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Capital

Líder de esquema de contrabando de cigarro ficou paraplégico em ataque a tiros

Willyan Paredes Gonçalves, foi alvo da operação Rota Clandestina e colocou tornozeleira eletrônica

Por Ana Paula Chuva | 16/06/2026 09:43
Líder de esquema de contrabando de cigarro ficou paraplégico em ataque a tiros
Casa de Willyan no bairro Universitário onde mandado foi cumprido (Foto: Juliano Almeida)

Willyan Paredes Gonçalves é outro empresário que foi alvo da operação Rota Clandestina, deflagrada pela PF (Polícia Federal), pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) e pela Receita Federal na manhã desta terça-feira (16). O homem também teve a ordem de monitoramento eletrônico cumprida no Bairro Universitário, em Campo Grande e agora passa a usar tornozeleira.

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Willyan Paredes Gonçalves, apontado como líder de um esquema de contrabando de cigarros que movimentou mais de R$ 76 milhões, foi alvo da operação Rota Clandestina, deflagrada pela Polícia Federal, PRF e Receita Federal em Campo Grande. Paraplégico após ser baleado em 2024, ele será monitorado por tornozeleira. A operação cumpriu 14 mandados de busca, 5 prisões e 5 monitoramentos eletrônicos em Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

Conforme apurou o Campo Grande News, Willyan é apontado como o “cabeça” do esquema que movimentou mais de R$ 76 milhões com o contrabando de cigarros. Ao longo da investigação foram feitas 12 apreensões que somam mais de 1 milhão de maços de cigarro.

Willyan tem passagem por receptação e em abril de 2024 foi baleado no rosto enquanto caminhava pela rua, no Bairro Universitário. O atirador, Alesson de Oliveira Jara, 35 anos, foi preso um mês depois, em Florianópolis (SC).

A vítima saía para jogar o lixo quando o atentado aconteceu, segundo a investigação da DHPP (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídio e de Proteção à Pessoa). O crime foi motivado por vingança em razão de uma dívida que Alesson tinha com Willyan, que foi apontado como agiota.

O valor, segundo boletim de ocorrência registrado na época, era de R$ 55 mil, e Alesson chegou a entregar três veículos como garantia para Willyan, mas havia duas parcelas atrasadas e ele não gostou de ser cobrado.

Por conta do ataque, ele acabou ficando paraplégico e por isso será monitorado por tornozeleira eletrônica em razão da investigação do esquema de contrabando de cigarros. A reportagem apurou que ele é dono de uma empresa de construções no Bairro Coophavila II, com capital social de R$ 150 mil.

Operação

Durante a ação, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, 5 mandados de prisão preventiva e 5 determinações de monitoramento por tornozeleira eletrônica. As ordens foram expedidas pela 3ª Vara Federal de Campo Grande (MS) e ocorrem simultaneamente na Capital sul-mato-grossense e em Santa Luzia (MG).

Outro alvo na Capital sul-mato-grossense foi a casa de um empresário no Bairro Caiçara. O homem de 55 anos é dono de uma distribuidora e de outras empresas na região e chegou a ser levado para a sede da PF para prestar esclarecimentos, mas não foi preso.

A ação visa desarticular uma organização criminosa interestadual especializada no contrabando de cigarros de origem paraguaia e em lavagem de dinheiro. O grupo mantinha uma estrutura hierarquizada responsável por todas as etapas do crime, desde a importação ilegal na fronteira até o armazenamento, transporte e comércio do produto. As investigações apontam ramificações em Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

Os cigarros eram comprados no Paraguai e entravam no Brasil por rotas rurais e estradas de terra para desviar da fiscalização. Para mitigar os riscos de perdas em eventuais barreiras policiais, o transporte inicial era fracionado em carros de passeio.

Ainda de acordo com a investigação, a mercadoria ficava estocada em depósitos clandestinos em Campo Grande. Destes locais, os cigarros eram transferidos para caminhões e distribuídos em larga escala para outros estados utilizando notas fiscais frias e empresas de fachada para burlar as autoridades.

O dinheiro arrecadado pelo grupo circulava por contas bancárias de 'laranjas' para proteger os reais beneficiários. Depois, o grupo distribuía os valores para evitar alertas automáticos do sistema bancário e, por fim, a quadrilha utilizava canais informais e criptoativos para evasão de divisas e pagamento de fornecedores no exterior.

O efetivo mobilizado na operação conta com 7 auditores-fiscais, 15 analistas tributários da Receita Federal, 62 policiais federais e mais 17 policiais rodoviários federais. Em Campo Grande, a operação já apreendeu mercadorias e até um jet ski.

Líder de esquema de contrabando de cigarro ficou paraplégico em ataque a tiros


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