Hiroshima: cai a bomba na cabeça do prefeito e de sua netinha de 3 anos
Agosto. Mês em que é obrigatório lembrar de Hiroshima. Desta vez, para contar a história de Senkichi Awaya, prefeito da cidade, e de sua netinha Ayako, de três anos. A bomba praticamente caiu sobre suas cabeças. Um dos importantes testemunhos desse dia é da anciã Michiko Kodama: “De repente vi uma luz deslumbrante, que cegava. O inferno na Terra. Semeado de pessoas calcinadas, da cor do carvão, esparramados pelo solo, e outras que se arrastavam com a pele caindo. Uma mulher carregava nos ombros dois cestos, contendo duas criancinhas mortas”.
Sensato e nada fanático.
O prefeito era surpreendente. Sensato e nada fanático. Sua história foi publicada, em 1.967, no jornal “The Christian Science Monitor”. Há um pequeno memorial na beira do rio Motoyasu. Era um bom administrador civil cuja carreira começou sob a democracia japonesa e viu a ascensão da radicalmente militarizada sociedade japonesa com ceticismo. Perigoso ceticismo. Era cristão, poliglota, culto e tipo bastante decente. Admirava o Ocidente e se vestia como um inglês.
Convenceu a esposa a voltar.
Quando Senkichi viu a destruição causada pelos bombardeios incendiários sobre Tóquio, convenceu sua mulher que regressasse à intacta Hiroshima, onde, lhe disse, estaria mais segura. Morreu poucos dias depois do marido e da netinha devido à radiação.
Vaporizado duas vezes.
É um homem que a história desejaria esquecer. Como se tivesse sido duas vezes vaporizado, pela bomba fisicamente e pela amnésia da memória coletiva. A bomba, apelidada “Little Boy”, pequeno menino, apesar do nome, não tinha nada de pequena. Pesava 4,5 toneladas e media 3,6 metros, era um monstro comparada com qualquer bomba que fora lançada. Não podemos trazê-la de volta. Não há argumento que permita repetir o 6 de agosto
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