Jagunço e jacobinos tomam Corumbá, a luta entre portugueses e militares
O jornal e o telégrafo tornaram-se símbolos da modernidade no século XIX, assim como o navio a vapor e o trem, foram os produtos tecnológicos mais importantes da época. O jornal e o navio tiveram uma relação importante com a constituição de Corumbá no fim desse século. No campo das ideias, ocorreram embates violentos entre os “jagunços”, comerciantes portugueses que ali viviam; e os “jacobinos”, militares que prestavam serviço na cidade, a maior e mais desenvolvida do Mato Grosso do Sul.
Tiroteio nas ruas.
O ano de 1.897 foi particularmente agitado em Corumbá. Na noite de 8 de outubro houve tiroteio nas ruas da cidade. As autoridades não tomaram providencia alguma, como era costumeiro. Os tiros foram desferidos pelos jagunços na esquina da rua Treze de Junho com a Sete de Setembro. Os manifestantes gritavam: “Vivam os jagunços! Morram os jacobinos”. O alvo principal era o tenente coronel Pedro de Medeiros. A finalidade era intimidar o grupo dos jacobinos que tinham organizado um clube chamado “Nativista”. Os jagunços - comerciantes portugueses - lutavam pela monarquia. Os jacobinos defendiam uma ditadura comandada pelos militares.
Os ecos de Canudos chegam a Corumbá.
É impensável que a Guerra de Canudos tenha aflorado os ânimos na distante Corumbá. No entanto, foi o que aconteceu. A cópia dos ideais jacobinos era corrente no mundo ocidental, a luta revolucionária na França era de amplo conhecimento. Mas como imaginar que o grupo comandado pelo amalucado Antônio Conselheiro, no sertão nordestino, tenha tomado conta do imaginário corumbaense? É preciso muita pesquisa - e imaginação - para entender essa transposição de ideias. Jagunços e jacobinos dominaram Corumbá por muitos anos. Não existem estudos que mostrem esse embate nas demais cidades do Mato Grosso do Sul.
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