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29/10/2017 08:07

O Halloween do passado e as máscaras atuais

Mário Sérgio Lorenzetto
O Halloween do passado e as máscaras atuais

A festa de Halloween comemora-se todos os anos na passagem do dia 31 de outubro para o primeiro dia de novembro. É um momento tão central na cultura dos EUA quanto o Carnaval no Brasil. Mas, ultimamente, virou uma celebração exportada para todo mundo, irritando os nacionalistas.
O Halloween tem sua origem no Samhain, uma festa celta que marcava o fim da colheita e o começo do inverno. Durava toda a noite. Acreditavam que nessa noite a fronteira entre nosso mundo e o outro mundo, o dos mortos, podia ser cruzada. Acreditavam em fadas e uma torrente de seres sobrenaturais. Alimentos eram deixados para os fantasmas que visitassem suas antigas casas e famílias. Grandes fogueiras eram acesas onde sacrificavam animais. Druidas buscavam adivinhar o futuro.
Em 609 d.C., a igreja dedicou um panteão em Roma à honra dos mártires cristãos. Era o início da comemoração do Dia de Todos os Mártires. Cem anos depois, a igreja designou o primeiro dia de novembro como o Dia de Todos os Santos e Mártires. O Samhain e o Dia de Todos os Santos acabara se fundindo, criando o Halloween. Essa palavra, "halloween", diz tudovem de "All Hallows Even" , noite de todos os santos.
As fantasias e máscaras que mais vendem para o Halloween-2017 na Amazon e E-Bay são as de Chewbacca, Donald Trump, de um "Caminhante da Guerra dos Tronos" e do palhaço do filme "It".

O Halloween do passado e as máscaras atuais

O Carnaval e o Dia dos Namorados estão conectados ao açoite de mulheres.

Numa Pompílio foi o fundador da religião romana. Isso não tornou Numa uma figura sagrada da linha de Moisés, Jesus, Buda ou Maomé. A religião de Roma era significativamente diferente da religião como costumamos entendê-la hoje. Em Roma, não havia uma doutrina como tal, nem qualquer livro sagrado, nem mesmo algo parecido com o que poderíamos chamar de um sistema de crenças. Os romanos "sabiam" que existiam deuses; eles não "acreditavam" neles no sentido interiorizado que temos nas atuais religiões. Não era uma fé e sim um conhecimento. E tampouco essa religião se preocupava com a salvação pessoal ou com a moralidade. Em vez disso, concentrava-se na realização de rituais que tinham o propósito de manter em boa ordem as relações entre Roma e os deuses, assegurando assim sucesso e prosperidade. Era uma religião baseada em fazer e não em acreditar. O sacrifício de animais era um elemento central dessa religião.

O Halloween do passado e as máscaras atuais

Lupercália, o açoite de mulheres.

Alguns rituais eram tão bizarros que solapam o esterótipo dos romanos como convencionais e serenos. Na festa de Lupercália, em fevereiro, por exemplo, homens jovens corriam nus pela cidade açoitando mulheres. Trata-se da festa recriada na cena de abertura da peça " Júlio César", de Shakespeare. O nome da festa-ritual supõe-se derivar de "lúpus" (lobo). Tinha início na gruta de Lupercal, no monte Palatino. De acordo com a lenda, seria nessa gruta que Pã - também chamado Fauno Luperco, teria tomado a forma de uma loba que amamentou os gêmeos Rômulo e Remo, fundadores de Roma.
A festa da Lupercália simbolizava a purificação que deveria ocorrer em Roma no fim de ano - fevereiro. Um corpo especial de sacerdotes - os "luperci sodales" - eram eleitos entre os patrícios mais ilustres da cidade. Os luperci iam à gruta e sacrificavam dois bodes e um cão. Vestiam-se do couro desses animais e retiravam tiras, formando açoites, com os quais saiam ao redor da gruta açoitando o povo, em especial as mulheres inférteis, que iam assistir o festival. Era também um ritual de "cura". Servia ao propósito de resolver problemas com a saúde e com a infertilidade. Essa festa-ritual é o prenúncio do Carnaval medieval. Em 494 d.C., o papa Gelásio proibiu e a condenou. Não obteve muito sucesso. Em uma tentativa de cristianizá-la, substituiu-a pelo dia dedicado a São Valentim, hoje, conhecido como Dia dos Namorados.

O Halloween do passado e as máscaras atuais

O calendário que adotamos criado por Numa.

Numa concebeu um calendário de doze meses, que servia como referência para o rol de festas anuais, dias santos e feriados. Apesar de todo tipo de inovação e aprimoramento posterior, o calendário ocidental atual continua como descendente direto dessa versão, como mostram os nomes que damos aos meses: todos eles são romanos. De tudo que imaginamos ter herdado da Roma antiga, dos esgotos aos nomes das ruas e praças, ou aos ofícios da Igreja Católica, o calendário é, provavelmente, o mais importante e o que mais passa despercebido.
Há um sobrevivente desse calendário na cidade de Anzio, 55 km ao sul de roma, e que oferece um vislumbre vívido de como os romanos configuravam seu ano. Sabemos que mudaram alguma coisa - equivocadamente - ao longo dos séculos, se não, de que outro modo novembro e dezembro, significando literalmente "nono mês" e décimo mês", poderiam ter virado nesse calendário o décimo primeiro e o décimo segundo meses? O calendário de Numa é basicamente o dos doze meses lunares, com um mês adicional - o distante precursor do nosso dia adicional no ano bissexto. Nesse calendário estavam inscritas as festas. Certamente, o foco delas era buscar o apoio dos deuses para preocupações sazonais, como o acasalamento de animais e a agricultura: semeadura, colheita, coleta das uvas, armazenamento... as preocupações de que teriam peso em uma comunidade muito voltada para o campo.



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