Negros perseguidos por negros na terra do apartheid
Há décadas contam que o medo do imigrante, bem como o ódio, é uma questão de cor de pele. Todavia, basta olhar hoje para a África do Sul, onde uma nova onda de violência xenófoba está demonstrando que o mecanismo do rechaço ao outro nem sempre está ligado à cor da pele. Em um país onde a maioria negra sofreu durante décadas a opressão do apartheid imposto pela minoria branca, turbas de sul-africanos negros perseguem estrangeiros negros acusando-os, com o mesmo discurso dos brancos, de roubar-lhes o emprego, aumentar a delinquência e saturar os hospitais e os serviços de saúde.
30 de junho, a data para todos os imigrantes voltarem a seus países.
A violência vem explodindo na África do Sul. Centenas de residências de estrangeiros foram incendiadas na semana passada. Milhares de estrangeiros estão acampados nas ruas de várias cidades. Um número não contabilizado de mortos fazem parte desse repertório tão comum em países de maioria branca. Um malaui foi apedrejado até morrer no inicio das recentes manifestações. Os negros nascidos na África do Sul, marcaram a data de 30 de junho para que todos os estrangeiros, também negros, voltem a seus países de origem.
A riqueza contra a pobreza.
O fato é que a África do Sul é um país riquíssimo em ouro e diamantes. Foi assim que se tornou um ímã para quem busca escapar da pobreza e da guerra que assolam países como o Zimbábue, Moçambique, Malauí e da República Democrática do Congo. A imensa maioria desses imigrantes encontrou emprego nas minas do país onde Nelson Mandela pensou em acabar com o racismo e reivindicou uma África aberta para todos. A ideia, com o passar do tempo, não foi bem bem acolhida por toda a sociedade. Só neste ano, 62 negros estrangeiros foram assassinados e 150.000 foram expulsos. O pano de fundo de toda essa agitação é que apesar da África do Sul ser muito rica, em torno de 30% de seus cidadãos estão desempregados. Nosso tempo é dominado pelo imbecis, de qualquer cor de pele, que babam de ódio pelo estrangeiro ou por qualquer outro motivo, como religião ou cultura. Querem ter o direito de odiar.
Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.




