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Em Pauta

Existem os super-contagiadores em Campo Grande?

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 05/07/2020 09:22

Até há poucos dias, Dourados contava o triplo de mortos de Campo Grande devido à covid-19. Mato Grosso do Sul estava sob a suspeita nacional: por que tínhamos taxas tão baixas? As teorias da conspiração pululavam. A Secretaria de Saúde Estadual estaria manipulando os números. Estariam reduzindo propositalmente o número de mortos por covid-19? Trocavam, no sistema de informática da secretaria, as mortes por covid-19 por mortes devido a inflamações respiratórias inexplicadas? Ninguém sabia explicar.


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A teoria do palito de fósforo.

Você pode jogar um palito de fósforo em alguns gravetos, talvez o material não acenda. Joga outro palito, novamente não acende. Mas então, um terceiro palito bate no lugar certo e, de repente, o fogo sobe. Entender o porque de alguns palitos de fósforo iniciam incêndios, enquanto muitos outros palitos não incendeiam, é crucial para os destinos das populações. Já não resta dúvida, a imensa maioria das pessoas portadoras do coronavírus não contagia outras pessoas. No entanto, um só super-contagiador pode infectar entre 20 a 30 pessoas.


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10% infectados são responsáveis por 80% das infecções.

Demoraram meses, mas, finalmente, os cientistas dos Estados Unidos, China e Itália, conseguiram organizar estudos que mostram uma taxa inesperada: apenas 10% dos infectados são responsáveis por até 80% das infecções em uma cidade.


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As "chaminés de vírus" e os eventos.

Esses super-contagiadores estão sendo chamados de "chaminés de vírus", lançam ao ar uma nuvem espessa de vírus a cada respiração. Todavia, estão iniciando novos estudos orientados por uma suspeita: os super-contagiadores só agem em determinados eventos. Um motorista de ônibus, por exemplo, caso seja um super-contagiador, infectará centenas de pessoas. Mas ele só é efetivo no super-contágio dentro do ônibus. Os cientistas estão buscando esses locais que favorecem a ação das "chaminés de vírus". Estão sob suspeita: festas, shows, bares, restaurantes, asilos, creches, igrejas, prisões e galpões de trabalho (frigoríficos e indústrias assemelhadas). A ideia é bloquear os locais que se mostrarem favoráveis à disseminação do vírus pelos super-contagiadores e não todas as atividades de uma cidade. É provável que os eventos ocorridos em Dourados expliquem a grande diferença de mortalidade comparada com Campo Grande.