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Entre Risco e Decisão

Sucessão não é Plano B, é plano A pra não vender.

Por Rodrigo Gonçalves Pimentel (*) | 21/05/2026 08:00

Ou por que governança é o único seguro contra venda forçada.

Todo empresário jura que nunca vai vender seu negócio. Até o dia que a conta não fecha, o herdeiro não quer, o inventário trava, e aparece um fundo com cheque na mesa.

Aí não se trata mais de venda, mas sim de rendição, e 90% das “vendas por oportunidade” são, na verdade, vendas por falta de estrutura.

Fomos ensinados que empresa se vende quando “bate o preço certo”. Mentira. Empresa se vende quando não tem escolha.

Não tem escolha quando o sócio adoece e a família entra em guerra. Não tem escolha quando o fundador morre e o inventário enterra o CNPJ junto. Não tem escolha quando o banco aperta e não existe conselho pra segurar a caneta. Não tem escolha quando o herdeiro não quer, mas também não existe outro comando.

Nesses momentos o cheque do fundo não é proposta, é bote salva-vidas. E bote salva-vidas nunca paga preço justo. Muitas vezes a única alternativa é entrar com recuperação judicial para ganhar tempo, negociar credor e tentar manter o ativo vivo. Mas RJ sem estrutura prévia é operar com colete furado.

A decisão que mantém você no jogo Sucessão não existe pra preparar herdeiro. Sucessão existe pra você não ser obrigado a vender o que levou 30 anos pra construir.

Governança não é capricho de empresa grande. É blindagem contra venda forçada. É o que afasta a dependência e apresenta alternativas.

Com governança você decide: Se vende, quando vende, por quanto vende. Se profissionaliza, se reparte, se mantém. Se herdeiro entra, se executivo entra, ou se ninguém entra.

Sem governança, quem decide é o juiz, o banco, o mercado, ou o cansaço.

Como isso se materializa no chão? Não é estatuto bonito na gaveta. É estrutura que segura a porrada na prática e com eficiência.

Holding familiar + Conselho consultivo + CEO com meta Você continua beneficiário, o lucro continua seu, mas a caneta do dia a dia sai da sua mesa e vai pra quem entrega resultado. Se herdeiro tiver vocação, ele compete pela cadeira como qualquer executivo. Se não tiver, ele continua beneficiário da estrutura.

Protocolo familiar escrito, não falado “Filho trabalha se tiver resultado”. “Neta não vira diretora por ser neta”. “Briga de família não vira briga de acionista”. Papel chato hoje evita divórcio societário amanhã.

Fundo familiar pra parte líquida - inclusive fora Imóvel de renda, recebível, fazenda arrendada. Isso vira cota. Herdeiro recebe renda, não operação. E parte dessa camada pode ser estruturada fora, em jurisdição com menos custo, menos burocracia e menos exposição a intercorrência de governo e justiça. Não é esconder patrimônio. É blindar patrimônio contra risco sistêmico.

Você separa quem recebe de quem toca. E ninguém precisa vender o ativo pra dividir herança.

Gancho com a realidade: De que adianta fazer doação com usufruto se a empresa morre junto com você? De que adianta passar por RJ e limpar o passivo se não existe comando pra manter a empresa viva depois?

Sucessão não é entregar a chave do negócio. É entregar um sistema que funciona sem você, mas com você no controle.

Porque o dia que você quiser sair, você vende caro. O dia que você for obrigado a sair, vendem barato por você.

Resumo da ópera: existem 2 opções: Ser dono porque montou estrutura ou ser ex-dono porque deixou pra depois.

A decisão entre Risco e Decisão hoje não é “vendo ou não vendo”. É: “quem decide o futuro da minha empresa? Eu, através de governança, ou a crise, através do desespero?”.

A primeira se constrói. A segunda se sofre.

Próxima semana: Por que vender tudo pode ser o ato de amor mais difícil do fundador.


Rodrigo Gonçalves Pimentel é advogado (OAB/SP 421.329 | OAB/DF 68.003 | OAB/MS 16.250), empresário e corretor de imóveis (CRECI/MS 11.939). Sócio do Pimentel & Mochi Advogados e gestor da Todeschini MS e RP Imóveis. Foi Secretário de Governo e Presidente da Fundação de Cultura de Campo Grande.

Siga no Instagram: @rodrigogpimentell