Vira-bosta, o pássaro que dava sorte para viajantes do MS
Bem que podia receber o nome somente de “vira”. Ficaria mais elegante. Mas não foi assim. Veio o complemento na boca do povo e ele ficou sendo para sempre o “vira-bosta”. Talvez não pudesse ser de outro jeito. O nome surgiu do hábito do passarinho de virar o estrume que ia encontrando, fosse qual fosse sua origem.
Um pássaro saltitante.
O vira-bosta, para quem não conhecia sua prática, era um pássaro muito simpático. Saltitava sem parar, em uma espécie de dança alegre, sacudindo as asinhas. Mas com o bico virava os estrumes que encontrava e deles retirava fiapos de laranja, caroço de goiaba, insetos mortos e capim. Quando o “manjar”era demasiado duro, levava-o no bico até o banhado mais próximo e ali o depositava para amolecer. Tendo memória de elefante, nunca se esquecia de voltar para procurá-lo.
Sorte para os viajantes.
Lá pelas bandas do Rio Grande do Sul, o vira-bosta recebeu o nome de “chupim”. Era um parasita de ninho. Depositava seus ovos nos ninhos do tico-tico que não só os chocavam como criavam e os alimentavam. Mas no MS a história era outra. Esse pequeno pássaro, muito astuto e dotado de grande inteligência, acompanhava os viajantes para obter as “refeições” propiciadas por cavalos ou bois. Viajante velho tinha grande estima pelo vira-bosta, pois ele dava sorte e fazia com que a viagem corresse sem tropeços.
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