Família levou 8 anos para sair da barraca e vender 400 kg de pastel
Antes, faziam a massa na bacia; tudo mudou com a chegada do trailer inédito nas feiras

Por 12 anos, Ayrton Fernandes e a esposa, Luana Salazar Delmondes, sobreviveram de uma pequena barraca de pastel improvisada. O negócio foi sustento da família e a salvação de Ayrton. Foram 8 anos aguardando dinheiro para enfim investir em uma inovação: um trailer de pastel, único nas feiras de Campo Grande. Com ele, o negócio que já andava bem ficou ainda melhor e o lucro mais que dobrou. Hoje, são 400 kg de massa por semana, feitos na fábrica que só veio depois que o negócio cresceu.
RESUMO
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Ayrton Fernandes, de 35 anos, superou o vício em drogas na adolescência e construiu um negócio de sucesso em Campo Grande com a ajuda da esposa. O que começou com uma barraca simples de pastel nas feiras, há 16 anos, se transformou em uma operação com trailer importado do Paraná, fábrica própria, 16 funcionários, 35 sabores e produção de 400 kg de massa por semana, atendendo quatro feiras na capital sul-mato-grossense.
Aos 35 anos, o feirante relembra que enfrentou o vício em drogas ainda na adolescência e encontrou na esposa e no pastel a força para mudar de caminho. Ao todo são 17 anos de trajetória. “Tive um problema até meus 19 anos. Foi quando conheci minha esposa, que me ajudou bastante a me livrar do vício. A gente começou a trabalhar com feira e não tinha praticamente nada”, conta.
O começo foi bem diferente da estrutura atual. Nada de trailer moderno ou equipe grande. A história começou com uma barraca simples, pouca mercadoria e muito improviso. Ele ia de carona com a mãe, na Kombi dela, levando o que conseguia vender. Ao lado da esposa, começou a preparar pastel nas feiras depois de aprender o ofício em viagens ao Mato Grosso com pessoas que já trabalhavam no ramo.
“Quando cheguei aqui em Campo Grande, falei: vou viver disso. Comecei a fazer pastel nas feiras, mas era só eu e minha esposa. No começo, é aquela luta de sempre, não tem dinheiro para nada. Fazia a massa na feira mesmo, colocava o trigo na bacia, amassava no braço e abria a massa ali”, relembra.
A família vendia alguns pastéis e usava o dinheiro para comprar mais carne. O mesmo acontecia com o papel-toalha. "Acabava e era uma correria atrás de mais."
A rotina era simples: vender, repor os ingredientes e continuar trabalhando. O dinheiro de uma venda garantia a próxima compra.

“A gente cozinhava a carne na hora. Era uma loucura, mas deu certo e hoje estamos aqui no trailer”. A virada, porém, não foi imediata. Segundo ele, foram cerca de oito anos de trabalho até o negócio ganhar a estrutura atual.
O trailer foi encomendado a uma fábrica no Paraná depois que ele não encontrou nada parecido em Campo Grande. “O trailer foi um sonho de muitos anos trabalhados. Não foi barato. A gente batalhou muito por isso”, afirma.
Depois de conhecer a fábrica, entrou em uma fila de aproximadamente um ano para a produção. Nesse período, foi pagando o veículo até que ficasse pronto. A aposta deu resultado. “Quando chegou aqui, foi nossa virada de chave. Todo mundo ficou encantado. A nossa venda já era boa, mas, quando o trailer chegou, dobrou”.
O que antes era feito na mão, com a ajuda da esposa e dos filhos, hoje passa por uma estrutura que produz cerca de 400 quilos de massa por semana, com maquinário e equipe.
Hoje, a família atende quatro feiras: Nova Bahia, Piratininga, Orla Morena e Guanandi. O que começou como uma barraca se transformou em um trailer que movimenta uma equipe de 16 pessoas, sendo 10 nas feiras e quatro na fábrica.
No cardápio, são 35 sabores de pastéis, com opções a partir de R$ 12 e combinações de até quatro recheios. Nas feiras noturnas, também há espetinhos e sobá.
Mesmo com a estrutura maior, Ayrton continua acordando cedo para preparar as massas. Para ele, empreender é gratificante, mas exige dedicação diária. Ao olhar para o trailer, vê a prova de uma mudança de vida construída ao lado da família.
“Eu não faria mais outra coisa. Isso é meu sonho, a realização de um sonho nosso. A gente gosta de atender essa galera. Sempre gostei de mexer com comida e o pastel abriu essas portas. Eu me sinto completo e realizado. Minha família me ajuda. Estamos na guerra, mas Deus é lindo e fez a gente construir tudo isso aqui”.
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