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Em Pauta

Uma carroça nos caminhos e trilhas do Mato Grosso do Sul

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 29/06/2026 07:00
Uma carroça nos caminhos e trilhas do Mato Grosso do Sul

Duas décadas após a destruição quase completa do Mato Grosso do Sul pelas tropas de Solano Lopez, o isolamento da população era melancólico. Havia poucos caminhos e trilhas, mas eram intransitáveis nos períodos de chuvas. Cuiabá, a então detentora de todo o poder, não tinha relação alguma com esta região. Só lembravam da existência deste território na hora de cobrar impostos dos fazendeiros e dos raros comerciantes. Nunca investiram em um caminho, em uma mísera trilha. Só resta uma dúvida: quem construiu o caminho que ligava Coxim a Goiás? Aposto que não foi investimento do governo cuiabano. Creio que foi o exército, mas tenho dúvida.


Uma carroça nos caminhos e trilhas do Mato Grosso do Sul

De Campo Grande a Concepción, no Paraguai.

Campo Grande, recém-nascida, já demonstrava alguma pujança. Esta é uma terra forjada por gente muita audaciosa. Era o único vilarejo que seus parcos habitantes tinham construído trilhas e caminhos para todos os lados, interligando as povoações e fazendas da região. A informação ainda mais inesperada, todavia, é de que eles tinham um caminho até Concepción, no Paraguai. São incríveis 550 quilômetros de distância. As viagens eram feitas em carroças.


Uma carroça nos caminhos e trilhas do Mato Grosso do Sul

De Dourados a Paranaíba: estrada era segurança.

A região de Dourados, então chamada de Campos de Vacaria, estava interligada a Paranaíba e, por outro caminho, ao Paraguai. Muitas fazendas já tinham passado por vários donos, sendo eles provenientes especialmente de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Era significativa a presença de militares-fazendeiros, homens que haviam servido ao exército na época da guerra e tinham resolvido permanecer nesta região. O entendimento que havia era de que caminhos e trilhas eram essenciais para a defesa dos fazendeiros contra o banditismo que grassava, bem como das fronteiras nacionais.


Uma carroça nos caminhos e trilhas do Mato Grosso do Sul

Caminhos construídos pelos fazendeiros.

Mas quem criava e mantinha essas trilhas eram os próprios fazendeiros. O poder público cuiabano não tomava conhecimento das necessidades dos sul-mato-grossenses. É uma lenda essa conversa fiada de que um dia fomos um Estado único. Nunca, jamais, estivemos ligados de fato com o vizinho Mato Grosso. Eles só queriam nosso dinheiro.

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.