Náusea, vômito, dor abdominal: a síndrome causada pela maconha
O médico idoso conta que atendeu um jovem de 18 anos com um intenso quadro de náuseas, vômitos e dores abdominais. Não tolerava nem um gole de água e estava desidratado. “Administramos soro por via intravenosa mas não conseguíamos deter os vômitos com os anti-eméticos habituais“, recorda. É um quadro não muito comum, também muito desconhecido, inclusive entre os médicos. É causado pelo consumo diário da maconha. Recebe o nome de Síndrome de Hiperêmese Cannabinoide - SHC. Ainda que raramente ocorra, pode perfurar o esôfago devido à intensidade dos vômitos.
Calor, o melhor tratamento.
Ele ainda conta que não sabia como tratar essa síndrome. Outro médico lhe ensinou que o calor alivia os sintomas. Devem tomar banho quente repetidamente para aliviar os sintomas. Uma alternativa é o creme de capsaicina - um composto extraído das pimentas picantes que produz o mesmo efeito, esquenta até a alma. O calor mitiga as dores porque seus receptores na pele estão conectados com circuitos nervosos relacionados com as náuseas. Também são úteis o droperidol, o haloperidol ou as benzodiazepinas por via intravenosa.
Enorme dificuldade para diagnosticar.
É uma síndrome que foi descrita em 2004 e que está muito infra diagnosticada por ser pouco conhecida pelos pacientes e pelos médicos. Há varias razões para explicar esse desconhecimento. A principal é que as pessoas raramente admitem fumar maconha diariamente para os médicos. Outra, é que esse quadro de profundo mal estar costuma durar entre 24 e 48 horas, como nesse tempo não há consumo da maconha, os sintomas desaparecem sem que tenham feito o diagnóstico.
Maconha: o paradoxo.
É raro encontrar alguém, médico ou não médico, que sequer pense na existência da SHC. A primeira ideia que todos tem é do inverso: a maconha é considerada útil para prevenir náuseas e vômitos em pacientes em quimioterapia. É um paradoxo que ninguém sabe explicar. Causa náuseas, vômitos e dores abdominais mas também acaba com esses mesmos sintomas. O resultado é que muitas pessoas sofrem com a SHC por muitos anos sem saber o que está acontecendo com seu corpo.
Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.





