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Negócios com Sabor

Roberto roda todo dia 10 km em bike cargueira para vender salgado

Após anos de recuperação de um acidente, trabalhador encontrou na bicicleta sua única forma de renda

Por Natália Olliver | 23/04/2026 07:44
Roberto roda todo dia 10 km em bike cargueira para vender salgado
Roberto roda todo dia 10km em bike cargueira para vender salgado  (Foto: Natália Olliver)

Há 8 anos, Roberto Maria Pereira Neves, de 52 anos, roda todos os dias 10 km em uma bicicleta cargueira para poder vender os salgados nos bairros de Campo Grande. A história com o veículo antigo começou não por opção, mas por necessidade. Nesta quarta-feira (22) ele passou pela Avenida Duque de Caxias e viu a montagem da estrutura do show do Ce Tá Doido.

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Roberto Neves, de 52 anos, pedala 10 km diários em uma bicicleta cargueira para vender salgados nos bairros de Campo Grande. Após cair de uma plataforma de 6 metros e quebrar a coluna, ele não pôde mais trabalhar com instalação de painéis em shows. Com saídas às 4h e retorno após as 22h, ele vende 60 salgados por dia a R$ 6 cada, carregando café, leite e suco na bike há 8 anos.

Depois que caiu de uma plataforma de 6 metros, Roberto ficou impossibilitado de trabalhar com o que fazia e amava:  mexer na estrutura de shows. De frente para o posto onde aconteceu o evento, ele conta que não teve escolha senão encarar a bike para conseguir renda.

Roberto roda todo dia 10 km em bike cargueira para vender salgado
Roberto roda todo dia 10 km em bike cargueira para vender salgado
Após anos de recuperação de um acidente, trabalhador encontrou na bicicleta sua única forma de renda (Foto: Natália Olliver)

“É uma história triste porque comecei por um acidente de trabalho e não tive condições de trabalhar para ninguém. Tive que me virar assim. Antes mexia com evento, quebrei a coluna, foram anos de recuperação”.

Nos poucos minutos em que encosta a bicicleta, pessoas chegam atrás do salgado de Roberto. Às 10h, ele tinha apenas 3 no cooler onde armazena os produtos. Falando na distribuição dos insumos que carrega, são duas caixas térmicas na frente, médias, uma garrafa grande de café atrás, uma outra de leite menor e outra de suco. O anúncio de que ali tem comida aparece com uma plaquinha simples de papel, já desgastada com o vento, sol e chuva.

“Vendo algumas variedades, pão italiano, presunto e queijo, calabresa, frango, esfirra, custa R$ 6. Chego a rodar uns 10 km por dia, vou para todos os bairros, mas pego da Nova Campo Grande até a Rua Yokohama”.

O trabalho começa cedo; às 3h, Roberto já está de pé para preparar as coisas, sai de casa por volta das 4 ou 5h da manhã e volta só depois das 22h. Todos os dias, a meta de venda é de 60 salgados e ele consegue atingir esse número.

Roberto conta que os clientes preferem a esfirra de carne. Sobre os perigos de estar em uma bike pelas avenidas e ruas pouco sinalizadas e, muitas vezes, sem ciclovias, ele ressalta que não teme.

“Não me preocupo com os perigos da rua porque a gente corre risco em qualquer lugar. Há 8 anos me viro com isso, não temos chance de estar no mercado de trabalho, ninguém dá chance. Isso é para tapar buracos, mas é isso”.

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