. Patrões são levados diariamente às barras da justiça por verdadeiras, e outras falsas, acusações de assédio. Muitas em verdade eram demissões a funcionárias relapsas.o medo está presente nas empresas e nos órgãos públicos. A fama de assediador de uma mulher destrói a vida do Angry White Man.

Bem vindo à era do homem branco enraivecido

O choque não é de civilizações, é de sexo.

Eles veem a cada mais um espaço perdido. Elas assomam os melhores postos mundiais na medicina e no direito. O bisturi trocou de mãos definitivamente. A caneta que vira chave de cadeia passou a usar tinta rosa (será crime afirmar que homem usa azul?). A frustração masculina se tornou comum nas sociedades ocidentais. Houve uma grande mudança cultural. O principal choque passou a ser entre os sexos (ou como feministas e gays desejam: de gênero). Uma parte importante dos homens se sente ameaçado.

Bem vindo à era do homem branco enraivecido

Os políticos contra o feminismo.

Ainda que muitos pensem que a entrada dos políticos - Trump, Bolsonaro, Orban, Salvini - combatendo o feminismo seja algo novo, desde a era vitoriana as vozes das autoridades contestavam a erupção dos movimentos feministas.
É uma realidade que vem se repetindo há 200 anos. O novo é a existência de partidos contra as feministas.
Quando começou a luta das sufragistas pelo direito ao voto, no século XIX, encontraram muitas vozes que questionam essa luta. Mas elas estavam dispersas entre os partidos. A rainha Vitoria, da Inglaterra, onde tudo começou, falava da "loucura perversa dos direitos da mulher e todos seus horrores associados..." Se as mulheres se dessexualizassem afirmando igualdade
com os homens se converteriam nos seres mais odiosos, pagãos e desagradáveis e asseguro que pereceriam sem proteção masculina". A rainha deveria ser a musa dos Angry White Man.

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O manifesto feminino contra as feministas.

Há um manifesto que está ocupando a ponta na luta das mulheres que não aceitam o feminismo radical. Possivelmente redigido na Espanha, está entrando em todos os partidos ocidentais de mesmo credo.
"No dia da Mulher nos proclamamos em dívida com aquelas mulheres que lutaram para conseguir a igualdade de direitos e deveres entre os sexos. Também expressamos nossa inquietude ante uma corrente de opinião supostamente feminista que pretende falar em nome de todas as mulheres, impor-lhes sua forma de pensar e retratá-las como vítimas de nascimento do que chamam de heteropatriarcado. Nos não nos reconhecemos vítimas de nossos irmãos, país, filhote e companheiros, nossos iguais masculinos. Nos rebelamos contra essa política de identidade que nos aprisiona em um bloco monolítico de pensamento que nega a individualidade.
A situação das mulheres, segundo todas as estatísticas de organismos internacionais, é das melhores do mundo [da história], sem que isso signifique que não possa melhorar. No mundo ocidental já há mais mulheres na universidade que homens, o fracasso escolar é majoritária masculino, o suicídio também. Além do mais, nossa expectativa de vida supera em vários anos a dos homens.
Nas últimas décadas a imprensa e alguns partidos políticos vem convertendo as mulheres em vítimas por definição de uma sociedade machista. O vitimismo é um estado psicologia conduz à paralisação e nos não estamos dispostas a perder a liberdade, conquistada em um século de luta, para aquelas que nos levam a ficar aturdidas e sem ação.
Conclamamos que a luta contra a violência do casal seja sempre guiada pela evidência científica e não pela ideologia. Só assim chegaremos a intervenções sociais mais eficazes para frear a intolerável violência contra as mulheres. Simultaneamente, não ignoramos as vítimas masculinas de outro tipo de violência, homens e meninos, e rechaçamos a postura anticientífica que nega a agressão feminina.
"As meninas de hoje precisam saber que elas não são vítimas e que tem seus futuros em suas mãos."
O texto pode ser bem maior, ou menor, conforme a origem dos partidos que o estão adotando. Muito mais prolífixico é o italiano. Um pouco menor o dos EUA. Este é o que vem sendo adotado na Espanha. No Brasil varonil, enquanto discutem a cor das roupas, poderia ter um texto que se resume a : "Odeio as feministas". Raso como um pires.



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